Após morte de representante de vendas, hipermercado cobre corpo com guardas-sóis e continua aberto

Tapumes, caixas de papelão e engradados de cerveja também foram colocados para isolar cadáver. Homem atuava como representante de vendas de uma empresa fornecedora e não era funcionário do Carrefour

Um representante de vendas morreu durante o expediente em uma loja da rede Carrefour no Recife, mas o hipermercado continuou a funcionar normalmente. A solução encontrada? Encobrir o corpo com guarda-sóis, tapumes e fardos de cerveja.

Uma foto do homem morto e coberto no Carrefour
Foto: Renato Barbosa/WhatsApp

O episódio ocorreu na última sexta-feira (14), na unidade da rede no bairro da Torre, na capital de Pernambuco, mas se tornou público a partir desta terça-feira (18), quando críticas à atuação da rede passaram a ser publicadas em redes sociais. O Carrefour, que identificou o prestador de serviços como Moisés Santos, pediu desculpas pela forma como tratou a morte.

Funcionário de uma empresa de alimentos fornecedora da rede – ou seja, não era contratado direto do Carrefour -, a vítima morreu após sofrer uma parada cardíaca enquanto trabalhava no local.

O corpo foi deixado próximo ao setor de bebidas, sob guardas-sóis verdes, que foram abertos para encobri-lo, e cercado por tapumes e pilhas de produtos à venda, como fardos de cerveja.

Além do cercado improvisado, uma fita amarela e preta também foi passada no local, cenário que foi mantido por mais de três horas, até a chegada da equipe do IML (Instituto Médico Legal), que fez a remoção. O corpo foi enterrado no sábado (15).

De acordo com o Carrefour, a rede errou ao não fechar a loja imediatamente.

“O Carrefour pede desculpas em relação à forma inadequada que tratou o triste e inesperado falecimento do sr. Moisés Santos, vítima de um ataque cardíaco, na loja do Recife. A empresa errou ao não fechar a loja imediatamente após o ocorrido à espera do serviço funerário, bem como não encontrou a forma correta de proteger o corpo”, diz trecho de comunicado do Carrefour.

O episódio é o segundo a ter forte repercussão em redes sociais envolvendo a rede varejista. Em 2018, a morte da cadela Manchinha, vítima de agressão em uma loja do Carrefour em Osasco (Grande São Paulo), gerou protestos em frente à loja e uma investigação policial.

O Carrefour informou, por meio de sua assessoria, que prestou todos os atendimentos necessários para socorrer o representante de vendas.

“Assim que o promotor de vendas começou a passar mal, fizemos os primeiros socorros e acionamos o SAMU [Serviço de Atendimento Móvel de Urgência], seguindo todos os protocolos para realizar o socorro rapidamente. Após o falecimento, seguimos a orientação de não retirar o corpo do local”, diz a rede.

Ainda conforme o Carrefour, o episódio provocou mudanças nas orientações aos seus colaboradores para situações como essa, tidas como “raras”. Entre elas está a obrigatoriedade do fechamento da loja, “com objetivo de trazer mais sensibilidade e respeito ao conduzir fatalidades”.

“Continuaremos em contato com a família do sr. Moisés para apoiá-los no que for necessário e nos solidarizamos com o momento tão difícil”, diz a rede.

Uma foto de Manoel Moisés Cavalcante que tinha 59 anos e atuava como promotor de vendas
Manoel Moisés Cavalcante tinha 59 anos e atuava como promotor de vendas – Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal
Informar Erro
Leia também