Documentos de 1784, da época da fundação de Piracicaba, são restaurados na Câmara

Documentos de 1784, da época da fundação de Piracicaba, são restaurados na Câmara

Redigido em português arcaico, o documento é o mais importante do acervo da Câmara de Vereadores de Piracicaba

Os três documentos da época da fundação de Piracicaba, datados de 1784, recebem atenção especial da equipe do Departamento de Documentação e Transparência da Câmara de Vereadores de Piracicaba, que faz o restauro e a conservação de suas páginas. O material motivou a criação da exposição virtual “Memórias da Povoação de Piracicaba”, disponível de 10 de setembro a 4 de outubro no endereço << exposicaovirtual.myportfolio.com >>. Os textos são considerados os mais importantes do acervo histórico sob a guarda da Casa de Leis.

Foto: Acervo – Câmara de Vereadores de Piracicaba

O povoado de Piracicaba foi oficialmente fundado em 1º de agosto de 1767, pelo capitão Antonio Correa Barbosa, na foz do rio de mesmo nome, o que está registrado oficialmente na primeira ata de referência, escrita em 30 de julho de 1784. Foi nesta data que ocorreu a transferência da povoação para a margem esquerda do rio, logo abaixo do salto. O livro foi lavrado por Vicente da Costa Taques Goés e Aranha, capitão-mor da Vila de Itu, e tem as assinaturas do povoador Correa Barbosa, do frei Thomé de Jesus, do capitão João Fernandes da Costa, do mestre entalhador e arruador Miguel Fernandes Paes Soares e do povo de Piracicaba.

O segundo livro também é de 30 de julho de 1784. Nele, o então governador e capitão-general da Província de São Paulo, Francisco da Cunha Meneses, trata da mudança da povoação para a margem oposta do rio, ordenando a Vicente da Costa que, “com o capitão Correa Barbosa, Povoador desta, a possam mudar de onde se acha e situá-la na referida paragem na parte de cá do rio Piracicaba, logo abaixo do salto”.

Já o terceiro documento, de 2 de agosto de 1784, traz um relato do que ocorreu em 31 de julho daquele ano, quando a população de Piracicaba se dirigiu ao lugar destinado para a mudança, e lá o mestre entalhador e arruador Miguel Fernandes Paes Soares delimitou o que seria a nova povoação piracicabana.

A exposição virtual conta com um vídeo produzido pelo Departamento de Documentação, que traz os detalhes dos processos envolvendo o trabalho e também depoimentos do presidente Gilmar Rotta (CID), do diretor do departamento, Bruno Didoné de Oliveira, e da arquivista Giovanna Fenili Calabria, ambos servidores efetivos da Casa. “A preocupação de possibilitar o acesso à população segue um dos pilares do programa Parlamento Aberto, o da transparência das atividades legislativas”, diz Gilmar Rotta.

Redigidas em português arcaico e manuscritas, as memórias da povoação são o primeiro de um conjunto de documentos sob a guarda da Câmara. “Nossos arquivos começam em 1784, atravessam todo o século 19 e o começo do século 20. Pretendemos disponibilizar todos os documentos na internet, após os processos de restauro, conservação e digitalização”, explica Oliveira.

Ainda na exposição virtual, foi incluída uma linha do tempo com as principais curiosidades relacionadas à fundação de Piracicaba. Em 21 de dezembro de 1776, por exemplo, João Manuel da Silva deixou a igreja piracicabana por falta de subsídios. Somente em 7 de abril de 1784, o frei Thomé de Jesus aceita assumir a igreja, mesmo com “subsídios diminutos”.

Processos

A restauração e preservação dos documentos é composta por uma série de processos técnicos, entre eles o de estabilizar ou reverter danos físicos existentes, como reparos com o uso de papel japonês.

Há, ainda, a transcrição linha a linha do manuscrito, seguindo as Normas Técnicas para Transcrição e Edição de Documentos Manuscritos.

Considerada a última etapa, a digitalização evita o manuseio desnecessário (que pode prejudicar fisicamente o suporte) e permite sua conservação, além de ampliar o acesso público ao documento.

Segundo Oliveira, há livros e documentos mais conservados sob a guarda do Departamento de Documentação e Transparência, que demandam apenas a digitalização, mas outros que precisam de maior cuidado e tempo para o restauro.

Feitas todas as etapas, uma das preocupações da equipe do departamento é ainda a de acondicionar todo o material seguindo os princípios de arquivologia.

Foto: Davi Negri.
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