Militares franceses testaram pela primeira vez o carro lagarta anfíbio brasileiro durante exercício conjunto na costa do Rio de Janeiro. Em contrapartida, fuzileiros navais do Brasil operaram o porta-helicópteros Dixmude, navio de assalto anfíbio e hospital da Marinha Nacional da França. A troca assimétrica de capacidades expôs o interesse francês em tecnologias que ainda não domina, ao mesmo tempo em que o Brasil ganha experiência com embarcações de projeção de forças.
O exercício, realizado na Ilha da Marambaia, integrou a missão Jeanne d’Arc, que percorre o globo durante cinco meses. A presença francesa no Atlântico Sul não é casual: a Guiana Francesa, território ultramarino, exige capacidade de resposta rápida na região. Conforme a Marinha do Brasil, a atividade envolveu tropas, veículos anfíbios, helicópteros e o apoio de submarinos.
A operação conjunta reflete uma parceria estratégica de longa data. “Há 400 anos, a Marinha francesa está presente em todos os oceanos para proteger nossos interesses e trabalhar com nossos parceiros e aliados”, destacou o comando francês, segundo a Marinha do Brasil. O Brasil, por sua vez, consolida seu papel de principal ator naval do Atlântico Sul.
Troca de tecnologias entre as marinhas
O ponto alto do adestramento foi a troca de equipamentos entre as forças. Os brasileiros cederam o carro lagarta anfíbio, blindado capaz de sair do navio e avançar sobre a praia — capacidade que a França ainda não possui. “É um crescimento de todos nós, utilizando, por exemplo, o carro lagarta anfíbio, uma capacidade de um veículo blindado que sai do navio para a terra, que o francês não dispõe ainda hoje”, afirmou a Marinha do Brasil.
Enquanto isso, os militares franceses ofereceram seus veículos anfíbios e carros blindados para que os fuzileiros navais brasileiros pudessem operar. A troca permitiu que ambas as forças se familiarizassem com doutrinas e equipamentos distintos, aumentando a interoperabilidade em operações multinacionais.
Função dupla do navio-hospital Dixmude
O Dixmude, da classe Mistral, foi descrito pela Marinha francesa como um ativo de dupla função. “Por um lado, é um navio de assalto anfíbio capaz de projetar forças do mar para a terra usando seus veículos anfíbios, mas também de fazê-lo por helicóptero. É também um navio-hospital, com recursos que ficam à disposição das Forças Armadas”, detalhou o comando francês.
Para o Brasil, a experiência a bordo do Dixmude é estratégica. O país planeja adquirir navios de assalto anfíbio no futuro, e a oportunidade de operar com a embarcação francesa acelera o aprendizado. “A oportunidade de operar, com o nosso navio, o porta-helicópteros Dixmude cresce de importância para que a gente já ganhe esse know-how para a utilização de navios anfíbios”, reforçou a Marinha do Brasil.
Simulação de combate e resgate na Marambaia
As atividades na Ilha da Marambaia incluíram tiro prático, simulação de campo minado e atendimento de primeiros socorros. O Dixmude serviu como plataforma de lançamento de tropas e helicópteros, enquanto os blindados anfíbios faziam a transição do mar para a terra. A Marinha do Brasil destacou que o exercício também testou a capacidade de resposta a desastres naturais, cenário em que navios-hospital são essenciais.
A presença francesa na região, motivada pela Guiana Francesa, reforça a importância do Atlântico Sul para Paris. O Brasil, como potência naval regional, atua como parceiro estratégico, oferecendo bases e conhecimento do terreno. A troca de capacidades, ainda que assimétrica, fortalece os laços militares entre os dois países.
❓ Perguntas frequentes
Por que a França testou um blindado brasileiro?
A França ainda não possui veículos blindados anfíbios capazes de sair de navios e avançar sobre praias. O exercício conjunto permitiu que militares franceses operassem o carro lagarta anfíbio brasileiro e avaliassem seu desempenho.
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O que é o navio Dixmude?
O Dixmude é um porta-helicópteros de assalto anfíbio da classe Mistral, da Marinha francesa. Ele pode projetar forças do mar para a terra usando veículos anfíbios ou helicópteros e também funciona como navio-hospital.












