Desde início da pandemia, cerca de 90 mil brasileiros deixaram de ser diagnosticados com câncer

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Desde o início da pandemia de coronavírus (Covid-19) no Brasil, ao menos 90 mil pessoas deixaram de ser diagnosticadas com câncer. A estimativa é da médica Adriana Brasil, fundadora da Fundação Ilumina de Piracicaba (SP). A preocupação em relação aos números represados é a de que o país vivencie, após a pandemia, uma outra epidemia: desta vez de câncer em estágio avançado, inoperável e com baixa chance de cura.

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Uma foto da médica Adriana Brasil, da Fundação Ilumina de Piracicaba
Foto: Sidney Jr

A médica explicou que a queda de ao menos 70% no número de diagnósticos de câncer no país nos últimos dois meses se deu, principalmente, por conta do isolamento social, proposto como medida de prevenção ao novo coronavírus. Como consequência, os pacientes ficaram reclusos, com medo de saírem de casa para ir às consultas e realizar exames e se contaminarem em hospitais e clínicas.

Ela frisou que o câncer já é notoriamente uma doença com números crescentes ao longo dos últimos 20 anos, com grande potencial epidêmico. “Nos últimos dois meses, os laboratórios de anatomia patológica, que recebem as biópsias, diminuíram o movimento de 70% a 90%. Então, se existem em média 50 mil novos casos de diagnóstico de câncer de mama por mês no Brasil, e 70% a 90% não está acontecendo, a estimativa é a de que tenhamos de 80 mil a 90 mil casos represados no sistema”, avaliou.

Além do isolamento, outros fatores colaboram para o aumento deste número. Os próprios médicos adiaram consultas, cirurgias e exames de rotina, e a capacidade de atendimento dos hospitais foi reduzida, assim como a de profissionais de saúde que adoeceram. “A Associação Ilumina é uma iniciativa de médicos que decidiram enfrentar essa realidade, respeitando, claro, todas as exigências sanitárias.”

De acordo com Adriana Brasil, o represamento dos casos por vários meses pode, além de aumentar o risco da doença, fazendo-a evoluir para casos mais graves, sobrecarregar o sistema de saúde, que não tem capacidade para atender aos mais de 50 mil casos que continuam desconhecidos pelos pacientes. “Câncer é a segunda maior causa de mortes no mundo. Existe um cuidado maior agora com a pandemia, lógico, mas essa não é uma categoria de doença que pode ser negligenciada e deixada de lado por um tempo”, alertou a médica.

Dentro deste cenário, o Hospital ilumina, que recentemente comemorou um ano de inauguração, posiciona-se como aliado para prevenir o excedente de casos no pós-pandemia. A fundação, ressaltou Adriana, mantém-se ativa e atendendo de forma contínua, tendo em vista o compromisso e o cuidado com pacientes e funcionários. “Continuamos firmes em nosso propósito e atuação, mantendo a capacidade operacional total. Quem tem sintoma de câncer não pode esperar”, advertiu.

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Para ter acesso ao Hospital Ilumina, no caso de procura direta, basta ao paciente comparecer à entidade com os resultados dos exames realizados que indicam suspeita ou dúvida da presença de câncer, a carteirinha do SUS e os documentos de identificação. Há, também, a possibilidade de encaminhamento por meio das unidades e dos programas de saúde de cada bairro. Em ambas as situações, o paciente passa por uma triagem realizada por especialistas do hospital. Se a suspeita da doença for confirmada, é feito o agendamento de exames necessários o mais rápido possível.

Fundação Ilumina

Desde 2008, a entidade sem fins lucrativos atua com foco em prevenção e diagnóstico precoce do câncer. O trabalho sincronizado de rastreio ativo organizado — realizado pela atenção primária, pela Carreta Ilumina de Prevenção e pelo Hospital Ilumina — reduz o tempo de diagnóstico de câncer de 8 meses para 25 dias.

Tendo em vista que, de acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), 50% da população mundial terá câncer em 2050, a fundação atua para além do rastreamento e do diagnóstico de câncer. Ela promove, por meio de programa de educação em saúde, a conscientização, a capacitação e a preparação para o diagnóstico.

“Embora os dados sejam assustadores, 80% dos tumores estão relacionados a hábitos e escolhas de vida, como o tabagismo. Essa realidade nós podemos transformar ainda na infância. Por isso, educação é a nossa primeira bandeira, além dos exames preventivos. Mudar hábitos e se familiarizar com as boas escolhas mudarão o cenário de 2050”, afirmou.

Atualmente, a entidade oferece diagnóstico precoce de câncer de mama, pele, boca, cabeça e pescoço.

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