Quando se fala em McDonald’s, a primeira imagem que vem à mente são hambúrgueres, batatas fritas e refrigerantes. Mas, como revela o filme Fome de Poder (The Founder, 2016), estrelado por Michael Keaton, o verdadeiro segredo por trás da ascensão da rede não está no lanche — e sim no mercado imobiliário.
Na década de 1950, os irmãos Richard e Maurice McDonald criaram um modelo de restaurante inovador, baseado na rapidez e padronização. A ideia chamou a atenção do vendedor Ray Kroc, que viu no negócio algo muito maior. A visão de Kroc não estava apenas em vender sanduíches, mas em controlar os terrenos onde cada restaurante seria construído.
Foi então que surgiu a sacada: em vez de depender dos royalties de franquia — baixos e instáveis —, Kroc fundou uma empresa paralela para comprar os terrenos e alugá-los aos franqueados. Com isso, cada novo restaurante não apenas vendia comida, mas também pagava aluguel à corporação. O lucro vinha de duas frentes: a operação dos lanches e, principalmente, a valorização imobiliária.
Hoje, mais de meio século depois, o McDonald’s é dono de milhares de imóveis ao redor do mundo, localizados em pontos comerciais estratégicos. Analistas destacam que boa parte da fortuna e solidez da marca vem justamente desse modelo híbrido, que garante fluxo de caixa contínuo, mesmo quando as vendas de hambúrgueres enfrentam oscilações.
O caso do McDonald’s é frequentemente citado em escolas de negócios como exemplo de visão estratégica. Se para os clientes o apelo está no Big Mac ou no McChicken, para os investidores o verdadeiro “combo de ouro” sempre esteve nos contratos de aluguel e na expansão imobiliária.
Como disse Harry Sonneborn, primeiro presidente da McDonald’s Corporation e braço direito de Kroc:
“Nós não estamos no ramo de hambúrgueres. Nosso negócio é imóveis. Os hambúrgueres são só o que fazemos enquanto estamos no setor imobiliário.”