sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026
POLÍTICA PIRACICABA

Golpistas condenados a 13 anos de prisão por “fake news” podem se inspirar em “Choquei” para tentar anular sentença

Por Júnior Cardoso
24/12/2023 às 16:09
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Foto: Reprodução

A linha de defesa iniciada pela Choquei para se defender pela morte de uma moça após uma publicação no seu perfil no Instagram, deve se desdobrar nas próximas semanas, à medida que podem surgir os primeiros recursos no Supremo Tribunal Federal, questionando a aplicação do crime de fake-news, em português “notícia falsa”, para postagens de conteúdos nas redes sociais. Pela primeira vez, o perfil admitiu que nunca se dedicou ao jornalismo, mas sim ao compartilhamento do que chamou de “conteúdo”, sem especificar a natureza desse conteúdo podendo ser humorístico, teatral, fictício, infantil, baseado em fatos reais, mas não real, entre outros.

As primeiras penas aplicadas pelo STF ultrapassam cinco anos. Para impô-las, o tribunal teve que debater, dissertar, fundamentar e tipificar o crime, sempre considerando que se tratava de “notícias”, mas nunca de “conteúdo”. Isso deverá abrir novas linhas de estudo.

A publicação de notícias falsas difere da publicação de conteúdo falso, visto que o último pode ser fictício.

Além disso, o Congresso Brasileiro, se quiser, poderia criar facilmente uma lei que especificasse o que seria considerado conteúdo de redes sociais, retirando o “peso” ou, melhor ainda, esclarecendo o que seria uma “notícia”. Esta continuaria a ser tratada com base na Constituição, leis e regulamentos já existentes, enquanto o conteúdo virtual seria considerado algo mais leve e de menor gravidade ao ser compartilhado. Modificar as leis que regulamentam e definem o que é notícia e o seu formato é uma tarefa complexa e suscetível a conflitos. Contudo, em relação ao conteúdo, essa abordagem seria mais fácil de ser implementada, bastando a elaboração, votação e aprovação de um projeto de lei.

Em termos gerais, a linha de defesa iniciada pela Choquei abre possibilidades jurídicas incalculáveis.

Sobre o Autor

Júnior Cardoso

Diretor, editor chefe e jornalista do PIRANOT. Começou a trabalhar em 2007, aos 14 anos, quando lançou seu primeiro blog na internet. Em 2011, criou o PIRANOT e fez parte, por três anos, de um programa da extinta TV Beira Rio. Estudou jornalismo na UNIMEP e assessoria de imprensa no SENAC. Fez estágio na Câmara de Vereadores e teve passagens por duas rádios de Piracicaba.

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