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Editorial

Falta de foco e guerra de acusações marcam dois meses de greve na Esalq / USP

Junior Cardoso

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Confusa. Assim defino a greve da Esalq / USP que começou há dois meses. Reivindicando diversas coisas, principalmente o dissidio, previsto em lei, os grevistas pouco tem avançado nas negociações, se é que estão tendo, com a reitoria da universidade.
Até o momento, a reitoria está fazendo inúmeras acusações, muitas injustas aos grevistas, que por sua vez reivindicam muitos assuntos sem um foco.

A greve da USP me traz uma grande lembrança dos protestos que aconteceram em diversas cidades do Brasil em Julho e Junho de 2013 onde mais de um milhão de pessoas foram as ruas reivindicando desde mais educação á legalização de drogas.

Acredito que em toda greve não se pode deixar passar assuntos, todos devem ser debatidos como vem sendo feito com maestria pelos grevistas, mas nunca pode se perder o foco que no meu ver tem dois pontos importantes: O dissidio e mais investimentos.

Tenho recebido e-mails do Sintusp, sindicato da USP, de textos feitos por grevistas pedindo a volta de ex-funcionários, outros pedindo mais direitos para os trabalhadores negros e por aí vai.

Não entendo de greve, mas como jornalista e pelo jeito que chegam as informações oficiais do sindicato para a imprensa, a greve parece estar confusa demais e se continuar nesse ritmo, não adianta, pode se passar meses e as partes envolvidas não chegarão á nenhum resultado positivo.

Dias atrás, fui á uma apresentação de teatro do circuito TUSP que aconteceu no teatro do Sesc em Piracicaba e fomos surpreendidos com uma grevista pedindo nossa atenção antes do espetáculo começar e depois no encerramento. Educada e cordial, a mesma pediu licença para conversar com a platéia, explicou que mesmo em greve eles realizariam normalmente o espetáculo e decidiu começar a falar sobre a sua greve. Na ocasião, a senhora fez inúmeras acusações á USP, uma delas é que a Esalq, escola reconhecida em todo o mundo pela sua qualidade, estava oferecendo aos estudantes tratores quebrados e que não haviam equipamentos para trabalhar. Ela discursou por mais de 20 minutos antes e por mais uns 30 minutos depois da peça causando uma situação constrangedora para quem estava no local. Chocado com os dados, conversei com funcionários da universidade em busca de uma denúncia exclusiva, afinal, seria um grande furo de reportagem, imagine: “Estudantes da Esalq são obrigados á usar máquinas sucateadas por falta de investimentos”, mas, segundo os funcionários em greve, não é isso o que de fato acontece.
Existem máquinas quebradas, mas essas estão lá porque não podem ser descartadas. Por outro lado a universidade oferece equipamentos e máquinas de ponta para os estudantes.

No fim das contas estamos vendo um monte de acusações entre grevistas e reitoria e nenhuma negociação acontecendo. Vamos alinhar essa greve e sentar com a reitoria negociar, afinal, as aulas estão para voltar e os alunos não podem ser prejudicados nesse jogo de acusações sem fim e repito, algumas sem nexo.

Ao Sintusp sugiro a contratação de um assessor de imprensa para passar para os jornalistas informações que de fato sejam relevantes para a divulgação e de forma correta. Notem que a imprensa pouco vem noticiando a greve, um dos motivos é o jeito que as informações estão sendo repassadas.

Diretor, editor chefe e jornalista do PIRANOT. Começou a trabalhar em 2007, aos 14 anos, quando lançou seu primeiro blog na internet. Em 2011, criou o PIRANOT e fez parte, por três anos, de um programa da extinta TV Beira Rio. Estudou jornalismo na UNIMEP e assessoria de imprensa no SENAC. Fez estágio na Câmara de Vereadores e teve passagens por duas rádios de Piracicaba.

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