Grupo critica cancelamento de Carnaval de Rua de Piracicaba (SP) em 2022

O PIRANOT recebeu um pedido para publicar um manifesto sobre o Carnaval de Rua de Piracicaba (SP). Nele, integrantes deste setor na cidade pedem que o evento volte a ser realizado e valorizado.

Em novembro, o prefeito Luciano Almeida (DEM) anunciou o cancelamento do evento com a chegada da nova variante da Covid-19. A medida tem apoio popular.

Como faz com notas, o jornal a colocará na íntegra: 

Coletivo de Cordões, Blocos e Manifestações da Cultura Popular: manifesto em Defesa da Cultura do Carnaval de Rua de Piracicaba

É de conhecimento do uma grande parcela da sociedade piracicabana que o Carnaval de Rua, é uma vitória da sociedade civil, dos cordões, dos blocos organizados, das pessoas que tem o desejo de ocupar a cidade e de realizar a maior festa popular brasileira!

Faz alguns anos que um grupo de representantes destas manifestações culturais tem se debruçado nestas questões e provocado o Poder Público para a necessária construção e estruturação do Carnaval de Cordões e Blocos como uma política pública na cidade!

A vertente dos cordões e blocos é atualmente uma das mais importantes, ou a mais popular e democrática opção para a maior parte da população, de participar e brincar o Carnaval de maneira justa, ocupando as ruas e os espaços públicos e vivenciando a Cultura como um direito fundamental. Portanto, registramos o descontentamento e consideramos extremamente infundada a manifestação do Prefeito Luciano Almeida em live que foi ao ar no dia 02 de dezembro, por uma triste coincidência, Dia Nacional do Samba, de que em Piracicaba há muito tempo não tem Carnaval!

De fato, Piracicaba não conta há alguns anos com o desfile das Escolas de Samba, por diversos problemas que não caberá a este espaço discutir. No entanto, o Carnaval de Rua dos Cordões e Blocos está sim nas ruas, realizando desfiles, cortejos numerosos e com muita, mas muita qualidade! Na ocasião, o Prefeito se referiu aos blocos já tradicionais na cidade como “bloquinhos”. Essa fala demonstra um grande desconhecimento e desrespeito com a história e o trabalho que vem sendo construído há anos!

Essa organização, a partir de um Coletivo de Cordões, Blocos e Manifestações da Cultura Popular certamente contribuiu para o crescimento desse movimento, na ocupação de mais espaço e mais força política e junto ao poder público. Temos buscado junto ao poder público um maior diálogo, mas sempre vão existir desafios e necessidades de aprimoramento.

Neste sentido foi proposto e constituído uma Comissão de Análise e Organização do Carnaval, grupo oficial, constituído com o objetivo de subsidiar, dialogar e contribuir na organização de um perfil e de uma programação do Carnaval.

A seguinte Comissão foi instituída a partir da Portaria 60 da Secretaria de Ação Cultural – SEMAC/Prefeitura Municipal e é composta por representantes dos blocos e cordões, das Escolas de Samba e da Prefeitura. A mesma é formada por 13 integrantes, sendo: Rosemeire Calixto Massaruto, Rita de Cassia Puerta Ferreira, Antonio Sergio Mariano Setten, José Antonio Pereira Franco (representando o poder público), Pablo Carajol Delvage, Natalia Puke, Márcio Eduardo Biscalchim, Marcos Antonio Azevedo de Souza (representantes dos Blocos e Cordões) e Paulo Henrique da Silva, Ricardo José Samprogna, Cássio Marcelo Silveira, Wilson José Berto e Carlos Roberto Crivellari (representantes das Escolas de Samba).

Nesta manifestação do dia 02, o Prefeito Luciano Almeida, em nenhum momento citou ou fez referência ao trabalho desenvolvido pela Comissão, nem mesmo em respeito à importância da participação dos cargos comissionados que nesta Comissão representam o próprio governo municipal.

De nossa parte, deste Coletivo de Cordões, Blocos e Manifestações da Cultura Popular, lutamos por um Carnaval amplo, com o apoio e estrutura em todos os lugares. Defendemos um Carnaval livre, democrático, descentralizado e gratuito! Livre, porque nós entendemos que todas as pessoas, grupos de amigos, coletivos têm o direito de ter um bloco. Democrático, porque não existe área vip, abadá, camarote e nem privatização do espaço público.

Descentralizado porque pode ocorrer e ser estimulado em diferentes regiões da cidade. E gratuito, porque como política pública, deve contar com a estrutura e o apoio por parte da Prefeitura Municipal.

Isto colocado, o Coletivo de Cordões, Blocos e Manifestações da Cultura Popular reafirma que tem um projeto de Carnaval de Rua que se iniciou a cerca de 15 anos e tem sistematicamente ampliado a sua importância e abrangência, tanto em parcerias, apoios, adesões, como no aumento qualitativo do número de cordões e blocos, como da multiplicação da população que participa e desfruta desta Festa Popular do Carnaval, dos desfiles, cortejos e atividades.

O trabalho destes grupos valoriza a cultura afroindígena e caipira da cidade, os artistas e representantes da cultura local, possibilitando o acesso e a difusão dos elementos identitários das tradições brasileiras e piracicabanas. Além disso, as manifestações destes grupos permitem uma ampla celebração de alegria, fraternidade e comunhão, reunindo públicos diversos com o único objetivo de brincar o Carnaval.

Neste sentido, reafirmamos a urgência e a prioridade de neste momento firmarmos a parceria e os esforços da Comissão de Análise e Organização do Carnaval, do apoio e da necessária estrutura por parte do Poder Público para que sejam garantidos os recursos destinados ao Carnaval, conforme o orçamento da Prefeitura, garantindo maior valorização e qualidade artística e cultural, apoio à retomada do turismo e os serviços diretos e indiretos gerados, estrutura e presença do poder público nos equipamentos de cultura para a população, apoio e articulação com as forças de segurança, visando amparar uma estrutura de segurança comunitária para a sociedade. Estes fatores e diretrizes são imprescindíveis!

Devido à pandemia da Covid 19, que já prejudicou toda a sociedade de forma catastrófica e que ainda gera grandes preocupações, nós do Coletivo de Cordões, Blocos e Manifestações da Cultura Popular concordamos com a suspensão do Carnaval presencial e sem o controle de público e neste sentido apresentaremos à Comissão de Acompanhamento e Organização do Carnaval a proposta de realização de um formato semipresencial a ser discutido e construído coletivamente, garantindo maior segurança da população com relação aos protocolos sanitários.

Acerca destes apontamentos, é imprescindível construir através do Edital de Chamamento em andamento, um processo de valorização do Carnaval e de participação dos coletivos na construção democrática desta política pública.

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