Ronaldo Moschini: “amo ser médico, amo ser vereador e amo a população”

Ronaldo Moschini da Silva nasceu em Piracicaba, em 8 de abril de 1962. Formou-se em Medicina pela Universidade Sul Fluminense no ano de 1986; posteriormente, fez residência médica no Hospital Umberto Primo São Paulo e na Escola Paulista de Medicina. Com especialidade em ginecologia obstetrícia, é médico no município há quase 30 anos. Além da carreira de médico, decidiu se tornar também vereador em Piracicaba. Confira abaixo a entrevista que Moschini concedeu ao jornalista Rafael Fioravanti, do Jornal PIRANOT.

Foto: Wagner Romano / Jornal PIRANOT

O senhor se formou em medicina no ano de 1986. São mais de três décadas voltadas à área da saúde. Conte de forma breve um pouco da sua trajetória até aqui.
Nasci aqui em Piracicaba e continuo residindo aqui no município. Vivi em Piracicaba por todo meu tempo, tendo frequentado as escolas Barão do Rio Branco no primário, e Sud Menucci e Mello Morais no ginásio. Posteriormente, fiz cursinho de medicina e fui embora para o Rio de Janeiro, onde cursei a Faculdade Sul Fluminense. Me graduei lá. Depois acabei indo para São Paulo, onde fiz a residência médica. Como meus pais ainda moravam aqui em Piracicaba, acabei tendo uma facilidade maior em vir para cá exercer a função. Acredito que o sonho de todo médico é voltar à cidade natal para exercer. Quando retornei a Piracicaba, no início dos anos 90, fazia plantões no antigo Pronto Socorro do Teatro Municipal. Mais tarde, ingressei como ginecologista obstetra no Hospital dos Fornecedores de Cana (HFC), primeiro local onde trabalhei. Um ano depois também fui aceito na Unimed.

Onde foi o seu primeiro consultório?
Meu primeiro consultório foi no terceiro andar do Edifício Avenida, localizado na Avenida Independência, bairro Alto. Como meus pais tinham uma casa na Avenida Independência, onde morei por toda a minha infância, acabei fazendo meu primeiro consultório lá pelo fato da casa estar vaga. Meu pai fez uma proposta para mim e pediu para que eu reformasse a casa e montasse minha clínica ali. Aceitei a proposta e comecei a reformar o imóvel, a fachada foi toda modificada. Ao término da reforma, saí do Edifício Avenida e montei minha clínica ginecológica obstetra na casa. Estou lá até hoje, a casa está no número 571 da Avenida Independência.

E como vereador?
Estou atualmente no meu segundo mandato. Já fui segundo secretário da Câmara de Vereadores, além de vice-presidente. Agora decidi sair da mesa e voltar à função única de vereador.

Nesses anos todos, qual foi o ponto mais emocionante da sua carreira como médico?
Eu sempre tive cargos representativos nos lugares em que passei, seja como coordenador, diretor ou supervisor. Na faculdade, fiz parte da Comissão de Formatura; na residência médica, fui representante dos residentes; e na carreira, fui convidado para ser coordenador dos médicos, além de ter passado pela diretoria técnica e fiscal da Unimed durante o governo de Antonio Geraldo Buck. Em suma, sempre fui representante. Além disso, as minhas pacientes viam em mim um potencial a mais. Muitas inclusive chegaram a falar: “pô, o senhor gosta tanto de ajudar as pessoas, está sempre ligado à parte assistencial, por que o senhor não sai candidato?” E eu sempre respondi que um dia colocaria o meu nome para aprovação pública. Conforme o tempo foi passando, eu achei que seria bom unir o papel de vereador à minha função de médico. Hoje posso dizer que o fato de ser médico me ajuda como vereador, e o fato de ser vereador também me ajuda como médico. Desenvolvo uma medicina mais humanitária e meu mandato é pautado nisso.

Quais são as principais reivindicações das pessoas que o procuram?
Tive várias! A maioria delas voltada à área da saúde.

Como vereador, qual projeto de sua autoria o senhor julga mais benéfico à sociedade piracicabana?
São vários projetos aprovados e de grande importância. Temos, por exemplo, o “Dia Municipal de Conscientização e Prevenção da Depressão Infantil e na Adolescência”. Temos a “Semana Municipal de Prevenção de Acidentes Domésticos”. Temos a Lei 8.222 que determina o provimento de alimentação escolar adequada a crianças de condição de saúde específica. Temos o “Dia Mundial de Reanimação Cardiopulmonar”, Lei 8.704, onde realizamos treinamentos da população de Piracicaba em dois lugares distintos do município. É interessante porque trazemos bonecos e a população participa, aprendendo várias coisas, entre elas a fazer uma reanimação cardiopulmonar. Como trabalho no Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), sei que somos chamados várias vezes a lugares onde as pessoas precisam dessa reanimação. E o problema é que tanto os familiares quanto os vizinhos desconhecem a prática da reanimação cardiopulmonar. São leigos. Eu parto do pressuposto que esses leigos podem ser treinados. Aprendendo isso, eles já podem ir realizando essa manobra a alguém que necessita enquanto a ambulância do Samu não chega no local. Essa prática é importantíssima, pois aumenta a chance de sobrevida de um paciente em seis vezes por minuto. Agora queremos levar esse projeto também às escolas do município, por meio da Secretaria da Educação.

Foto: Wagner Romano / Jornal PIRANOT

Qual é a maior dificuldade que o senhor sente estando na Câmara?
Hoje somos muito engessados perante a legislação, pois muitos projetos não passam na CLJR (Comissão de Legislação, Justiça e Redação). Tudo que é ingerência ao Executivo é inconstitucional, da mesma forma que tudo que gera ônus ao município também acaba sendo inconstitucional. Então fica difícil. Muitos projetos que já elaboramos acabavam sendo indeferidos, pois gerava ônus ou se tratava de ingerência. Temos uma grande preocupação com isso para que os projetos sejam aprovados.

O senhor se sente feliz como vereador?
Me sinto feliz, porque, através das nossas proposituras, conseguimos levar algo de melhor à população. É lógico que nem sempre somos atendidos em relação a tudo que solicitamos, mas nesses casos, nós ainda dispomos de um modo político de se legislar, que é por meio de requerimento. Assim, o prefeito fica nos devendo uma resposta dentro do tempo regimental. Aí analisamos se a resposta é ou não satisfatória; se não for, cabe a nós solicitarmos novamente. Eu vejo que os vereadores deste mandato são pessoas que trabalham e que estão na rua, são vereadores próximos à população. Claro que há formas diferentes de trabalhar, mas vejo que todos os vereados estão trabalhando e mantêm sua abrangência.

Como o senhor avalia o prefeito Barjas Negri?
Temos um prefeito que é um grande homem público, ele inclusive já deixou seu nome marcado em mandatos anteriores. Temos a honra também de tê-lo como ex-ministro da Saúde. Barjas é um homem que já foi aluno de nossa Unicamp e que sempre atuou em Piracicaba. Eu o chamo de doutor Barjas Negri, até porque ele tem doutorado e só é doutor quem tem doutorado. Eu sempre brinco dizendo que se não fosse ele na Prefeitura, hoje não estaríamos andando de carro em Piracicaba. O número de veículos está aumentando demais e se não fosse as novas pontes e as novas avenidas, hoje nós teríamos uma situação muito complicada aqui no município. Isso sem falar de outras coisas que ele já desenvolveu e fez. Barjas é um grande homem público, um homem de obras.

Então o senhor avalia de forma positiva o governo Barjas Negri?
Sim, faço parte da base governista. Sou um apoiador do governo municipal, assim como acho que todos os vereadores devem ser. Nós queremos que o prefeito faça o melhor governo possível e que atue em prol da população da cidade onde ele atua. Aquilo que for de bom para os munícipes estarei sempre fazendo, votando e apoiando. Eu voto de acordo com a minha consciência. Sou um homem de boa-fé, jamais na vida faria algo de ruim a alguém.

Certo, mas um problema que muito tem causado barulho aqui em Piracicaba é a constante falta de água que o município enfrenta. Somado a isso, a não instauração da CPI do Semae enfureceu demais os piracicabanos: no caso, 12 vereadores votaram contra a CPI, e apenas dez votaram a favor. Como o senhor analisa essa questão?
Eu sempre achei que deveríamos dar às pessoas o devido respeito e a oportunidade de elas se defenderem, argumentarem e mostrarem. Existia uma audiência pública agendada para falar sobre o Semae na Câmara de Vereadores de Piracicaba. Na minha fé maior, ou talvez na minha santa ignorância, achei que se fosse entrado com o projeto da CPI, ele seria votado só após a audiência pública. Também foi feito um requerimento ao presidente do Semae, José Rubens Françoso, para que ele viesse à Câmara, ocupasse uma reserva do expediente e falasse sobre a falta d’água no município. Ele veio e o que me estranhou foi que muitos vereadores subiram à tribuna para tecer grandes elogios a ele. José Rubens Françoso é uma pessoa pela qual eu tenho grande estima, até porque ele sempre se manteve próximo a todos os vereadores. Ele é um dos únicos secretários que vem à Câmara e entra em todos os gabinetes para ver a demanda de cada vereador, eu nunca vi nenhum outro presidente do Semae fazer isso. Todas as solicitações que temos, nós encaminhamos a ele e ele retorna muito rapidamente para saber o que está acontecendo. E embora ele estivesse sendo elogiado pelos vereadores que subiam à tribuna, sabíamos que temos problemas no Semae. A pessoa pode ser maravilhosa, mas, do ponto de vista administrativo, às vezes pode ser que algo não esteja a contento. Por exemplo, eu posso ser um médico com grande vontade de acertar, mas, às vezes, também acabo enfrentando problemas; e quero ser questionado pelos meus problemas porque quero acertar. E José Rubens Françoso é uma dessas pessoas que tem vontade de fazer nome no Semae. Eu gostaria que a CPI fosse votada depois da audiência pública e depois da reserva do expediente, até porque na audiência os problemas já seriam discutidos; quanto à reserva do expediente, mesma coisa. Ele foi à Câmara e disse que não falta água aqui em Piracicaba. Disse que às vezes ocorrem problemas e que há a necessidade de fechamento de adutoras para que os consertos sejam feitos. E como a votação veio antes da audiência pública, eu assumi que votaria contrário. Votei contrário, pois queria fazer questionamentos durante a audiência para ver se esses questionamentos me satisfariam ou não. Se eu não ficasse satisfeito, logicamente aí votaria favorável à CPI. No meu ponto de vista, na minha opinião particular, a audiência pública tinha que ser aguardada. Como foi votado antes, fui à tribuna e tornei público que estava votando contra a CPI, pois sigo o seguinte princípio: “dê às pessoas o direito de elas se justificarem, falarem, se defenderem e aprenda a ouvir.” Achava que tínhamos que aguardar a audiência pública.

Por fim, quais são as suas considerações finais?
Sou um vereador alegre, feliz e contente. Eu amo o que faço, amo ser médico, amo ser vereador e amo também a população. Gosto das pessoas, sou de boa-fé, sou da paz, sou do bem e quero cada vez mais me dedicar àqueles que precisam: a população. Acho que o prefeito tem um compromisso grande de atuar com a realização de seus atos, que é executar. A nós, vereadores, cabe a tarefa de fiscalizar, legislar, criar leis e atuar próximo ao Executivo. Quanto ao Judiciário, deixe ele que julgue quem estiver fazendo algo errado. Com certeza, todo mundo está querendo acertar.

Foto: Wagner Romano / Jornal PIRANOT
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