domingo, julho 5
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Andrey Moral
Entrevista PIRANOT

Andrey Moral

Jornalista formado pela Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep), estagiou como fotógrafo e jornalista na Câmara de Vereadores de Piracicaba.

Colunas

“O XV sobe mais um degrau rumo à profissionalização”, afirma Matheus Bonassi, presidente do XV de Piracicaba sobre a SAF

Presidente do Alvinegro fala da aprovação da SAF, da recuperação judicial, do fortalecimento da base e do resgate da torcida quinzista

Por Andrey Moral · · 8 min de leitura
Entrevistado

Matheus Bonassi Semmler

Presidente · XV de Piracicaba

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Eleito no final de outubro de 2024 pela chapa “Glorioso Esquadrão” com 92% dos votos dos conselheiros, Matheus Bonassi Semmler assumiu a liderança executiva do Alvinegro Piracicabano (Nhô Quim) para o biênio de 2024 a 2026. Bonassi possui uma ligação vitalícia com o XV de Piracicaba, transitando desde a arquibancada até a gestão máxima.

Fundado em 1913, o XV de Piracicaba — o Alvinegro que a torcida chama de Nhô Quim — é um dos clubes mais tradicionais do interior paulista. Bonassi chegou jovem ao poder: foi o mais novo conselheiro eleito na história do clube, passou pela diretoria de base entre 2012 e 2013, coordenou projetos de formação até 2018 e fundou a torcida Super Raça Quinzista. Assumiu a gestão repetindo uma palavra como mantra — profissionalização — em plena recuperação judicial e logo após o título da Copa Paulista, que devolveu o Nhô Quim ao calendário nacional. Em conversa com o PIRANOT, ele falou dos planos, das contas e da torcida.

Modernização, contas e o acesso

Como você avalia o atual momento do XV de Piracicaba dentro e fora de campo?

Bonassi — “Quando nós assumimos o XV, eu e o Guilherme, juntamente com toda a diretoria, dissemos que faríamos algo que nunca havia sido feito na história do clube: promover uma modernização, uma evolução e uma profissionalização. E isso vem se mostrando tanto dentro quanto fora de campo. Fora de campo, conseguimos equalizar as dívidas por meio da recuperação judicial, além de aumentar as receitas. Como consequência, o resultado aparece dentro de campo. A conquista da permanência do XV no Campeonato Brasileiro garante, no mínimo, a disputa da Série D no próximo ano. Mas vamos seguir firmes em busca do acesso à Série C.”

Quais são os principais projetos da diretoria para fortalecer o clube nos próximos anos?

Bonassi — “A questão de equalizar as contas, receitas, dívidas, fazer a modernização em todos os setores, principalmente departamento médico, fisioterapia, a busca do certificado do clube formador, para fortalecer ainda mais as categorias de formação, esses são os grandes projetos que nós temos.”

O acesso e o retorno às divisões nacionais seguem como prioridade? Como está esse planejamento?

Bonassi — “Sem dúvida. O importante é você estar disputando sempre o campeonato nacional. E essa permanência que nós estamos no último sábado é importantíssimo e sempre está dentro do calendário nacional.”

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Como o clube trabalha hoje para equilibrar competitividade esportiva e responsabilidade financeira?

Bonassi — “Nós temos que ter um fair play financeiro, não dá para sair gastando mais do que arrecada. Esse equilíbrio, que não é fácil no futebol, é o que nós buscamos, gastar o que você consegue arrecadar.”

“Não dá para sair gastando mais do que arrecada. Esse equilíbrio, que não é fácil no futebol, é o que nós buscamos.”

Matheus Bonassi

A torcida, o estádio e a base

A torcida do XV é uma das mais apaixonadas do interior paulista. Qual a importância desse apoio para o clube?

Bonassi — “Pra mim falar da torcida é fácil, né? Eu sou fundador de torcida, eu sou torcedor de arquibancada mesmo, caravana, né? E esse é o principal ativo do clube, é a sua apaixonada torcida. Quando ela vem e abraça mesmo de verdade, ela faz a diferença. Um exemplo foi no último jogo contra a América, que praticamente 5 mil torcedores apoiaram os 90 minutos e empurraram o XV para a classificação.”

Torcida do XV lotando as arquibancadas do estádio
A apaixonada torcida quinzista, que Bonassi define como o principal ativo do clube. Foto: Mariana Kasten/XV de Piracicaba

“Esse é o principal ativo do clube: a sua apaixonada torcida. Quando ela abraça de verdade, faz a diferença.”

Matheus Bonassi

Existem projetos para modernização do estádio Barão da Serra Negra ou melhorias na estrutura do clube?

Bonassi — “Eu tenho uma boa aproximação com o poder público, com o executivo E é do interesse da nossa prefeitura, sim, de fazer um projeto de concessão Para que possa ser transformado todo o complexo esportivo numa arena multiuso Enfim, a nossa prefeitura tem um projeto grandioso para o estádio.”

Como você vê o papel das categorias de base no futuro do XV de Piracicaba?

Bonassi — “O mais importante dentro do clube são as categorias de formação. Então a busca novamente do certificado do clube formador, o fortalecimento das nossas categorias de formação é muito importante. Hoje nós temos as categorias de base sub-15, sub-17 e sub-20, onde 80% são meninos de Piracicaba ou da nossa região. Então o papel da nossa cidade dentro das categorias de formação é importantíssimo também e nós estamos dando o maior respaldo possível para que a gente possa cada vez mais fortalecer a nossa categoria de formação.”

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O futebol mudou muito nos últimos anos. Quais os maiores desafios para um clube tradicional do interior se manter competitivo?

Bonassi — “É, o futebol está cada vez mais difícil, mais complicado, financeiramente, principalmente. O advento aí das SAFs, né, que trouxeram bastante investimentos e os clubes que não se modernizarem, que não conseguirem adequar a esse momento vão ter sérias dificuldades.”

A Lei nº 14.193, de 2021, criou no país a figura da Sociedade Anônima do Futebol e disparou uma corrida de clubes atrás de investidores e governança. Para agremiações do interior, longe dos cofres dos grandes centros, a SAF virou ao mesmo tempo tábua de salvação e teste de maturidade administrativa. É nesse tabuleiro que o XV aposta as próximas fichas.

Receitas, legado e a chegada da SAF

Há planos para ampliar parcerias, patrocinadores e investimentos no clube?

Bonassi — “Sim, dentro do que nós falamos de equalizar as receitas, é importantíssimo que a gente busque novas receitas, seja por patrocinadores, seja por planos de sócio, enfim, tem que trazer receitas para dentro do clube para poder equalizar essas contas.”

Qual foi o momento mais marcante da sua trajetória à frente do XV de Piracicaba até agora?

Bonassi — “Dentro de campo, sem dúvida, foi o título da Copa Paulista, né? E que garantiu a nossa participação no Campeonato Brasileiro da Série D de 26. E o resgate da torcida que foi nessa final. Nós vendemos todos os ingressos em 43 horas. Mas isso, quando nós assumimos, a gente falou que ia resgatar de novo toda essa essência da torcida, da cidade para dentro do XV. E aquela final foi incrível e exemplificou tudo isso que nós queríamos e buscávamos para o XV. E fora de campo foi o momento que nós tivemos a aprovação do plano da recuperação judicial. E é importantíssimo para a história do XV, isso é uma coisa que tem que ser feita em nós. Nós tivemos a coragem junto da nossa diretoria financeira, diretoria jurídica e administrativa e nós conseguimos esse grande feito para o XV de Piracicaba também.”

Foto: Mariana Kasten/XV de Piracicaba

Como o clube trabalha a aproximação com crianças e jovens torcedores da cidade?

Bonassi — “A quantidade de crianças e famílias que vêm pro estádio do XV é impressionante. Até a própria Federação Paulista, o pessoal comenta que a frequência das famílias no estádio nosso é muito grande. O XV é uma coisa que passa de pai pra filho. A gente ouve muito falando que lembrava que vinha com meu avô, que meu pai me trazia nos anos 50, 60. É uma coisa natural. Essa paixão do XV é desde criança mesmo. E o clube, através do marketing, estão sempre com ações para fortalecer cada vez mais esse vínculo.”

Agora com a aprovação da SAF, a projeção é de coisas cada vez melhores o clube? A SAF é o caminho atual para os clubes?

Bonassi — “Sim, porque o mais importante da SAF não é só os investimentos, o dinheiro que ela traz, e sim o sistema de gestão, onde tem uma governança, tem os procedimentos, a profissionalização, o fair play financeiro, então eu acredito que sim. O XV, através agora do conselho deliberativo, que aprovou a cessão das ações da SAF, para esse grupo de investidores, a gente sobe mais um degrau em busca dessa profissionalização e de um lugar de destaque dentro do futebol brasileiro.”

“O mais importante da SAF não é o dinheiro que ela traz, e sim o sistema de gestão. A gente sobe mais um degrau em busca da profissionalização.”

Matheus Bonassi

Que mensagem o senhor deixaria para a torcida quinzista sobre o futuro do XV de Piracicaba?

Bonassi — “Agradecer. Só tenho que agradecer a torcedora do XV, que quando ela é chamada, quando ela é convocada e ela vê que o trabalho é 15ista, ela vem e apoia. Então, a mensagem que eu deixo principalmente para os torcedores, que hoje o XV é feito por quinzistas para os quinzistas e do jeito que eles existem. Essa é a mensagem que eu deixo para o nosso torcedor e agradecer imensamente tudo o que eles fazem para o nosso time do coração.”

Análise do editor: Júnior CardosoO discurso de Bonassi gira em torno de uma só palavra, repetida em quase toda resposta: profissionalização. Não é retórica vazia — a permanência no Brasileiro, o título da Copa Paulista e a recuperação judicial equalizada dão lastro ao que ele fala. A gestão fez o mais difícil, que é botar a casa em ordem antes de sonhar.

O teste começa agora. Série D garantida é piso, não teto — e a aposta na SAF só se justifica se transformar governança em acesso à Série C. A leitura honesta é que o XV comprou tempo e método; falta comprar resultado. Se a torcida que lotou o Barão contra o América for mesmo o ativo que Bonassi descreve, o clube tem por onde crescer.

Foto: Mariana Kasten/XV de Piracicaba

 

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