20,5% foi o crescimento da população de Piracicaba entre 2010 e 2024, segundo Angelo Frias Neto. Para o empresário e engenheiro que fundou a Frias Neto Consultoria de Imóveis em 1989, esse dado ajuda a explicar a pressão por novos lançamentos, a demanda reprimida e a disputa por bairros que viraram referência no mercado imobiliário local.
Angelo Frias Neto é formado pela Escola Politécnica da USP, presidiu a ACIPI e construiu uma trajetória ligada a entidades empresariais e ao setor imobiliário. Em 2023, recebeu a distinção de “Lenda do Mercado Imobiliário” no Cupola Summit, evento nacional do segmento.
Na entrevista ao PIRANOT, ele fala sobre lançamentos represados, bairros valorizados, tecnologia, planejamento urbano, crédito imobiliário e o futuro de Piracicaba.

Mercado represado
Como o senhor avalia o atual mercado imobiliário em Piracicaba?
Angelo Frias Neto — “O mercado imobiliário de Piracicaba passou por um período de escassez de lançamentos entre 2021 e 2024, em razão da não aprovação de novos projetos pelo poder público. Com a nova administração municipal, esses projetos começam a ser liberados, o que gera a expectativa de lançamentos que estavam represados há aproximadamente cinco anos. Por outro lado, existe uma demanda habitacional significativa, considerando que a população do município cresceu cerca de 20,5% entre 2010 e 2024. Trata-se de um crescimento expressivo, que naturalmente aumenta a necessidade por novos domicílios. Dessa forma, acreditamos que haverá muitos lançamentos neste ano, apesar do impacto dos custos de contrapartida exigidos pela prefeitura. Ainda assim, estamos bastante otimistas quanto ao sucesso desses empreendimentos, uma vez que a demanda está reprimida.”
“Acreditamos que haverá muitos lançamentos neste ano.”
Angelo Frias Neto
Quais regiões da cidade mais cresceram e despertaram interesse de investidores nos últimos anos?
Angelo Frias Neto — “O valor do metro quadrado em Piracicaba, tanto de terrenos quanto de construções, apresentou aumento, porém ainda se mantém abaixo de outras cidades de porte semelhante. Entre os bairros mais procurados estão São Dimas, Bairro Alto, Nova Piracicaba e Água Branca. Destacam-se também os loteamentos fechados, que se tornaram referências na cidade, como Alphaville, Villa D’Aquila, Vila Bela Vista, Monte Alegre, Morada do Engenho e Reserva do Engenho, entre outros. No segmento comercial, os principais corredores são a Avenida Carlos Botelho e travessias, Avenida Saldanha Marinho, Avenida Dois Córregos, Rua do Rosário na região da Paulista.”
Piracicaba vive hoje um bom momento para comprar imóveis? Por quê?
Angelo Frias Neto — “Sem dúvida. Piracicaba reúne características muito positivas para quem deseja comprar um imóvel, seja para morar ou investir. A cidade apresenta crescimento econômico consistente, geração de empregos, expansão industrial e uma demanda imobiliária saudável. Os estudos do Secovi-SP mostram que o mercado local mantém um ritmo constante de comercialização. Além disso, a valorização imobiliária acompanha o desenvolvimento da cidade, tornando este um momento bastante favorável para a compra.”
Crédito, tecnologia e novo comprador
O mercado imobiliário depende de renda, crédito, planejamento e confiança. Quando os juros sobem, a decisão de compra fica mais lenta. Quando a cidade cresce sem oferta suficiente, a pressão aparece no preço, no aluguel e na busca por novos bairros.
Quais são os principais desafios enfrentados pelo setor imobiliário atualmente?
Angelo Frias Neto — “O principal desafio continua sendo o cenário econômico e político, especialmente em relação aos juros e ao crédito imobiliário. Quando o custo do financiamento aumenta, parte dos compradores adia sua decisão. Outro desafio importante é acompanhar a velocidade das transformações urbanas e as novas demandas dos consumidores, que estão cada vez mais exigentes em relação à localização, infraestrutura, tecnologia e sustentabilidade dos empreendimentos.”
Como a tecnologia e as plataformas digitais mudaram a forma de vender e alugar imóveis?
Angelo Frias Neto — “A tecnologia revolucionou o mercado imobiliário. Hoje, grande parte da jornada do cliente acontece no ambiente digital. O comprador pesquisa, compara imóveis, realiza visitas virtuais e chega muito mais informado ao atendimento presencial. Isso trouxe mais agilidade, transparência e eficiência para os processos de compra, venda e locação. No entanto, o fator humano continua sendo fundamental, principalmente em uma decisão tão importante quanto a aquisição de um imóvel.”
“O fator humano continua sendo fundamental.”
Angelo Frias Neto
O perfil dos compradores mudou nos últimos anos? O que as pessoas mais procuram hoje?
Angelo Frias Neto — “Mudou bastante. Hoje observamos um consumidor mais informado, conectado e criterioso. Há uma busca crescente por imóveis que ofereçam qualidade de vida, segurança, áreas de convivência, espaços para home office e boa localização. Também percebemos um interesse maior por condomínios planejados e por empreendimentos que facilitem a rotina das famílias. No segmento vertical, os apartamentos de dois dormitórios continuam entre os mais procurados em Piracicaba.”
A cidade e a indústria
Qual a importância do planejamento urbano para o crescimento imobiliário de Piracicaba?
Angelo Frias Neto — “O planejamento urbano é essencial para garantir um crescimento organizado e sustentável. Uma cidade que planeja adequadamente sua expansão consegue atrair investimentos, preservar a qualidade de vida e oferecer infraestrutura adequada para seus moradores. O desenvolvimento imobiliário precisa caminhar junto com mobilidade, saneamento, áreas verdes, serviços públicos e geração de empregos. Piracicaba tem avançado nesse sentido e isso contribui diretamente para sua valorização.”

Como o senhor vê o impacto da chegada de grandes empresas e indústrias no mercado imobiliário da cidade?
Angelo Frias Neto — “O impacto é extremamente positivo. Grandes empresas geram empregos, atraem profissionais qualificados e movimentam toda a economia local. Isso cria demanda por moradia, imóveis comerciais, galpões logísticos e serviços. Empresas como Hyundai, Raízen, Caterpillar e Klabin ajudaram a consolidar Piracicaba como um dos principais polos econômicos do interior paulista. O resultado é um mercado imobiliário mais dinâmico e com perspectivas muito promissoras para os próximos anos. Não podemos esquecer das empresas de tecnologia do agronegócio.”
Primeiro imóvel e sustentabilidade
Quais dicas o senhor daria para quem deseja comprar o primeiro imóvel?
Angelo Frias Neto — “A primeira dica é planejar-se financeiramente e entender exatamente qual é a sua capacidade de investimento. A compra do primeiro imóvel é uma das decisões mais importantes da vida e deve ser feita com segurança e visão de longo prazo. É fundamental avaliar a localização, a logística do comprador e a proximidade de pontos de interesse, como trabalho, escola, lazer, clubes e igrejas. Também devem entrar na análise o potencial de valorização da região, a qualidade construtiva do empreendimento e as condições de financiamento. Outro ponto essencial é contar com a orientação de profissionais experientes. Muitas vezes, um bom atendimento faz toda a diferença para evitar erros e identificar as melhores oportunidades. Na Frias Neto, por exemplo, acompanhamos diariamente clientes que estão realizando esse sonho pela primeira vez, oferecendo suporte desde a escolha do imóvel até a conclusão da negociação.”
Existe hoje uma valorização maior por imóveis sustentáveis e condomínios modernos?
Angelo Frias Neto — “Sim. A sustentabilidade deixou de ser um diferencial e passou a ser um atributo muito valorizado pelos compradores. Soluções como energia solar, reaproveitamento de água, iluminação eficiente e áreas verdes agregam valor ao empreendimento. Da mesma forma, condomínios modernos, que oferecem lazer, segurança, conectividade e praticidade, atendem às expectativas das novas gerações e tendem a apresentar maior valorização ao longo do tempo.”
Trajetória e futuro
Ao longo da sua trajetória no setor imobiliário, qual foi o momento mais marcante da carreira?
Angelo Frias Neto — “É difícil apontar apenas um momento, porque foram décadas acompanhando a transformação de Piracicaba. Mas acredito que um dos maiores orgulhos seja ter participado ativamente do desenvolvimento da cidade e visto inúmeras famílias realizarem o sonho da casa própria, além de acompanhar empresas em seus projetos. Também é extremamente gratificante acompanhar o crescimento da Frias Neto e sua consolidação como referência regional.”
Que futuro o senhor enxerga para Piracicaba nos próximos anos em relação ao desenvolvimento urbano e imobiliário?
Angelo Frias Neto — “Vejo um futuro muito promissor. Piracicaba possui uma economia diversificada, universidades de excelência, localização estratégica e uma forte capacidade de atração de investimentos associados à qualidade de vida e segurança. A tendência é que a cidade continue crescendo de forma consistente, ampliando sua infraestrutura e fortalecendo sua posição como um dos principais polos do interior paulista. Esse cenário naturalmente impulsiona o mercado imobiliário e cria oportunidades em diversos segmentos.”
“Vejo um futuro muito promissor.”
Angelo Frias Neto
A que se deve todo esse grande sucesso da Frias Neto?
Angelo Frias Neto — “O sucesso da Frias Neto é resultado de uma construção que atravessa gerações. Nossa trajetória sempre foi pautada pela credibilidade, ética, profissionalismo e profundo conhecimento do mercado. Temos uma equipe altamente qualificada, investimos constantemente em inovação e na formação de colaboradores, e buscamos entender as necessidades de cada cliente. Mais do que vender imóveis, nosso compromisso sempre foi construir relacionamentos de confiança. Acredito que esse seja o principal motivo pelo qual a Frias Neto se tornou uma referência no mercado imobiliário de Piracicaba e região.”

Análise do editor: Júnior Cardoso
Angelo Frias Neto fala como alguém que olha o mercado por dentro, mas também como personagem de uma transformação urbana que Piracicaba ainda tenta organizar. O dado de crescimento populacional ajuda a sustentar a tese central da entrevista: existe demanda. A pergunta que fica é se a cidade terá velocidade, infraestrutura e critério para absorver essa pressão sem apenas transferir custo ao comprador.
A fala sobre projetos represados e contrapartidas municipais merece atenção. Ela aponta para um conflito clássico: o poder público precisa ordenar o crescimento; o mercado quer previsibilidade para investir. Quando essa equação demora demais, o preço final aparece em outro lugar.
O valor da entrevista está menos na promoção do setor e mais no diagnóstico de bastidor. Piracicaba tem indústria, renda, universidade, localização e demanda. Falta transformar esse conjunto em planejamento urbano que não dependa apenas do fôlego de empreendedores ou do improviso de cada gestão.
