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Paradada LGBTQI+ de Piracicaba é adiada após polêmica envolvendo organização terrorista

Junior Cardoso

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A ONG Casvi, que realiza a Parada LGBTQI+ de Piracicaba, anunciou no começo da noite de hoje (08), que terá de adiar o evento marcado para domingo, devido a repercussão negativa da apologia a uma organização terrorista americana do século 19.

Em nota, publicada pelo Facebook, a ONG se diz vítima de um grupo que quer atacar e atrapalhar o trabalho da instituição. Leia o documento na íntegra, sem correções ou cortes, no final dessa notícia.

A polêmica começou após criticas a uma apresentação de uma drag queen durante um evento no dia 26 onde foi encenada e simbolizada a atuação da organização terrorista Ku Klux Klan (KKK), conhecida por perseguir, torturar e matar milhares de negros e quem os defendiam no século XIX. Leia sobre isso clicando aqui.

Confira a nota na íntegra a seguir

Devido aos últimos acontecimentos, o Centro de Apoio e Solidariedade à Vida – ONG CASVI, responsável pela organização da Parada da Diversidade e Orgulho LGBTQI de Piracicaba, vem a público para, infelizmente, comunicar o adiamento da 13ª Edição de nossa Parada e para se manifestar sobre a campanha de Linchamento Virtual e Cancelamento promovida contra a Instituição e contra a realização da Parada.

Desde a última terça-feira (05 de novembro de 2019) as mídias sociais da ONG CASVI vêm sofrendo uma série de ataques virtuais motivos pela repercussão negativa de uma performance realizada pela Drag Verona durante a festa “A Paradinha – The Walking Drag” no dia 26 de outubro de 2019, na qual houve o uso de símbolos que remetem a KKK, organização conhecida por defender a Supremacia Branca nos EUA.

Em nota previamente publicada por nós, esclarecemos que não tivemos acesso ao conteúdo que seria performado pela Drag, da mesma forma que todas as outras artistas que se apresentaram na festa, candidatas do Concurso Diva da Parada LGBTQI de Piracicaba.

Primeiramente cabe destacar que NÃO SOMOS uma produtora profissional de eventos, somos uma instituição sem fins econômicos que realiza as festas “A Paradinha” para custear os gastos institucionais para nossa manutenção de atividades realizadas em prol de populações vulneráveis. As festas contam com apoio majoritário de voluntários, tanto na parte artística quanto no staff e na divulgação. Ninguém da organização recebe qualquer valor pelos serviços prestados durante as festas, assim como nas demais atividades de arrecadação de fundos promovidas por nós.

Entendemos a gravidade da situação e deixamos claro que em momento algum quisemos causar indignação, nem sofrimento para os presentes ou quaisquer outras pessoas envolvidas. Quem esteve presente nas edições anteriores da festa “A Paradinha”, bem como nos demais eventos promovidos nesses 27 anos da ONG Casvi, sabe que não foram realizados atos discriminatórios contra nenhuma minoria.

O episódio em questão representa um momento problemático, motivado pelo ódio e desejo de vingança de uma produtora e artistas Drags, promoters e DJs de uma Festa Pink Money de Piracicaba, voltada para o público GLS, que somente na semana da realização da Parada LGBTQI de Piracicaba resolveram utilizar um episódio isolado pra ATACAR cruelmente e covardemente a nossa ONG e a nossa Parada LGBTQI.

Apesar disso, gostaríamos de frisar que as medidas cabíveis já estão sendo tomadas de forma legal e civilizada pela nossa Instituição. Acreditamos que as consequências decorrentes desse ato devam se dar no âmbito apropriado para tal.

Nesse contexto, a campanha de linchamento virtual e cancelamento dirigida a nós não está levando em consideração os 27 anos de história de luta social desenvolvidos por nossa instituição, tomando UM episódio pelo TODO de nossa atuação. O pedido de cancelamento da 13ª Parada da Diversidade e Orgulho LGBTQI de Piracicaba, feito e incentivados por pessoas ligadas a essa Festa, em nada vai contribuir para a redução da LGBTQIfobia na cidade, nem no combate a qualquer forma de discriminação, pelo contrário, só contribuem com a INCITAÇÃO do ÓDIO E DA VIOLÊNCIA.

Acreditamos no princípio da Justiça Reparativa, na qual as medidas punitivas, para serem efetivas, são sempre aliadas a medidas educativas/corretivas. Considerar que toda pessoa que tenha tido atitudes equivocadas, como a Drag Queen que cometeu o enorme erro, não é capaz de se rever é um julgamento precipitado e se afasta do que é entendido pelo campo dos Direitos Humanos. Obviamente que isso não exime as responsabilidades sobre os atos praticados, mas acreditamos que as consequências devem ser proporcionais, na medida legal, sem exageros. Afirmar que ela cometeu um crime, sem dar espaço para que a mesma se defenda, comemorando e gozando de PUBLICAÇÕES que pedem seu linchamento, apedrejamento, entre outros tipos de violência, somente revelam a pouca ou nenhuma intenção de promover Direitos Humanos e ou defender minorias.

Também tornamos público o aproveitamento e a superexploração desta questão por esta produtora de festas, Heterossexual, Cisgênero e Branca, com interesses escusos, que já há algum tempo tem se apropriado do discurso de empoderamento para ganhar dinheiro sob as custas da população LGBTQI, sem nunca ter considerado quaisquer questões de cunho social. Ao contrário, atuam no sentido de colocar os grupos que constroem ações pró-LGBTQI uns contra os outros. Uma festa que se apresenta como espaço para a arte Drag, que respeita artistas Drag Queens, no mínimo teria que promover o diálogo e a Educação/formação de suas artistas, e não comemorar ou promover a intolerância.

O episódio mais recente foi a campanha de difamação feita para a produtora da cantora Urias, que cancelou sua apresentação na Parada após o contato deste grupo, que não age por justiça, mas sim por interesses que não buscam o melhor para o coletivo e para a comunidade LGBTQI. Prova disso são as diversas publicações e comemorações que vem sendo feitas em suas redes sociais, por seus promoters e artistas, que deixam clara a pouca ou nenhuma preocupação com a redução da discriminação e do preconceito. Vociferando contra outros organizadores de festas, de Piracicaba e de cidades da região, chegando ao absurdo de acusar, SEM PROVAS, pessoas, instituições e festas concorrentes de ladrões, estelionatários, falsificadores, corruptos e outras ofensas levianas com objetivo de difamar, de destruir e jamais de Educar, Corrigir ou Dialogar.

O público de Piracicaba e Região deixará de assistir de forma gratuita o show da URIAS (como já é tradição nas Paradas LGBTQI de Piracicaba, que tem o apoio da Secretaria Municipal da Ação Cultural e de Turismo, trazendo artistas da cena LGBTQI Nacional). A Parada de Piracicaba tem sido uma das únicas no Interior paulista a promover a Cultura como política pública para a comunidade LGBTQI. A atração principal, seria de uma ARTISTA que foi escolhida exatamente por ser a voz dos LGBTQIs negros e periféricos, assim como pro representar Travestis e pessoas Transexuais.

Sem dúvida uma apresentação da cantora deverá ser anunciada em breve por esta mesma Festa Pink Money, porém apenas para quem puder pagar o valor do ingresso.

Entendemos que a produtora em questão está sendo levada a erro, ouviu graves acusações difamatórias e viu PUBLICAÇÕES de pessoas inflamadas pela Festa Pink Money, cuja maioria (ou nenhuma delas) estava presente na festa, pois o show da Drag Verona foi aplaudido e ovacionado, por pessoas negras, pardas e brancas no final de sua apresentação, não havendo quaisquer reclamações, vaias ou manifestação de repúdio para a artista ou Organização. E isso não significa que nossa instituição seja racista ou conivente com atitudes racistas.

A ONG Casvi já fez uma Nota Pública deixando clara sua posição, mesmo com as justificativas e tentativas de explicação por parte da artista Drag, que justifica dizendo que “se tratava de uma crítica a discriminação”.

Na data de 07 de novembro, quinta feira, a Organização da Parada LGBTQI precisou procurar a Polícia Civil e tomar medidas legais, pois a Festa Pink Money, agora unida com outros desafetos da instituição, sem qualquer preparo ou proposta de debate sobre Desigualdade Racial, vem propondo ESCRACHO em frente à sede da ONG, linchamento público da artista Drag Verona, entre outras barbaridades e difamações já conhecidas pela comunidade LGBTQI, por parte de pessoas ligadas a essa Festa.

Lamentamos pelas pessoas, Coletivos e Organizações que tem emitido Notas de Repúdio sem ao menos nos procurar para os devidos esclarecimentos.

Em reunião com os agentes de segurança pública que garantem a seguridade do evento (Polícia Militar, Guarda Civil Municipal, Semuttran e Samu) bem como outros órgãos da Prefeitura Municipal de Piracicaba decidimos ADIAR A REALIZAÇÃO DA 13ª PARADA LGBTQI DE PIRACICABA PARA O DIA 08 DE DEZEMBRO, DOMINGO, por conta das constantes ameaças que estamos recebendo, a fim de garantir a segurança da população LGBTQI presente no evento. Tanto a Polícia Militar quanto a Guarda Civil foram enfáticas no sentido de propor a alteração de data para evitar que qualquer incidente negativo pudessem decorrer.

Agradecemos imensamente às e aos parceiros que tem nos apoiado nesse momento e não se deixaram levar por acusações precipitadas. Em especial agradecemos à ONG Mães pela Diversidade, assim como os diversos coletivos e organizações do movimento LGBTQI e do movimento negro.

O coletivo LGBTQI da ONG CASVI, que este ano escolheu o tema: “PREFIRO TER UM FILHO AMANDO DO QUE UM FILHO ARMADO” é totalmente contra e desenvolve ações afirmativas e educativas concretas contra o racismo, o machismo e a LGBTQIfobia, desde sua fundação, e com mais força a partir da criação da Parada da Diversidade e do Orgulho LGBTQI de Piracicaba.

A ONG Casvi, além de realizar desde o ano de 2007 a Parada da Diversidade e do Orgulho LGBTQI de Piracicaba, desenvolve Projetos, desse 2002, em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde de Piracicaba, com a Secretaria de estado da Saúde, assim como com o Ministério da Saúde, na área da Prevenção Combinada às IST HIV e AIDS.

O Casvi tem uma forte atuação na Educação, com uma parceria sólida com a Diretoria Regional de Ensino de Piracicaba (SEE), capacitando profissionais da educação e educandos para o respeito a Diversidade Sexual e a todas as diferenças.

Filiado a Rede Nacional ABGLT, parceiro da ANTRA (Associação Nacional de Travestis e Transexuais), e ao Fórum Paulista LGBT desde 2004, o Casvi já teve sua Parada LGBTQI homenageada em diversas ocasiões, inclusive pela APOGLBT (Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo).

Diretor, editor chefe e jornalista do PIRANOT. Começou a trabalhar em 2007, aos 14 anos, quando lançou seu primeiro blog na internet. Em 2011, criou o PIRANOT e fez parte, por três anos, de um programa da extinta TV Beira Rio. Estudou jornalismo na UNIMEP e assessoria de imprensa no SENAC. Fez estágio na Câmara de Vereadores e teve passagens por duas rádios de Piracicaba.

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