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Piracicaba

Em Piracicaba, motorista é acusado injustamente de assaltante e caso termina na polícia

Rafael Fioravanti

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Em Piracicaba (SP), um motorista de aplicativo foi acusado injustamente de assaltante e o caso terminou na Polícia Civil do município. O incidente ocorreu na madrugada da quarta-feira passada (25) e tomou notoriedade em todo o município neste domingo (29).

Imagem da vítima que circulou nas redes sociais. Foto: Divulgação.

De acordo com informações apuradas pelo Jornal PIRANOT, o motorista Rafael Macedo percebeu, por meio das redes sociais, que havia sido acusado de assaltante e que seria membro integrante de uma quadrilha especialista em assaltos a condomínios de luxo. Como ele alugou o carro para trabalhar como motorista de aplicativo, não vem trabalhando desde então por medo de sofrer represálias na rua.

“Na quarta-feira passada (25), por volta das 04h, eu peguei um passageiro em frente ao Terminal da Paulicéia. Ele pediu para que eu o levasse até o condomínio onde mentiu que morava, que fica na Rua Dona Eugênia. Quando chegamos na Rua Dona Eugênia, ele pediu para que eu parasse o veículo na esquina e desceu do carro dizendo que morava no condomínio e que já voltaria para me pagar a corrida. Acontece que fiquei o esperando por mais de uma hora, por isso decidi ir até o condomínio e tocar o interfone do apartamento que ele mentiu que morava. Ninguém atendeu. Na sexta-feira (27), eu voltei ao condomínio e novamente toquei o interfone no apartamento que ele informou. De novo ninguém atendeu.”

Após comparecer duas vezes no condomínio informado, o motorista de aplicativo tomou ciência, neste domingo (29), por meio de sua irmã, que suas fotos estavam circulando pela internet e em grupos de WhatsApp, sob dizeres de que ele seria um assaltante de condomínios. “A primeira reação que eu tive foi esclarecer o caso na própria rede social Facebook, dizendo que aquilo era uma fake news. Depois decidimos ir até a polícia”, contou o motorista.

A vítima alugou um carro há cerca de um mês para trabalhar como motorista de aplicativo, mas que atualmente está com medo de trabalhar por conta de todo esse mal entendido, temendo qualquer tipo de represália. No decorrer da investigação, a Polícia Civil descobriu que o passageiro não reside no condomínio da Rua Dona Eugênia e que, por câmeras de monitoramento, foi possível visualizar que ele saiu correndo sem nem adentrar o condomínio. A vítima só não conseguiu flagrar o passageiro fugindo, pois estava estacionada na esquina da rua.

O PIRANOT conversou com o policial civil Marcelo Oliveira. “O que recebemos de várias pessoas da cidade, pelo fato desta informação falsa ter viralizado, foram fotos do motorista de aplicativo sob dizeres de que ele seria um ladrão de condomínio e que o grupo dele já havia roubado vários condomínios anteriormente. Como somos policiais, fomos atrás das informações e percebemos que não havia nenhum registro disso. Fizemos contato com o motorista e ele veio até aqui para esclarecer todo o caso”, contou Marcelo.

Na verdade, a vítima da situação é o próprio motorista de aplicativo, que foi vítima de um golpe de estelionato por parte de um passageiro que utilizou o aplicativo, não pagou a corrida e ainda fingiu que morava no prédio. “Já foi constatado por meio de câmeras de monitoramento que esse passageiro nem chegou a entrar no prédio. Ele não reside ali. Ele fingiu que ia entrar, mas saiu correndo do local. Como o motorista ficou todo esse tempo esperando ele voltar, ele decidiu tocar o interfone do andar onde o indivíduo mentiu que morava. Como o motorista esteve no local por duas vezes, suas imagens foram, de forma totalmente irresponsável, parar em grupos de WhatsApp. As pessoas foram aumentando as coisas e, hoje, praticamente a cidade inteira recebeu essas imagens. Hoje a vítima está com esse rótulo de ladrão de condomínios.”

O passageiro já foi identificado.

Compartilhamento de informação falsa

O policial civil Marcelo Oliveira disse ainda que as pessoas não podem sair compartilhando tudo que vê pela frente, sem antes confirmar se as informações realmente procedem. “Quando você receber qualquer tipo de conteúdo, procure um policial conhecido ou alguém que trabalha no meio, confirme toda a história antes. Em questão de minutos, um trabalhador honesto acabou erroneamente se transformando em bandido.”

Rafael é formado em jornalismo (comunicação social) pela Universidade Mackenzie, em São Paulo. Possui experiência em redações e editoras literárias. Integra a equipe do Jornal PIRANOT desde dezembro de 2017.