Mieloma Múltiplo: segundo câncer hematológico mais frequente na população mundial e altamente letal

Mieloma Múltiplo: segundo câncer hematológico mais frequente na população mundial e altamente letal

Doença é considerada altamente letal quando descoberta tardiamente; Especialista alerta para sintomas iniciais como cansaço e dor óssea, que muitas vezes acabam passando despercebidos

O Mieloma Múltiplo, segundo câncer hematológico mais frequente na população mundial, pode acabar passando despercebido e merece atenção. Por ser diagnosticado na maioria dos casos em pacientes acima de 60 anos, os sintomas iniciais podem ser confundidos com sinais de envelhecimento.

Apesar de ser um tumor mais comum nesta faixa etária, o risco de desenvolver Mieloma Múltiplo é de 1 em 132 (0,76%), segundo o American Cancer Society. No Brasil, estima-se que a cada ano sejam diagnosticados cerca de 7 mil novos casos.

Justamente por ter sintomas como cansaço, fraqueza e dor óssea, o diagnóstico precoce da doença ainda é um desafio. Os tratamentos atuais permitem que 50% a 60% dos pacientes alcancem a remissão. Além disso, segundo um estudo publicado pela revista científica The Lancet, a combinação de terapias pode melhorar ainda mais esses resultados.

De acordo com Mariana Oliveira, oncohematologista da Oncoclínicas São Paulo, o tumor geralmente é diagnosticado após complicações mais severas: “Como fraturas nos ossos, surgimento de infecções, anemia e perda da função renal”, explica. Por ter causas desconhecidas, ela comenta ainda que não existem formas comprovadas de prevenção do mieloma, por isso a atenção a qualquer alteração na saúde é uma das principais recomendações para que o diagnóstico aconteça ainda na fase inicial da doença.

“Nosso corpo dá sinais quando algo não vai bem e por isso é sempre importante salientar que mudanças que afetam nossa rotina e bem estar devem ser investigadas. A detecção precoce do câncer é essencial para o sucesso das condutas terapêuticas”, reforça.

O que é Mieloma Múltiplo?

A doença ocorre quando os plasmócitos defeituosos ficam acumulados na medula óssea. Quando isso ocorre, as células saudáveis não conseguem funcionar de maneira normal, pois as células defeituosas tendem a atrapalhar esse processo devido uma aglomeração no local. “Além disso, os plasmócitos aglomerados podem formar tumores, chamados de plasmocitomas, que podem crescer e acabar invadindo também os ossos. Os plasmócitos anormais também causam um desequilíbrio no metabolismo do osso, levando ao aparecimento de lesões ósseas chamadas lesões líticas”, comenta Mariana Oliveira.

Prevenção de mieloma múltiplo

Como alternativa para prevenir a doença, a oncohematologista explica que é importante evitar a exposição às substâncias que aumentem o risco do desenvolvimento de mieloma múltiplo e manter hábitos de vida saudáveis.

“É fundamental manter uma dieta saudável e o controle de peso, evitando assim a obesidade e possíveis consequências inflamatórias no organismo. Esse é um fator que pode aumentar o risco de mieloma múltiplo”, explica.

Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico pode ser feito a partir de exame de sangue (hemograma), radiografia, tomografia e/ou ressonância magnética. Dependendo do quadro clínico de cada paciente, pode ser necessária uma biópsia da medula óssea, feita a partir da retirada de um fragmento do osso da bacia para análise em laboratório e um mielograma.

O tratamento de mieloma múltiplo deve ser iniciado tão logo os pacientes manifestem sintomas, já que em pessoas assintomáticas não se obteve até o momento resultados que se mostrem eficazes no controle da condição. “O tratamento inicial é baseado na combinação de medicamentos imunomoduladores e inibidores que atacam as células doentes diretamente. Há ainda a imunoterapia, que consiste em usar anticorpos, reconhecendo o ‘inimigo’ e são capazes de combater esses alvos específicos, que pode ser utilizada inicialmente ou na recidiva da doeça”, explica a médica da Oncoclínica São Paulo. Em caso de recidivas – volta do mieloma múltiplo depois do tratamento – podem entrar na abordagem novas combinações de medicamentos e até mesmo Car-t, que deve ser aprovado no Brasil ainda este ano.

Com relação ao transplante autólogo de células-tronco periféricas, o tratamento pode ser indicado como complemento ao inicial para os pacientes considerados aptos. É feita uma quimioterapia pré-transplante com a administração de um agente alquilante, que vai eliminar as células neoplásicas/ anormais, aprofundando a resposta ao tratamento inicial.

É necessário ainda atenção ao tratamento de suporte, ou seja, de sintomas físicos que possam prejudicar a qualidade de vida e a saúde do paciente. Ele pode auxiliar a manter os ossos fortalecidos, reduzindo a dor óssea, a hipercalcemia e a incidência de fraturas.

Rede de apoio

Na grande maioria dos casos, o diagnóstico do Mieloma Múltiplo pode causar medo e desânimo, por isso, é muito importante que o paciente receba suporte da família e amigos, e também do atendimento multidisciplinar.

“Ter esse apoio faz toda a diferença para um tratamento de qualidade, pois envolve a recuperação e proteção da saúde mental após o diagnóstico. Isso irá fazer com que o paciente fique fortalecido durante um momento tão delicado, mostrando que ele é capaz de enfrentar todo o processo e suas adversidades”, finaliza Mariana Oliveira.

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