Matheus Erler: “eu espero deixar um legado na história”

Quem é o segundo mais importante politico de Piracicaba nos dias de hoje? Conheça a intimidade do presidente da Câmara de Vereadores Matheus Erler.

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Matheus Antonio Erler, de 35 anos, é advogado previdenciário, vereador e presidente da Câmara de Vereadores de Piracicaba. Piracicabano nascido e criado, Erler é casado e formado em direito pela Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep).

Nascido em 02 de dezembro de 1982, Matheus Erler se divide entre seu trabalho de assessor previdenciário na Concede, com o objetivo de ajudar as pessoas a conseguirem o melhor benefício perante a Previdência Social (INSS), e presidente da Casa de Leis do município. Nesta entrevista, ele fala um pouco sobre suas raízes, sobre suas impressões acerca da saúde municipal e, claro, sobre as passagens que mais marcaram sua trajetória na Câmara até o momento.

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Como o senhor começou na vida pública?
Sou assessor previdenciário desde 2006. A assessoria previdenciária ajuda as pessoas no momento em que elas mais estão necessitadas, ou seja, na velhice (aposentadoria por idade), na morte ou quando a pessoa já trabalhou por longos anos. Em 2012, fiquei com o desejo de fazer mais e sempre tive em mente que, politicamente, eu poderia fazer esse algo a mais. Num Projeto de Lei, por exemplo, eu posso repercutir um só benefício a milhares de pessoas existentes numa sociedade (no caso, a nível municipal) e tudo o que eu fizer irá perdurar por longos e longos anos. Então, foi com esse desejo de querer fazer mais pelas pessoas que eu decidi me candidatar como vereador em 2012. Essa foi a minha primeira tentativa e obtive quase 2700 votos, por isso consegui ocupar uma cadeira na Câmara de Vereadores de Piracicaba.

Como foi a sua infância aqui na cidade?
A minha infância foi muito boa. Sempre estudei em escola pública, sempre fui muito agitado, dei muito trabalho para os meus pais e também apanhei muito… enfim, coisas de criança. Mas foi uma infância muito boa! Comecei a trabalhar com 12 anos de idade e não me arrependo disso. Deixo claro aqui que o anseio pelo trabalho não vinha dos meus pais, eles queriam que eu só estudasse. Porém, como sempre tive uma energia fora do comum, comecei a procurar por trabalho. Aí como meu pai percebeu que eu queria mesmo trabalhar, ele acabou arrumando emprego para mim numa farmácia. Eu trabalhava com remédios e depois me tornei balconista. Posso dizer que minha infância dos 12 aos 17 anos foi conciliando trabalho e estudo.

Existe alguém na sua família que te influenciou a seguir esses passos na política?
Não, não. Meu pai é metalúrgico, minha mãe é do lar, então [entrei na política] com o anseio de querer fazer mais pela população de Piracicaba e de maneira mais ampla. Eu sou advogado, estou vereador, estou presidente da Câmara, mas tudo isso vai passar. Já o que fizemos de bom, isso se perpetuará no decorrer das gerações. Eu espero deixar um legado na história, mas nunca tive ninguém em minha família que tivesse, digamos, essa veia política.

O senhor é formado em direito. Como essas raízes contribuem para sua vida política?
Contribui no bojo da atividade parlamentar, porém não significa que todo parlamentar tem que ter o curso de direito. Nos dois primeiros anos de vereador, assumi a Comissão de Legislação, Justiça e Redação e fui escolhido pelo fato de ser advogado, já que essa comissão analisa se a lei possui embasamento legal e constitucional para ser levada a plenário; e caso não possua, ela já tem um parecer contrário. O direito conseguiu agregar muito na minha função de parlamentar na medida em que eu conheço os direitos que são garantidos na constituição. Direito é uma educação de qualidade, saúde, segurança, e, com base no que é direito do cidadão e dever do Estado, tentei fazer com que isso chegasse à população nesses quase oitos anos de mandato. Se o idoso tem direito a uma velhice segura, é no município em que de fato vamos regulamentar a lei geral. A constituição é um conjunto de leis que dá garantia total, mas o modo como essa normativa federal será regulamentada, isso se dá através das leis estaduais e municipais. Então conhecer direito facilita bastante a atividade parlamentar e garante que os projetos sejam mais bem elaborados do que quando não se conhece. Mas volto a dizer: possuir formação em direito não é uma exigência sine qua non, apenas digo que facilita muito.

Há alguma passagem importante na sua vida política que o senhor faz questão de ressaltar?
Eu diria a aprovação de projetos que favoreceram a população de Piracicaba. Nós temos aqui no município, por exemplo, o Fórum de Defesa do Direito dos Idosos e dos Trabalhadores. O fórum é permanente, então ele não foi constituído para existir num determinado período de tempo para que, posteriormente, fosse destruído. O Fórum foi instituído e perdura-se até hoje. E anualmente nós trabalhamos nesse fórum, sempre garantindo mais direitos aos idosos. Outra luta extremamente forte e que Piracicaba não se furtou disso, foi o fato de dizer “não!” à reforma da previdência. Tínhamos uma reforma previdenciária que estava para ser aprovada há pouco tempo, que implicaria numa perda de benefícios previdenciários e, na medida em que se retira um benefício garantido por lei, implicaria principalmente num retrocesso social. E a Câmara de forma unânime não se furtou disso. Nos utilizamos do fórum permanente de defesa do Idoso para dizer que éramos contra a reforma previdenciária. E isso tomou um corpo até maior que esperávamos, visto que nos reunimos com o pessoal da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e fizemos inúmeras audiências públicas sem nos furtarmos de debater com aqueles que eram favoráveis à reforma. No final, criamos uma Moção e ela foi levada ao Congresso Nacional para que não se aprovasse a Reforma Previdenciária. E a reforma não foi levada adiante por N motivos. Esse fato em defesa dos direitos foi bastante marcante.

Gostaria de ressaltar alguma outra?
Sim! E essa inclusive teve até uma repercussão internacional: foi quando um grupo de empreendedores — que não é daqui de Piracicaba — decidiu criar aqui no município um parque erótico. Isso não existe em nenhum lugar do mundo e acabou se tornando notícia internacional. Nós batemos contra essa ideia, dizendo que isso daí não seria legal e que criaria uma pecha muito forte aqui na cidade e para nós que somos piracicabanos. Eu também não queria isso. Então, criamos e aprovamos pela Câmara uma lei que diz que empreendimentos desta natureza não podem ser aprovados aqui em Piracicaba. Conseguimos barrar esse empreendimento, e se alguém quiser fazer isso novamente algum dia, também não poderá fazer, salvo se alguém propuser a revogação desta lei que criamos. Foram dois momentos bem marcantes.

O senhor comentou da educação e a elevou a algo primordial na sociedade. O que considera fundamental para que alavanquemos a educação no município?
Antes do Barjas Negri assumir, tínhamos uma quantidade muito baixa de creches. O Barjas fez uma revolução por conseguir construir dezenas e dezenas de creches. A educação começa na creche, passa pelo Ensino Superior e vai embora. Então quando o assunto é creche, o Barjas conseguiu evoluir de forma considerável. A Lei de Diretrizes e Bases (LDB) prevê que todas as crianças gozem de uma creche por meio período, porém aqui em Piracicaba não há esse déficit. O déficit existe apenas no período integral, mas também não estamos em desacordo com o que prevê a Legislação Federal. Claro que seria interessante se tivéssemos vagas para todas as crianças, porém, infelizmente, isso ainda não foi possível — assim, verificamos quem mais tem necessidade e inserimos nas creches. Nós temos uma Secretaria da Educação que trabalha arduamente para que a educação seja de qualidade, e também temos uma diretoria de ensino, focada em oferecer educação de qualidade aos piracicabanos. Eu vejo que é necessário uma continuidade no trabalho de educação, que o Estado venha aplicando seus incentivos no município, e que a nossa secretária continue fazendo esse trabalho que ela vem fazendo, que é muito bem feito.

Como o senhor enxerga a questão da saúde no município?
Quando você compara Piracicaba com outras cidades da região, você vai ver que somos considerados o município que mais se aplica investimentos na saúde. Nós somos responsáveis por um orçamento de 32% em saúde, então se trata de um número gigantesco, mas não suficiente. Não é suficiente, pois não recebemos investimento do Estado e também não recebemos aporte do Governo Federal. O município investe em compra de leitos na Santa Casa e no Hospital dos Fornecedores de Cana (HFC) e isso acabou gerando uma dívida enorme de mais de R$ 20 milhões ao município. Nesta segunda-feira, dia 27 [dia em que a entrevista foi realizada], a Câmara reconhece que o prefeito mandou para nós mais uma dívida milionária com o Hospital da Cana. Isso tudo não por uma má gestão, mas pelo desejo de não se querer ver uma pessoa morrer na fila do hospital. Então, para que não vejamos uma pessoa morrer na fila do hospital, faça a internação necessária e depois veremos como vamos pagar. Como se não bastasse isso, a gente recebe pessoas de Charqueada, Rio das Pedras e de inúmeras cidades da região. O Hospital Regional é uma construção de Piracicaba, mas que vai atender pessoas de outras regiões também. A saúde em Piracicaba é muito bem desenvolvida, sem dúvida alguma. O governo investe maciçamente na saúde, mas é como eu disse, é necessário que se invista mais. Eu faço votos para que o Governo continue investindo mais, e ressalto que, nos demais municípios da região, a saúde é precaríssima. Nós temos um hospital aqui em Rio das Pedras — o São Vicente de Paulo — que foi fechado. Nesses casos, as pessoas têm que até suplicar por saúde.

Quais são suas considerações finais?
De tudo que fiz até hoje, não me arrependo de absolutamente nada. Sempre tive como objetivo o melhor para a minha cidade. Em todas as minhas atitudes como parlamentar, sempre quis fazer o melhor por Piracicaba; para que eu possa olhar à cidade daqui alguns anos e falar: “deixei um legado, uma história e de que, na medida do possível, consegui fazer uma Piracicaba melhor”. Eu amo o que faço, tanto como assessor quanto como parlamentar. Finalizo agora meu mandato como presidente da Câmara e tenho a sensação de dever cumprido. Foram quatro anos de muito trabalho, quatro anos de uma economia gigantesca (economizamos R$ 22 milhões de reais) e a grande vitória nossa foi ter conseguido fazer mais com menos. Eu agradeço muito Piracicaba por ter confiado em mim por duas eleições e agradeço também os vereadores por terem confiado em mim como presidente da Casa.

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