Brasil completa três meses com transmissão acelerada de coronavírus, mostram cálculos

Brasil completa três meses com transmissão acelerada de coronavírus, mostram cálculos

A contaminação pelo novo coronavírus entrou na 14ª semana sem estar controlada no Brasil, mostram cálculos do Centro de Controle de Epidemias do Imperial College, um dos principais do mundo.

Uma foto que mostra médicos transportando um paciente com coronavírus
Foto: Patrick Hertzog/ AFP/ JC

Desde a semana de 27 de abril, o país tem taxa de contágio acima de 1, o que significa que a transmissão está se acelerando. Na semana que começou neste domingo (26), o índice, também chamado de Rt, subiu de 1,01 para 1,08. Isso quer dizer que cada 100 infectados por coronavírus no Brasil contaminam outros 108, que por sua vez infectam mais 116,6 e assim sucessivamente, ampliando o alcance da doença.

Dos 25 países que apresentavam transmissão sem controle no começo de maio, 13 controlaram o contágio. Na América do Sul, estão nesse grupo o Chile, que reduziu o Rt para 0,91, e o Equador, que está com 0,9. Nesses dois países, cada 100 habitantes infectam outros 90, que passam o coronavírus para 81, depois 73, desacelerando a expansão da doença.

Além do Brasil, Argentina (1,42), Colômbia (1,26) e Peru (1,04) apresentam transmissão acelerada nos últimos quatro meses. Bolívia e Venezuela têm Rt de 1,16, mas estão há menos tempo sem conseguir controlar o contágio: na última semana, apresentavam índices de 0,9 e 1, respectivamente.

Especialistas em epidemias têm ressaltado que, como o Brasil é grande e diversificado, a velocidade da transmissão pode variar bastante de acordo com a região, como mostra o acompanhamento dos casos feito pela Folha: nesta quarta (29), eram 12 estados com contágio acelerado, 12 em transmissão estável, 2 desacelerados e 1 reduzido.

Há duas semanas, a OMS afirmou que o Rt brasileiro varia, geograficamente, de 0,5 a 1,5.

O Imperial College calcula a taxa com base no número de mortes reportadas, dado menos sujeito a subnotificações; como há uma defasagem entre o momento do contágio e a morte, mudanças nas políticas de combate à epidemia levam em média duas semanas para se refletirem nos cálculos.

Segundo as estimativas do centro britânico, o Brasil ainda é o país que terá o maior número de mortes por coronavírus nesta semana, 8.120, uma alta em relação à semana passada. Na Índia, são esperados 6.610 óbitos, e no México, 5.080 (os Estados Unidos não entram no relatório, pois seus dados são calculados por estado, em estudo à parte).

Com base nos óbitos relatados, o Imperial College estima também que o número de casos de contágio no Brasil seja cerca do dobro dos registrados.

https://www.piranot.com.br/noticias/novas-regras-aumentam-a-chance-das-escolas-de-sp-abrirem-em-setembro/180923/

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