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Opinião

“Sandálias”

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Redação - PIRANOT / PORJUCA

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“Tire as sandálias dos pés, porque o lugar onde você está pisando é um lugar sagrado”. (Ex 3, 5). Essa foi a ordem de Deus quando Moisés subiu o Horeb e se aproximava da sarça que ardia. Sandálias nos tempos bíblicos vão além de calçados para proteger os pés.

“A remoção dos calçados poderia simbolizar transferência de propriedades ou direitos, ou a desistência em um direito. Um homem que se recusasse a casar-se com a viúva de um seu irmão para gerar filhos em nome dele (Lei do Levirato), tinha de remover as sandálias como sinal de sua recusa em assumir tal responsabilidade. Tirá-las e entregá-las a outrem indicava a transferência dos direitos acerca de alguma propriedade. Talvez por detrás desse costume houvesse a idéia de que pisar uma propriedade conferia, ao que assim fizesse, direitos sobre ela. Israel precisava pisar a Terra Prometida, como símbolo de posse. O sumo sacerdote não usava calçados quando cumpria seus deveres; simbolizavam respeito seus pés descalços, porque ninguém podia usar calçados na presença de Yahweh”. (Google). No caso de Moisés pode significar que ele precisaria se libertar de seu modo de pensar e de ver a vida para assumir o projeto de Deus.

Contudo, não é das sandálias de Moisés que quero falar, mas das nossas. “Povos orientais, por exemplo, têm costume de não entrar calçados em casa, templos, etc. Sua ideia é proteger o interior do lar da contaminação possível trazida da rua. De fato, com esse hábito, podemos reduzir em até 85% a quantidade de poeira, toxinas e sujeiras que entram em casa todos os dias através dos sapatos. Também, acreditam estar evitando que energias impuras da rua quebrem a harmonia do lar. Além disso, descalçar demonstra que não se quer sujar o ambiente, e despir os pés significa respeito por um lugar sagrado. Para japoneses a casa é de fato como um santuário. Retirar calçados indica que problemas e preocupações ficaram fora”. (https://www.hometeka.com.br).

Não temos esse costume, infelizmente. Temos tapetes nas soleiras das portas. São feitos para limpar os pés, calçados ou não, porém passamos por cima. Alguns até para não sujá-lo. Se, além de higiênico, tirar os sapatos é um gesto cheio de simbolismos, limpar ou não os pés também.

Entrar em casa com os sapatos carregados das impurezas da rua, mais que porquice, pode significar levar para dentro problemas que são de fora. Não que a gente deva ser uma pessoa na rua e outra em casa. Aliás, muitas vezes uma boa conversa pode desanuviar horizontes. Falo de pessoas que não distinguem trabalho e lar. Deixam se envolver por problemas dos outros e relegam os seus. No máximo ajeitam as coisas. Fazem da casa seu cesto de lixo. Tanto que nunca estão satisfeitos. Por melhor que seja a casa, sempre acham defeitos. Não levam em conta sentimentos e só falam de trabalho. Vivem cavoucando o maldito celular a procura do que não tem para dar, ou melhor, buscando longe o que está perto. Não percebem que família é uma estrela que do mesmo jeito que se forma se desfaz. Cada um toma seu rumo, alguns para muito longe, outros para sempre. O efêmero tempo juntos é tempo sagrado. Tempo de exercitar a compreensão, o diálogo, a resiliência, a tolerância e principalmente tempo de amar muito, pois mais que diplomas e bens materiais é disso que se vai precisar vida afora.

Fora de casa há quem se comporta como cordeiro, mas em casa ruge como leão. Fora, faz média, engole sapo, aceita injustiças e contraria seu próprio interior para ficar bem e garantir posição. Vida dupla é minar a si mesmo, a primeira e única casa, da qual a de tijolo é reflexo.

Diz tudo a passagem: “Quem já tomou banho, só precisa lavar [limpar] os pés, porque está todo limpo”. (Jo. 13, 10).

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ANTONIO CARLOS DANELON é assistente social e morador de Piracicaba. ([email protected])

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