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Estado

Rodízio de carros para combater coronavírus tirará das ruas metade da frota de SP

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O prefeito Bruno Covas (PSDB) anunciou nesta quinta-feira (7) que, a partir da próxima segunda-feira (11), haverá um rodízio de veículos muito mais restrito do que o que havia antes da pandemia do novo coronavírus.

Rodízio de carros para combater coronavírus tirará das ruas metade da frota de SP

Foto: Marivaldo Oliveira/Código19/Estadão Conteúdo

Agora, durante o dia todo e em toda a cidade, não apenas mais no centro expandido, metade dos veículos serão proibidos de circular, em todos os dias da semana, inclusive aos sábados e domingos.

Nos dias pares, poderão circular carros com placa de final par (0, 2, 4, 6, 8). Nos dias ímpares, poderão circular carros com placa de final ímpar (as demais).

Profissionais de saúde serão excluídos da determinação. Estabelecimentos de saúde devem enviar um e-mail nos próximos 10 dias para [email protected] com nome do profissional, CPF e placa do veículo, para garantir a exclusão das multas.

Táxis são isentos da restrição, mas motoristas de aplicativos como Uber devem obedecer às novas regras que restringem a circulação de veículos, Funcionários de serviços considerados essenciais, como mercados, pet shops, padarias e lotéricas, entre outros, também terão que obedecer ao rodízio com seus carros.

A medida precisou ser tomada, segundo o prefeito, dado o aumento de circulação na cidade nas últimas semanas. Na última quarta (6), houve 40 quilômetros de congestionamento no trânsito da cidade.

Segundo Covas, a ocupação de leitos de UTI na cidade passa dos 80%. Metade dos hospitais referenciados para tratar a Covid-19 já tem mais de 95% de ocupação de leitos de UTI.

“Essa medida é necessária para que a gente possa continuar a restringir a circulação de pessoas na cidade de São Paulo e aproveitar o que nós tivemos nesses últimos dias por conta da quarentena: uma melhora na qualidade do ar. Vários estudos demonstram que a melhora na qualidade do ar é uma melhora nos índices das doenças respiratórias. Num momento que a gente combate um vírus que causa uma série de mortes inclusive com doenças respiratórias, melhorar a qualidade do ar também é reduzir a quantidade de mortes na cidade de São Paulo”, afirmou o prefeito.

“Essa é uma medida necessária para que a gente evite ter que decretar lockdown [quarentena mais rígida onde as pessoas são proibidas de sair de casa sem justificativa expressa]. A gente está tentando, numa escala, evitar uma medida extrema, que é impedir a circulação de pessoas na cidade de São Paulo”.

A prefeitura vai incluir mais 1.000 ônibus no sistema de transporte municipal, e deixar 600 ônibus perto dos terminais de ônibus que podem ser acionados em caso de necessidade.

“A expectativa inicial da prefeitura era que, com a liberação do rodízio, a gente evitasse aglomeração nos ônibus. Infelizmente, o que nós percebemos é que a liberação do rodízio tem servido como um estimulante para as pessoas saírem de casa. Infelizmente, algumas pessoas ainda não entender o recado da importância de permanecer dentro de casa. Não é apenas um ato de higiene, é um ato humanitário, de respeito à vida”, justificou Covas, ao ser questionado se a restrição aos carros não provocaria mais aglomerações em ônibus.

A prefeitura bloqueou avenidas por dois dias nesta semana, para tentar restringir a circulação de veículos, mas a medida acabou gerando mais trânsito, deixando ambulâncias e profissionais de saúde presos em congestionamentos, e foi abortada na quarta.

“Infelizmente o bloqueio de avenidas não surtiu o efeito desejado, não adiantou para conter as pessoas dentro de casa. Razão pela qual a gente anuncia o retorno do rodízio”, afirmou o prefeito.

Segundo dados do Detran (Departamento Estadual de Trânsito de SP), a capital paulista tem 9,1 milhões de veículos em circulação.

Volta na segunda-feira também a restrição da circulação de caminhões na cidade, com exceção dos que fazem abastecimento e dos da área de saúde.

A cidade de São Paulo tem 23.807 casos confirmados de contaminação pelo novo coronavírus, além de mais de 93 mil casos suspeitos. São 1.928 mortes confirmadas apenas na capital paulista, além de 2.372 suspeitas. Até agora, 22 moradores de rua morreram pela Covid-19, segundo o prefeito.