sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Depois de 23 anos, Grupo Globo compra apenas 52 jogos da Copa de 2026; emissora “abre mão” da internet e da exclusividade na TV

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Após mais de duas décadas com os direitos praticamente exclusivos da Copa do Mundo, o Grupo Globo não será mais o único responsável pela transmissão do maior evento esportivo do planeta no Brasil. Para a edição de 2026, que será disputada nos Estados Unidos, México e Canadá, a emissora fechou contrato para exibir 52 partidas, pouco menos da metade dos 104 confrontos do torneio.

Dessa vez, a Globo optou por abrir mão da exclusividade em TV aberta e também deixou de adquirir os direitos digitais, que foram vendidos à plataforma CazéTV, comandada pelo streamer Casimiro Miguel. Pela internet, o canal anunciou que transmitirá todos os 104 jogos do Mundial gratuitamente pelo YouTube e Twitch, ampliando a disputa pela audiência.

Além da Globo, o SBT também comprou parte do pacote e exibirá jogos em sua programação aberta, em acordo fechado com a LiveMode, agência responsável pela comercialização dos direitos da FIFA no Brasil. O número de partidas que caberá ao SBT ainda não foi detalhado oficialmente.

Fim de uma era

A decisão da Globo representa o fim de um ciclo iniciado em 2002, na Copa da Coreia do Sul e do Japão, quando a emissora passou a deter todos os direitos de transmissão: TV aberta, SporTV (TV por assinatura), rádio e internet. Desde então, até o Mundial do Catar em 2022, todos os jogos eram transmitidos em exclusividade pelo grupo, seja na TV, no streaming do Globoplay ou no portal GE.

Durante esse período, concorrentes como o SBT e a Band, que haviam dividido transmissões até 1998, ficaram de fora. A exclusividade da Globo se transformou em um dos maiores símbolos de seu poderio no mercado esportivo.

Novo cenário midiático

Com a entrada da CazéTV e a volta do SBT ao cenário, a Copa do Mundo de 2026 inaugura um modelo inédito e fragmentado de transmissão no Brasil. A Globo terá prioridade sobre os jogos da seleção brasileira, além da abertura e da final, mas precisará dividir espaço com outras telas e concorrentes diretos.

O movimento reflete também a pressão do mercado publicitário, os custos elevados dos direitos da FIFA e a transformação do consumo esportivo, com as plataformas digitais ganhando força entre os torcedores.

Histórico

  • Até 1998 – Globo, SBT, Band e Manchete dividiram transmissões.

  • 2002 a 2022 – Globo teve pacote completo e exclusivo (TV, rádio e internet).

  • 2026 – Globo terá apenas 52 jogos na TV aberta, o SBT volta ao cenário e a CazéTV garante todos os 104 jogos online, marcando o fim da exclusividade global.