No dia do Orgulho LGBTQIA+, PIRANOT relembra e homenageia Madalena

No dia do Orgulho LGBTQIA+, PIRANOT relembra e homenageia Madalena

No dia do Orgulho LGBTQIA+, o PIRANOT publica uma nota em homenagem a Madalena. A carta é assinada por Júnior Cardoso, diretor fundador da marca.

Foto: Câmara de Piracicaba

NÃO PODEMOS ESQUECER, JAMAIS!

Madalena, neste dia do Orgulho, nosso agradecimento por todo seu amor e trabalho por nossa cidade. Por, em uma época tão difícil, ter sido a primeira travesti eleita vereadora na cidade e região (não sei se foi no Estado e país também).

Madalena superou desafios, preconceitos. Lutou, lutou e lutou. MORREU LUTANDO POR SEU BAIRRO. MORREU POR SEU POVO!

Madalena ajudou a construir uma cidade onde os casos de homofobia EXISTEM, mas são bem menores.

Madalena, PRESENTE! Madalena, OBRIGADO! ❤

Madalena

Madalena foi eleita vereadora no pleito de 2012, quando recebeu 3.035 votos e teve o segundo melhor desempenho do PSDB nas eleições. À época, ela já somava 25 anos como líder comunitária e era considerada um ícone na cidade, chamando a atenção por andar pelas ruas usando roupas e acessórios femininos.

Madalena trabalhou desde a adolescência como cozinheira e faxineira, em casas de família e repartições públicas. Como líder social, foi presidente do centro comunitário do bairro Boa Esperança e foi candidata a vereadora quatro vezes (1988, 2004 e 2008 e 2012), obtendo os votos suficientes para se eleger no último.

Foco de atenção da mídia em geral, a exemplo de matéria concedida ao portal G1 -Piracicaba, Madalena reafirmou que ficou famosa pela irreverência e pelo visual: um homem negro de corpo esguio, com quase 1,80 metro de altura, que usava roupas femininas há mais de 40 anos. Ela não se prendia a etiquetas, sempre quis ser conhecida por seu trabalho comunitário, e resolveu usar terno na posse de vereadora.

“Para mim tanto faz a maneira como me chamam. Quando eu me olho no espelho, vejo um homem de muita coragem. Vou usar terno e gravata na posse e quando precisar durante as reuniões. Ainda não sei se vou usar meus lenços ou fazer tranças no cabelo, mas vou continuar a ser a mesma Madalena de sempre”, disse à época na entrevista.

Se assumiu aos 15 anos

O nome de batismo dela era Luiz Antônio Leite de Moura, mas ela já passou a ser chamada por Madalena quando tinha 15 anos, já assumido como homossexual. “Eu trabalhava de faxineira com a minha mãe em uma república chamada ‘Canecão’ e os moradores fizeram um concurso para escolher um nome de mulher para mim. Aí ganhou Madalena. Eu gostei e ficou o nome”, contou.

Madalena também registrou na reportagem, que no início de 2016, pediu afastamento da Câmara por motivos de saúde, pois na época teve câncer de próstata, onde o primeiro suplente, Gilmar Tano (PSDB), assumiu o posto interinamente.

Nas eleições seguintes, ainda em 2016, Madalena desistiu da candidatura à reeleição na Câmara de Piracicaba. A decisão foi informada por meio de carta, enviada à presidência do partido tucano. Na ocasião, a parlamentar apontou problemas de saúde e agressões racistas e homofóbicas sofridas nas redes sociais durante a gestão no Legislativo como alguns dos motivos para não continuar na carreira política.

Madalena deixou um extenso legado de ações em prol da população, com atuação nos mais variados bairros de Piracicaba, além de proposituras que consolidaram legislações, homenagens, condecorações de reconhecimento público.

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