O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) venceria o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em uma simulação de segundo turno para as eleições de 2026, segundo pesquisa do instituto Gerp divulgada nesta terça-feira (9). O parlamentar alcança 44,7% das intenções de voto, contra 39,1% do petista. O cenário traz, porém, um freio para os dois: 48% dos eleitores dizem que não votariam em Lula de jeito nenhum, e 42% rejeitam Flávio Bolsonaro.
Para medir a rejeição, o instituto perguntou em quais candidatos o eleitor não votaria “de jeito nenhum”. Além dos dois líderes, Cabo Daciolo e o governador Romeu Zema (Novo-MG) empatam na terceira posição, com 9% cada. A rejeição pessoal elevada expõe a fragilidade de ambas as candidaturas e sinaliza que o eleitorado ainda não consolidou uma alternativa viável para 2026.
Na avaliação do governo federal, 52% desaprovam a gestão Lula e 40% aprovam. O desgaste administrativo somado à rejeição pessoal do petista indica que a candidatura à reeleição enfrenta resistência que vai além da insatisfação momentânea. Do outro lado, o bolsonarismo também não consegue monopolizar a insatisfação: apesar da vantagem numérica no segundo turno, Flávio Bolsonaro carrega índice de rejeição próximo ao do adversário, o que limita sua capacidade de expansão eleitoral.
O resultado da Gerp diverge de outras pesquisas recentes e reforça que a corrida ainda está fluida a 16 meses da eleição. Em 13 de maio, levantamento do instituto Quaest apontou empate técnico entre Lula e Flávio no segundo turno, com 42% a 41%. Outro estudo, divulgado em 30 de maio pelo PoderData, também indicou empate técnico entre os dois. A discrepância entre os levantamentos mostra que o cenário depende de fatores ainda voláteis, como a evolução da economia e o desempenho de governos estaduais aliados.
Regionalmente, os números oscilam. No Espírito Santo, pesquisa do instituto RealTime Big Data divulgada nesta terça-feira aponta Flávio Bolsonaro com 48% e Lula com 43% em simulação de segundo turno no Estado. A vantagem reforça a força do nome bolsonarista no Sudeste, embora o dado não possa ser projetado para o país.
O instituto Gerp não divulgou margem de erro, nível de confiança nem registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o que exige cautela na interpretação dos dados. A ausência de informações metodológicas impede comparar o rigor deste levantamento com o de concorrentes como Quaest e AtlasIntel.
Mesmo assim, o cenário indica que a eleição de 2026 tende a se concentrar num embate polarizado, com ambos os lados forçados a buscar alianças de centro para diluir a rejeição e ampliar a base eleitoral. Sem conquistar espaço entre os eleitores moderados, nem Lula nem Flávio Bolsonaro conseguirão transformar a vantagem numérica em vitória garantida no primeiro turno — ou evitar um segundo turno apertado.











