Em carta, Barjas Negri manda Luciano Almeida "arregaçar as mangas" e trabalhar

Em carta, Barjas Negri manda Luciano Almeida “arregaçar as mangas” e trabalhar

O ex-prefeito Barjas Negri (PSDB), em carta enviada ao PIRANOT e outros jornais locais, criticou o atual prefeito Luciano Almeida (DEM), pelo o que alguns tem chamado de “abandono” da Prefeitura com a cidade. Há pouco, noticiamos o balanço que o atual prefeito fez do seu começo de mandato.

Foto: Reprodução

O PIRANOT veiculará abaixo, a carta do ex-prefeito na íntegra, dando aos dois o mesmo espaço. No começo do documento, o ex-prefeito cita uma enquete que o nosso jornal fez no dia 11 de abril aos nossos seguidores com a seguinte questão: “Como você avalia os 100 primeiros dias do Governo Luciano Almeida?”. A enquete somou, até às 11h27 desta segunda-feira (19), mais de 1,2 mil votos, sendo que ruim e péssimo, juntos, somam mais de 1,1 mil deles. Somente 11 pessoas até este momento avaliaram como “Ótimo” e 106 como “Bom”.

Ainda sobre a enquete, o PIRANOT esclarece que ela é uma enquete e representa apenas a opinião dos nossos seguidores, sendo errado tirá-la deste contexto.

Veja agora o que diz Barjas:

Não houve transição e Prefeitura desestruturada!

O Portal PiraNot e outros jornais da cidade divulgaram o “balanço dos 100 dias” da atual administração municipal e, ao que parece, foi um balanço da inoperância, uma vez que procurou-se atacar eventuais problemas administrativos da nossa gestão e, também, elaborar algum “plano” para uma nova gestão por secretaria. O destaque da mídia: 1-) não houve transição de governo; 2-) encontrou-se a Prefeitura desestruturada.

Pois bem, vamos comentar alguns fatos:

Acho que é verdade que não houve uma “boa” transição. Isso foi responsabilidade da atual administração, que demorou para indicar os novos secretários municipais, pois optou por fazer uma transição “burocrática”, com conversas mais por ofícios e e-mails. As pessoas indicadas se limitavam a pedir documentos, mais documentos e mais documentos. Isso resultou num volume de processos de pouco mais de 5 mil páginas de informações, que demandaram tempo e dinheiro.
Qual foi o resultado? Não sabemos, porque desconfiamos que a maior parte da nova equipe não deve ter lido essas informações, e se leu parece que não entendeu e, ainda, não teve a humildade para se reunir com os “antigos” secretários para tirar dúvidas. Chegamos ao absurdo de alguns dos secretários buscarem informações direto nas secretarias, uma vez que a nova equipe de transição não deve ter distribuído e discutido os documentos.

Mais grave de tudo isso foi a nomeação do novo secretário municipal de Saúde somente após a posse do atual prefeito, que não teve tempo para qualquer contato direto com a equipe anterior. E isso ocorreu no setor mais grave devido à pandemia do coronavírus que, na verdade, é o maior problema da gestão municipal, como em qualquer outro município brasileiro.

Agora vamos à fala “Prefeitura desestruturada”. Admito que é verdade que havia problemas administrativos, falta de pessoal, falta de recursos, entraves burocráticos dados pela legislação, a Covid-19 e assim por diante. No entanto, com tudo isso, Piracicaba é bem avaliada por diversos indicadores socioeconômicos e ambientais entre os 100 maiores municípios nos últimos cinco anos. É também bem avaliada principalmente em educação e saneamento básico.
Agora, imaginem se estivesse bem estruturada? Os indicadores seriam ainda melhores. Nós não ficamos chorando os malefícios da crise econômica que se arrastou por 7 anos. Trabalhamos, planejamos. E os resultados apareceram, pois sabemos que quem sabe e planeja, trabalha e tem resultados; já quem pouco sabe ou pouco trabalha, ataca, ataca e ataca. Pena, pois isso não melhora a qualidade de vida da população.

Num mandato de quatro anos, ou 48 meses, quando se perde 100 dias ou três meses, dificilmente se recupera o tempo perdido. Espero que a atual administração arregace as mangas, não opte pela prepotência e arrogância, e trabalhe, pois não se administra uma cidade de 400 mil habitantes, no meio de uma pandemia, fazendo lives, lives e lives. Mãos à obra. Há muito a se fazer, principalmente para os que dependem dos programas e serviços públicos, em especial os mais pobres.

Barjas Negri, ex-prefeito de Piracicaba

Informar Erro

Receba atualizações em tempo real diretamente no seu dispositivo.

Leia também