sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026
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Com nome escolhido, Leão XIV posiciona Igreja Católica na defesa dos trabalhadores, paz e doutrina firme, além de obras sociais

Por Júnior Cardoso
08/05/2025 às 15:16
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Foto: Divulgação

Com a escolha do nome Leão XIV, o novo Papa recém-eleito, o norte-americano Robert Prevost, não apenas assume o cargo mais alto da Igreja Católica, mas também posiciona sua liderança dentro de uma linhagem histórica marcada por firmeza doutrinária, defesa dos mais pobres e reformas sociais profundas. O novo pontífice, que inicia oficialmente seu papado nesta quinta-feira, 8 de maio, faz referência direta a treze líderes da Igreja que o precederam com esse nome — cada um deles com relevância significativa nos rumos do catolicismo.

O mais lembrado entre os antecessores é Leão XIII, conhecido por sua encíclica “Rerum Novarum”, publicada em 1891. O documento é considerado a base da Doutrina Social da Igreja, em defesa dos direitos dos trabalhadores em meio à Revolução Industrial. Leão XIII não foi anticapitalista, mas denunciava com veemência os abusos do sistema e pedia equilíbrio entre capital e trabalho, estabelecendo a ideia de que o Estado deve ter um papel moderador nas relações econômicas.

Ao retomar esse nome e sua herança, o Papa Leão XIV parece indicar um caminho semelhante: manter o olhar franciscano sobre a desigualdade, a ecologia e a justiça social, sem romper com a tradição, mas atualizando a ação pastoral da Igreja para o século XXI. O novo papa é franciscano e próximo do estilo do Papa Francisco, de quem deve herdar tanto o tom pastoral quanto a valorização das periferias, dos povos excluídos e da simplicidade evangélica.

A história dos papas Leão remonta ao século V. O primeiro deles, Leão I, mais conhecido como Leão Magno (440–461), foi proclamado Doutor da Igreja e exerceu forte liderança tanto espiritual quanto política, inclusive convencendo Átila, o Huno, a poupar Roma de uma invasão. Já Leão III (795–816) teve papel importante na restauração do Império Carolíngio ao coroar Carlos Magno como imperador. Leão X (1513–1521), no entanto, marcou o período de crise da Igreja pré-Reforma, envolvido em polêmicas sobre indulgências.

Agora, o Leão XIV assume o posto num contexto desafiador: tensões geopolíticas, crescimento do conservadorismo, crise de vocações e perda de influência institucional em várias partes do mundo. Ao mesmo tempo, a Igreja vive um momento de transição rumo a uma comunicação mais digital, aberta e sintonizada com os problemas concretos das pessoas.

O simbolismo do nome “Leão” – força, coragem e liderança – associado à tradição franciscana, reforça a expectativa de que o novo pontífice terá uma atuação firme, mas sensível, frente aos dilemas globais. Assim como Leão XIII defendeu os trabalhadores do século XIX, Leão XIV pode vir a ser lembrado por dialogar com os dilemas do trabalho contemporâneo, da tecnologia, das guerras e da crise ambiental.

Sobre o Autor

Júnior Cardoso

Diretor, editor chefe e jornalista do PIRANOT. Começou a trabalhar em 2007, aos 14 anos, quando lançou seu primeiro blog na internet. Em 2011, criou o PIRANOT e fez parte, por três anos, de um programa da extinta TV Beira Rio. Estudou jornalismo na UNIMEP e assessoria de imprensa no SENAC. Fez estágio na Câmara de Vereadores e teve passagens por duas rádios de Piracicaba.

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