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Audiência

Para o sucesso do “Aqui agora”, SBT vai ter que inovar

Junior Cardoso

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Como foi noticiado mais cedo, o SBT anunciou o cancelamento da reprise da novela “Carrossel” e a volta de um dos mais importantes telejornais da história do telejornalismo brasileiro, o “Aqui agora”, a partir do dia 23.

Mas o que podemos esperar de um telejornal que volta ao ar do dia para a noite, praticamente sem estrutura, planejamento e pior de tudo, em um horário onde ele vai, sem dúvidas, ser taxado como mais do mesmo?

Revendo a história do “Aqui agora”, cujo slogan era: “um jornal vibrante, uma arma do povo, que mostra na TV a vida como ela é!”, nos revela os motivos que o fizeram ser um campeão de audiência com 33,5% de participação de share no horário.
Esses motivos são claros, vejam alguns: ele inovou ao lançar bordões, grandes comunicadores como Sônia Abrão e Nelson Rubens, uma nova linguagem televisiva, abandonou pela primeira vez a tradicional bancada e os temas já batidos de política e economia dando espaço para os assuntos de interesse da grande massa, como por exemplo, as policiais, sem abandonar os demais assuntos em uma mistura de tudo um pouco sempre focando no gosto popular.

O diferencial desse telejornal na época em relação aos demais era tão gritante que fazia o telespectador parar tudo para assisti-lo, pois, sentia que ele era a sua voz porque mostrava a sua vida sem frescuras e meias palavras.
Da fofoca ao crime, do crime ao humor na previsão do tempo, da previsão á cenas exclusivas de uma perseguição policial com a câmera nervosa (Imagens sem cortes narradas pelo repórter em busca da notícia).

Isso antigamente na TV não existia, mas hoje, das 6 horas da manhã ás 21 horas da noite, podemos assistir cópias desse telejornal só que com um detalhe predominante, todos eles só focam nos assuntos policiais que em alguns momentos nos fazem até sentir falta de notícias de economia e política que ano á ano vem perdendo espaço nas mídias tradicionais.

Com tudo, a volta do “Aqui agora” ao ar revela que o SBT tem um grande desafio pela frente que é o de analisar quais são ás necessidades atuais do seu público, depois de quase duas décadas, inovar sem medo de ser feliz e principalmente, sem preguiça.

O desafio é grande, mas é necessário para o sucesso da atração, pois, ele não vem de mãos beijadas. Só quem inova e faz diferente o conquista e por mais pessimistas que nós somos em relação á emissora do baú, temos que ter esperança de que lá, em meio á tantas twitadas, especialidade atual dos diretores do canal, seja dedicado um tempo para parar e analisar a mente de seus telespectadores afim de uma grande arma contra aqueles concorrentes que os tiraram o sossego.

Para realmente bater de frente com o Datena e o Marcelo Rezende, não adianta só pegar um nome da gaveta e exibir pequenas reportagens de crimes chocantes. Isso já existe na TV e ela necessita de algo á mais, mas o que seria esse algo á mais? Seria o programa completo de volta? Com manchetes populares, com reportagens ao vivo, helicóptero, dinamismo, com espaço para as fofocas dos artistas? Seria esse um super telejornal para o povão não só com manchetes policiais? Teria nesse telejornal a figura de uma âncora opinativa com um cassetete em mãos descendo a lenha em defesa da sociedade sem voz que necessita ir ás ruas para serem ouvidas?
Ouçam o grito das ruas, ouçam os gritos do povo SBT, mais do mesmo já te fez perder muito. É a hora de inovar e mostrar que aí dentro tem profissionais criativos e se não tem, poxa, é hora de sair em busca de novos que amem TV, que saibam um pouco de sua história e sejam pró-ativos. É a hora da TV parar de buscar administradores de empresas para comanda-las, pois, o administrador de uma boa padaria tem que saber a receita do pão e o básico para uma TV é que um diretor saiba, no mínimo, como a mesma funciona. Isso não tem acontecido nos últimos anos e a revolta dos telespectadores nos dão a certeza de que muito tem que ser melhorado não só no SBT, mas em todas as emissoras.

Com tudo, eu, Júnior Cardoso, sugiro para os diretores do SBT um balanço geral no horário. É a hora de trazer de volta o inovador “Aqui agora”. Um jornal que mostre para o povo o que ele quer ver e não apenas só um assunto. Ressuscitem não só o nome, mas sim o programa todo. A sua ideia, a sua força e seu potencial.
É a hora, e ai? Vai desperdiçar de novo?

Diretor, editor chefe e jornalista do PIRANOT. Começou a trabalhar em 2007, aos 14 anos, quando lançou seu primeiro blog na internet. Em 2011, criou o PIRANOT e fez parte, por três anos, de um programa da extinta TV Beira Rio. Estudou jornalismo na UNIMEP e assessoria de imprensa no SENAC. Fez estágio na Câmara de Vereadores e teve passagens por duas rádios de Piracicaba.

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