Qual será a solução da Federação Paulista de Futebol para dar continuidade ao Paulistão?

O próximo domingo, dia 26, seria de festa para a torcida de um dos 16 clubes na disputa do Campeonato Paulista. Isso porque a data marcaria a decisão do maior campeonato estadual do país, assim como outras dezenas de torneios. Porém, com a crise do Coronavírus, a competição foi paralisada há mais de um mês – e parece longe de ter um fim.

Qual será a solução da Federação Paulista de Futebol para dar continuidade ao Paulistão?
Torneio está paralisado há mais de um mês. Foto: Alexandre Battibugli/FPF

Ainda há duas rodadas a serem disputadas na fase de grupos, o que definirá os últimos classificados – apenas São Paulo e Red Bull Bragantino garantiram presença no mata-mata antes da paralisação – e os dois rebaixados para a Série A2, além de vagas nas competições nacionais como Série D e Copa do Brasil. Isso sem contar, é claro, as quartas de final, semifinal, e o Torneio do Interior. Contando com as duas partidas da final, restam seis datas.

Na última semana, a Federação Paulista de Futebol (FPF) garantiu que o torneio será concluído dentro de campo. “Apesar de alguns não acreditarem ou quererem, todos os campeonatos que começaram vão terminar. Isso é fato. É a grande vontade da maioria dos clubes, mas só vamos voltar a jogar de acordo com as orientações da medicina, da ciência e das autoridades públicas. Não tem asteriscos, vamos terminar, não sabemos quando, não estamos marcando data, dia, hora, mas não há nenhuma possibilidade de casuísmo, de decidir com a caneta. Futebol se decide dentro de campo e é assim que ele será decidido, dentro de campo”, disse Reinaldo Carneiro Bastos, presidente da FPF, em entrevista ao canal Fox Sports.

Porém, a solução parece ser bastante complicada. Isso porque a federação terá de encontrar uma saída para alguns percalços tanto quanto óbvios que dificultam a continuidade do campeonato – pelo menos ainda neste ano. De acordo com Rodrigo Dias, editor do portal sitesdeapostas.bet, a entidade precisará quebrar a cabeça para encontrar uma solução que agrade a todos os clubes. “Há dois grandes problemas, o calendário apertado e o contrato dos jogadores dos clubes menores. É uma situação atípica e difícil imaginar uma resolução que não desagrade ninguém, mas a FPF precisará encontrar essa solução, já que prometeu dar um término ao campeonato dentro de campo”.

Problemas

A partir de maio, em condições normais, é quando o calendário fica mais apertado. Isso porque se inicia o Campeonato Brasileiro, chegam as fases mais agudas da Copa do Brasil, além das disputas da Libertadores e Copa Sul-Americana, que se estendem até o final do ano. De que forma, então, encaixar o Campeonato Paulista? Até mesmo as outras competições deverão sofrer alterações em sua estrutura para “caberem” no calendário, que será mais curto do que o usual, já que ainda não há perspectiva para o retorno.

Um segundo problema é o fato de os clubes pequenos ficarem sem jogadores. Isso porque mais de 140 atletas ficam sem contrato após o próximo domingo, pois foram contratados somente para a disputa do Paulistão (muitos dos times do Paulistão não disputam nenhuma divisão do Campeonato Brasileiro, nem a Copa do Brasil).

Federação Paulista de Futebol
Federação precisará encontrar saída para agradar todos os clubes. Foto: Rodrigo Corsi/FPF

Alguns já até assinaram contrato com outros clubes, caso do atacante Ronaldo, um dos destaques do Santo André, time de melhor campanha da competição, que acertou transferência para o Sport Recife, clube que disputará a Série A. O Ramalhão, inclusive, é um dos que mais é afetado: 19 jogadores do clube do ABC ficam sem contrato.

Santo André perde 19 jogadores sem contrato
Santo André perde 19 jogadores sem contrato. Foto: Divulgação/FPF

Possíveis saídas

Um dos cenários discutidos é a possível realização do campeonato com portões fechados, sem presença de torcida. No entanto, isso vai contra as normas da quarentena no Estado, o que deve gerar entraves com jogadores, clubes e até mesmo com o Governo, que pode impedir a realização de jogos por colocar em risco a saúde dos atletas e profissionais envolvidos.

Realizar o torneio de forma simultânea com as demais competições, quando a situação for normalizada, também parece inviável. Isso porque clubes como São Paulo, Palmeiras e Santos já terão suas atenções voltadas para Campeonato Brasileiro, Copa do Brasil e Libertadores, e deixariam o estadual em segundo plano – como já acontece mesmo com o calendário normalizado.

Uma terceira opção seria encerrar o Campeonato no ano que vem, mas isso geraria outro problema em relação às vagas de acesso da Série A2 e também de rebaixamento, além de impactar no calendário de 2021.

Já que se nega a encerrar o Paulistão fora do campo, cabe agora à Federação encontrar uma solução que não desagrade ninguém – o que é praticamente impossível.

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