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Entrevista PIRANOT

Marcos Abdala: “A Câmara de Vereadores de Piracicaba, para mim, é uma locomotiva”

Rafael Fioravanti

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Na quinta-feira (04), o vereador Marcos Abdala concedeu uma entrevista ao Jornal PIRANOT, onde fala sobre os principais problemas de Piracicaba. Nascido em 12 de outubro de 1967, Abdala, que é cabeleireiro e barbeiro, fala sobre o porquê ter optado em entrar na política, fala sobre seus projetos para Piracicaba, sobre a saúde no município, sobre a administração Barjas Negri, e tece também comentários sobre a crise no Semae. Confira.

Abdala
Foto: Rafael Fioravanti / Jornal PIRANOT

Abdala, o senhor é cabeleireiro e barbeiro. Por que decidiu se envolver na política da cidade?
Foi uma coisa que surgiu naturalmente. Comecei minha barbearia com 15 anos de idade e, como eu não tinha muitos clientes na época, sempre fui de conversar bastante e me envolver com causas sociais. Era muito fácil marcar um ponto de encontro no meu salão; os centros comunitários não tinham tanta força como têm hoje. Então nos reuníamos, conversávamos bastante e as coisas iam fluindo. Sempre buscávamos o que precisávamos de benesses para a população. Isso foi crescendo, e num belo dia, mais de 30 anos depois, fui convidado para ingressar na vida pública. Fiz campanhas para vários prefeitos e muitos vereadores. A grande maioria que apoiei sempre ganhou as eleições. As ideias que sempre apresentei a eles eram sempre muito aceitas e debatidas. E cada vez mais os convites para entrar na política e fazer parte da vida pública foram ficando cada vez mais fortes. Essa foi minha primeira vez como candidato e consegui ser eleito.

Quais são as principais reivindicações dos munícipes que procuram o senhor?
Creio que hoje, por conta do momento em que o país vive (período de arrocho financeiro), as pessoas procuram mais por informações de onde elas podem conseguir emprego. Há uma ilusão de que o vereador consegue emprego para elas. Não é verdade. Eu converso com muitas pessoas, tanto da classe abastada quanto da classe necessitada. E em conversas com empresários, fico sabendo que eles sempre estão precisando de alguém, então faço uma ou outra indicação; porém, quem contrata e dá o aval final é sempre o patrão. Então reforço aqui que vereador não consegue emprego para ninguém, ele apenas ajuda fazendo uma referência.

Há alguma outra reivindicação?
Há também um apelo muito grande (e com razão) em relação à saúde. As pessoas me procuram aflitas, e não por falta de atendimento, mas pela preocupação de ter algum ente querido necessitando de algo. Mas de maneira geral, as pessoas me procuram pelos mais diferentes motivos, seja por falta de vaga em creche, por vazamento de água, buracos, alteração de mão de direção, etc. Os munícipes me procuram por diferentes razões.

O senhor falou de saúde, então eu posso dizer que essa é uma das principais reclamações dos leitores do PIRANOT. Os leitores nos procuram quase que todos os dias para reclamar de algo nesse setor do município. Gostaria que o senhor fizesse um breve relato do seu trabalho em prol da saúde aqui na cidade?
No ano passado, meu partido colocou uma emenda de mais de R$ 600 mil reais aqui para o município. Foi nosso deputado Roberto Alves, inclusive o agradeço pelo trabalho. Estamos também com algumas reivindicações do secretário Pedro Mello, e fazendo encaminhamentos de pedidos de aportes financeiros e emendas financeiras para a saúde. Seja qual for a área da saúde em que coloquemos a verba, será sempre muito bem-vinda. Nada nunca é suficiente para a saúde, pois a saúde é sempre algo incerto. Vagas em creche, por exemplo, a gente até determina — preciso de 500 vagas para 500 crianças –, então é possível de ser determinado. Mas isso não acontece com a saúde. Na saúde nunca conseguimos prever quando ficaremos doentes. Precisamos sempre trabalhar dia após dia, buscando recursos e saídas para que o fluxo ocorra mais rápido.

Qual projeto de sua autoria o senhor julga mais benéfico à sociedade piracicabana?
Eu sigo a seguinte frase: às vezes o remédio de um é veneno para o outro. O projeto que mais tem dado satisfação para mim é a proibição de fogos de artifício de alto estampido. Por ser de alto estampido, esse tipo de fogo conta com uma quantidade maior de pólvora. Além disso, os efeitos que eles causam à saúde são invisíveis. Às vezes você estoura um rojão aqui, o estouro dura três segundos, mas a quantidade de gases tóxicos que ele colocou no ar é grande. Nós podemos estourar um rojão aqui na Paulicéia, e, dependendo do vento, ele vai lá para o Campestre. Isso pode causar problemas respiratórios. Nessa daí já estamos em defesa do meio-ambiente, da segurança das pessoas (dada a grande quantidade de acidentes envolvendo estouros de fogos), e principalmente dos animais. Eu tenho um cachorro e um gato; em qualquer comemoração que haja estouro de fogos, eles entram em pânico. Nós explodimos de alegria, mas e os nossos vizinhos?

Há algum outro projeto?
No meu mandato também fiz a Lei Ordinária Nº 8945, onde pedi à Prefeitura colocar nas placas de rua o nome do bairro. Quanto mais ao aplicativos de endereço avançam (como Weezer ou Google Maps), mais há necessidade de se identificar bem o local. A indústria das entregas está crescente. Por exemplo, a Rua Dom Pedro I atravessa quatro bairros aqui em Piracicaba, então por que não identificar corretamente? O espaço da placa está lá em branco. O valor do trabalho de imprimir uma dúzia de letras ou um pingo será o mesmo, então isso está vindo para ajudar bastante a mobilidade urbana. Eu tenho que agradecer o prefeito Barjas Negri, que foi sensível a esse projeto de lei e o viu com bons olhos devido, novamente falando, à crescente indústria das entregas.

Há também o Dia de Doar aqui no município de Piracicaba. Gostaria que o senhor falasse mais sobre ele.
O Dia de Doar também virou lei. Trata-se de uma ideia internacional que diz que todos podem doar alguma coisa. Todos podem doar um minuto do seu tempo para um abraço, para um agasalho, para milhões, não importa. O importante é fazer com que esse dia seja reconhecido pelo município e que todas as pessoas físicas/jurídicas que quiserem colaborar neste dia possam contar com o apoio do município. Devemos expandir isso, devemos fazer para que a filantropia realmente tenha um amparo. Vamos supor que a empresa x possua um departamento responsável por fazer um trabalho de filantropia em determinado bairro daqui de Piracicaba. Como poderemos fazer para que isso se incentive? Essa é a razão de termos criado essa lei. Ela vem para ajudar pessoas e empresas a terem um aparato legal. A bíblia realmente diz que se a mão direita dá, a segunda não precisa saber. Eu concordo com isso, porém devemos olhar as coisas pelo total. É normal que os animais e que as pessoas andem juntas e numa só direção sempre, então quanto mais incentivarmos o que é bom, mais as pessoas irão querer fazer o que é bem. Quanto mais nos calarmos, mais o mal prevalecerá. Temos que divulgar boas ações.

Inclusive o senhor é responsável pela lei dos canudos plásticos, correto?
Implantamos a Lei Nº 401 que proíbe o fornecimento e uso de canudos de material plásticos. O povo pode sim usar canudo, mas deve ser de material plástico. A indústria já faz canudos biodegradáveis. Basta o comerciante ir até o local que vende, pagar alguns centavos a mais e colocar no seu comércio. A natureza agradece. Alguns falam que isso é uma bobagem, mas não é. Eu pergunto à população: “quem de vocês guarda o canudo para reciclagem após o uso?” Quase ninguém, nós não nos lembramos desse inimigo silencioso. Não é à toa que nos deparamos com milhões de canudos plásticos jogados na orla marítima, na beira do mar e nos rios. Muitas pessoas vão falar que copos e garrafas pets causam até mais prejuízo. Tudo bem, eu concordo, mas vamos primeiro fazer um trabalho para que 100% dos canudos sejam biodegradáveis. Vamos primeiro dar esse papo. Posteriormente daremos novos passos com novas questões.

Qual a maior dificuldade que o senhor sente estando na Câmara?
Olha, Rafael, não sinto dificuldades. Acho a Câmara um ambiente saudável, os vereadores sempre se aproximam e conversam, todas as discussões são levadas ao extremo do saudável, até por isso em alguns momentos há demora. Eu vejo que a Câmara trabalha muito, todos os gabinetes, se você verificar, estão com as portas sempre abertas, inclusive, somente neste ano, se não me falha a memória, mais de três mil pessoas já vieram aqui na Câmara para conversar e trazer algum tipo de solicitação para os vereadores. Esse número é apurado pela recepção e ela passa a todos os gabinetes. Então, não vejo muita dificuldade. O presidente Gilmar Rotta é fantástico, ele não nega esforços em atender os vereadores e a população. A Câmara de Vereadores de Piracicaba, para mim, é uma locomotiva.

Um problema que muito tem causado barulho aqui em Piracicaba é a falta de água em todo o município. A não instauração da CPI do Semae enfureceu demais os piracicabanos: 12 vereadores votaram contra a CPI e apenas dez se posicionaram a favor. O senhor foi um dos dez vereadores a favor. Como vereador, como o senhor enxerga essa questão?
Essa votação na CPI foi discutida por um advogado no Plenário da Câmara, onde reconhecemos o seguinte: não temos que olhar para o lado político, e sim pela situação na qual o Semae está passando. No caso, uma CPI engessaria o Semae. O Semae não nega que você o consulte e faça um trabalho de sanação de dúvidas. E é o que está acontecendo. Foi aberta uma Comissão de Estudos, e essa comissão está conversando com funcionários. Temos nessa Comissão o Laércio Trevisan como presidente, o Paulo Serra como vice-presidente e o Kawai como membro. E eles estão trabalhando muito. Tanto que nesses dias eles tiveram que prorrogar prazos por conta do trabalho grande que estão fazendo. Agora nós aguardaremos a conclusão da Comissão de Estudos, e aí chegaremos a pareceres. Isso enfurece a população, porque é uma coisa de momento. A população precisa entender que os vereadores têm família e que elas estão instaladas na cidade. Todos nós vereadores compramos e pagamos pela água. A nossa família também nos questionou o porquê, mas sempre respondemos que os trabalhos estão sendo feitos. A Comissão de Estudos é mista, temos nela três partidos diferentes, e recebe muito apoio. Assim que a Comissão finalmente terminar seus estudos, aí teremos mais discussões a se fazer. Quanto à falta de água, isso também está sendo apurado pela Comissão de Estudos. A comissão não trará as questões para nós vereadores apenas, ela trará as questões para toda a população. Inclusive o vereador Trevisan sempre apresenta alguns resultados lá no plenário da Câmara. Ele, juntamente com Serra e Kawai, estão de parabéns pelo trabalho que fazem.

Se o senhor tivesse que dar uma nota ao atual governo Barjas Negri, que nota seria e porquê?
Eu enxergo essa questão de outro ângulo. Como vereador, fazemos contatos com muitas cidades e políticos da região. Aí olhamos sempre para a situação real econômico do país e cidades vizinhas. Mesmo com o aperto econômico, Piracicaba está pagando o salário dos servidores públicos em dia (inclusive já adiantou 50% do 13º agora no início do mês). Quanto a isso, nota 10. Piracicaba inaugurou dois hospitais, um regional com 139 leitos e uma Faculdade de Medicina. Quem está fornecendo material humano para que na faculdade de medicina haja contato? Os postos de saúde de Piracicaba. E há cerca de 60 dias, foi inaugurado também o hospital do câncer, chamado Hospital Ilumina. Então, em dois anos, três novos postos de saúde foram inaugurados na cidade, sendo dois hospitais e uma faculdade de medicina. A cidade está dando um salto, sem falar dos postos de saúde que passam por construção e ampliação. Graças ao trabalho de todos os vereadores, alinhados com o prefeito Barjas Negri, dou nota de 7 a 8. Não posso ser hipócrita de dar nota 10 porque ainda há muito a ser feito aqui no município. E vamos fazer. É um trabalho incessante.

Para finalizar, quais são suas considerações finais?
Nós, vereadores, agradecemos todos aqueles que nos apoiam. E contamos também com a compreensão daqueles que ainda não conseguimos atender. Já aqueles que nos criticam, fiquem a vontade para nos criticar, mas venham até o nosso gabinete e tragam críticas construtivas para nós. Não queremos críticas ofensivas, queremos algo construtivo para que possamos conversar. Aquele que critica é porque se interessa pela questão e também porque algo o incomodou. Então se alguma coisa incomoda essa pessoa, peço para que ela venha até aqui para que possamos conversar e tentar chegar numa solução. Criticar por criticar não, vamos criticar para construir e aumentar. Se não fôssemos críticos, talvez ainda estivéssemos morando em cavernas. O ser-humano precisa ser crítico, mas crítico-construtivo. Esta é minha consideração final.

Rafael é formado em jornalismo (comunicação social) pela Universidade Mackenzie, em São Paulo. Possui experiência em redações e editoras literárias. Integra a equipe do Jornal PIRANOT desde dezembro de 2017.

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