Prefeito de Piracicaba (SP) diz que recusou pagar propina para "membro" do governo Bolsonaro

Prefeito de Piracicaba (SP) diz que recusou pagar propina para “membro” do governo Bolsonaro

O prefeito de Piracicaba (SP), Luciano Almeida (União Brasil), em entrevista ao jornal Folha São Paulo, neste sábado (26), falou que recusou propina de pastores do Governo Bolsonaro para a cidade abrigar um evento que acabou acontecendo em Nova Odessa (SP). O encontro, no entanto, contou com representantes locais.

Foto: Prefeitura de Piracicaba

Segundo o jornal, “equipes técnicas do ministério e do FNDE (Fundo Nacional de desenvolvimento da Educação) já se mobilizavam, segundo esses relatos, para o atendimento em Piracicaba. Isso foi interrompido após o pedido de pagamento ter sido recusado.”. Questionado pelo nome de quem pediu a propina, Luciano disse não se lembrar.

“Alguém em nome do MEC ligou para perguntar se queria fazer o evento em nossa cidade e disseram que, para isso, haveria um custo, um dinheiro, que eu deveria dar toda uma estrutura, tinha que arranjar hotel, dar suporte, pagar passagens para pessoas deles”, disse o prefeito. “Esse evento não aconteceu depois que falei que não pagava nada.”.

O evento então ocorreu em outra cidade e contou com a participação do Ministro Milton Ribeiro, que hoje está sendo investigado pela Polícia Federal, Supremo Tribunal Federal e pela AGU (Advocacia Geral da União). Esse evento foi em agosto do ano passado e teve membros do governo de Piracicaba como convidados.

Ainda segundo a Folha, cerca de 80 gestores municipais de cidades da região estiveram no local. No extrato de viagem do ministro para Nova Odessa está registrado que ele se encontraria com pastores na cidade, sem citar nomes. Na agenda oficial não há essa menção, mas os pastores aparecem nas fotos oficiais do MEC.

O esquema

Segundo denuncia dos jornais Folha e O Estado de São Paulo, pastores pediam propina para aprovar, em menos de 20 dias, obras na área da educação. Geralmente era um PIX de entrada no valor de R$ 15 mil e mais um valor extra, a ser negociado, após a liberação da verba. Um dos prefeitos teria que pagar um quilo de ouro, avaliado em mais de R$ 310 mil nesta segunda parcela, além do PIX de entrada.

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