Moradores e comerciantes da Av. Laranjal Paulista pedem que plano de instalação da ciclofaixa seja revisto

A Prefeitura de Piracicaba, por meio da Semuttran (Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana, Trânsito e Transportes), informou em julho deste ano que vai implantar uma ciclofaixa com 3,7 quilômetros de extensão na Avenida Laranjal Paulista, no bairro Campestre. A ciclofaixa integrará a ciclorrota turística Piracicaba-Saltinho, já utilizada por diversos ciclistas que buscam viagens mais longas com o intuito de lazer e turismo.

Foto: Arquivo

A Laranjal Paulista será a primeira avenida contemplada pelo projeto CicloVidas, da Semuttran, que tem por objetivo implantar 10 km de ciclofaixas, ciclovias e ciclorrotas ao ano no município.

Contudo, comerciantes e moradores da avenida e do bairro não estão satisfeitos com o projeto e estão lutando para que a Prefeitura reveja o plano de instalação da ciclofaixa. Em contato com o PIRANOT, uma comerciante do local informou que um abaixo-assinado, de número 117186, já foi protocolado na Prefeitura e uma carta enviada ao prefeito Luciano Almeida. Confira na íntegra o documento enviado:

Atenção: Sr Luciano Almeida Prefeito de Piracicaba

Nós, moradores do bairro Campestre, vimos respeitosamente solicitar que CANCELE a instalação da ciclovia, prevista dentre as obras de melhoria planejadas para a avenida Laranjal Paulista.

Esclarecemos que clamamos a muito tempo por melhorias nessa avenida, principalmente no cruzamento com a rodovia Cornélio Pires, onde o risco diário de acidente é iminente (para este item específico, estamos contando com a ajuda do deputado Roberto Moraes, que está em contato com a ARTESP, buscando informações sobre eventuais projetos de melhoria já existentes, por tratar-se de rodovia estadual).

Não somos contrários a instalação da ciclovia, porém, NÃO concordamos com a forma que está definida, pois a via comporta hoje de forma precária o fluxo de veículos, e destinar uma faixa exclusiva para bicicletas vai comprometer ainda mais o fluxo de veículos.

Além de causar danos irreparáveis ao comércio, já que, conforme o projeto será eliminada a faixa de estacionamento hoje existente ao longo da avenida, vai certamente aumentar ainda mais o risco de acidente.

Atenciosamente,

Moradores do bairro Campestre.

Segundo eles, o bairro é antigo e essas novas alterações vão causar danos aos comerciantes e moradores, que não terão onde estacionar os carros para usufruir do comércio local. “O lazer contribui mais para as pessoas que moram fora do bairro do que para quem mora nele”, disse uma comerciante da avenida.

“Moro no bairro Campestre há 4 décadas, desde que ainda não havia asfalto nem rede de água e esgoto aqui, e a iluminação era precária. Evoluímos, mas não de forma planejada. A Avenida Laranjal Paulista requer muitas melhorias para suportar o acréscimo populacional dos últimos anos, e que ainda está em expansão com os novos condomínios que estão surgindo. Adicionar uma ciclovia, sem “alargar” a avenida é aumentar o risco de acidente já existente, e prejudicar o comércio, com a retirada da faixa destinada a estacionamento”, afirmou um morador do bairro.

Uma reunião entre os moradores e comerciantes da Avenida Laranjal Paulista com a secretária interina de Mobilidade Urbana, Trânsito e Transportes (Semuttran), Jane Franco Oliveira, e a vereadora Ana Pavão, estava agendada para esta quinta-feira (02), às 15h, mas foi cancelada. Até o momento, nenhuma nova data para a reunião foi agendada.

Após conversar com essas pessoas, o PIRANOT entrou em contato com a Prefeitura e pediu uma posição sobre o caso. Em resposta, a Semuttran informou que:

“A Semuttran informa que o projeto para a avenida, divulgado no primeiro semestre de 2021, está inserido no escopo do projeto “Direção Certa”, anunciado na ocasião do Plano de 100 dias do governo municipal. Este Projeto propõe que, quando da revisão/revitalização das sinalizações horizontal e vertical das principais avenidas da cidade, seja realizada uma avaliação a respeito da inclusão de ciclovia ou ciclofaixa, possibilitando infraestrutura mais segura para todos os modos de transporte que utilizam a via (sistema de transporte coletivo, individual e não motorizado).

Assim, foi levada em consideração, para análise da Avenida Laranjal, a pesquisa de interesse dos locais para implantação de ciclovias, ciclofaixas e ciclorrotas (projeto Ciclovidas). A partir desta constatação, foi elaborado um projeto demonstrando que o espaço físico na Avenida comportaria uma ciclofaixa que daria continuidade à ciclorrota que liga a Saltinho. Tal projeto foi apresentado e permanece disponível no site para consulta (e contribuições). De fato, conforme consta no projeto, para a inclusão da ciclofaixa, torna-se necessário ocupar a faixa que atualmente corresponde às vagas de estacionamentos públicos. No entanto, ganha-se, por um lado, alças de acesso que conferem maior segurança aos veículos e, por outro, uma via exclusiva para os ciclistas, usuários mais vulneráveis aos riscos de acidentes. Além disso, os bolsões de estacionamento já existentes serão integralmente preservados.

O Plano de Mobilidade Urbana (2006) e Plano Diretor de Desenvolvimento de Piracicaba (2019) estabelecem a cidade que queremos e devemos construir. São prioridades desses planos: Cidade para todos; priorização do transporte coletivo público em relação ao transporte individual; priorização dos meios de transporte não motorizados; aumento da oferta de diferentes sistemas de transporte coletivo, além do compromisso de construir 40 km de ciclovias e ciclofaixas na cidade. Esta decisão mostra o compromisso do atual governo com o que está estabelecido no Plano de Mobilidade e Plano Diretor.

Cabe ressaltar que, com a nova gestão da pasta, foi solicitada uma reavaliação que contemplaria o recape do trecho referente à implantação da ciclofaixa, assim como algumas outras melhorias, incluindo as calçadas ao longo da Avenida Laranjal. Além do mais, a Semuttran destaca que a Administração está em contato com a Artesp e a Concessionária responsável pelo trecho (Colinas) para discussão do acesso pela Rodovia Cornélio Pires.

Desta forma, as intervenções propostas estão alinhadas às diretrizes de mobilidade urbana e de maior segurança a todos os usuários das vias que vêm sendo analisadas, incluindo o caso da Avenida Laranjal Paulista”.

 

Plano da ciclofaixa

Foto Divulgação

 

Mais fotos da avenida

Foto: Arquivo
Foto: Arquivo

 

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