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Entrevista PIRANOT

Tenente Luciana: “sempre vi a Polícia Militar como uma forma de ajudar as pessoas”

Rafael Fioravanti

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Neste domingo, 12 de maio, além de Dia das Mães, comemora-se também o Dia da Policial Feminina. E para não deixar a data passar em branco, o Jornal PIRANOT traz até você uma entrevista com a Tenente Luciana. Com 38 anos de idade, sendo 19 de carreira, Luciana Batista Telesca é uma mulher de fibra, Tenente da Polícia Militar de Piracicaba (SP). Nesta entrevista concedida ao jornalista Rafael Fioravanti, a Tenente fala sobre o seu trabalho, início de carreira, e claro, manda um recado a todas as mães.

Foto: Wagner Romano / Jornal PIRANOT

Como teve início a sua carreira militar?
Iniciei minha carreira militar como soldado no ano de 2000, aos 18 anos, em São Paulo. Já era um sonho ser policial militar, embora eu não tenha externado esse sonho a ninguém da minha família. Eles ficaram sabendo quando passei do concurso. Foi aí que todo mundo acreditou que eu realmente queria ser policial militar. Já era um sonho de adolescente porque foi uma profissão que sempre admirei. Minha família é do interior de Araçatuba, interior do Estado, de uma cidade pequena de três mil habitantes. Inclusive fui a primeira policial feminina da cidade, o que acabou sendo um orgulho para a família e para a cidade. Fui em 2000 para São Paulo, fiz o curso de soldados e fiquei lá por 11 anos. Nesse período, procurei crescer dentro da carreira; fui soldado, cabo e entrei na Escola de Sargentos em 2010. Ao término do curso, decidi sair de São Paulo e vir para uma vida mais tranquila. Como tive a oportunidade de vir para Piracicaba, cidade que já conhecia e que ainda acho maravilhosa, me mudei para cá a fim de atuar como sargento. Trabalhei aqui em Piracicaba de 2010 a 2013, quando percebi que ainda faltava alguma coisa na minha vida, que era ser oficial da PM. Voltei para São Paulo e estudei na Academia do Barro Branco. Quando acabou a Academia em 2016, fiz a aspirantada em Araçatuba (na região da minha família) e como não tinha mais vagas por lá, tive que escolher outra cidade para trabalhar como oficial. Graças a Deus tive o privilégio de poder voltar para Piracicaba. Hoje eu falo que sou piracicabana. Piracicaba é uma cidade que me acolheu em todos os sentidos, fiz vários amigos por aqui e estou muito feliz exercendo a minha função de oficial dentro da instituição e numa cidade que amo.

Nesses anos todos como policial, qual ocorrência mais te marcou?
São várias ocorrências onde atuei e trabalhei, mas as que mais chamam a atenção são aquelas que envolvem crianças ou pessoas com maior grau de fragilidade. Esse tipo de ocorrência mexe muito conosco até no sentido emocional. Embora sejamos oficiais de polícia, lidamos com várias coisas. Um dia estava chovendo muito forte em Americana e um ônibus acabou se perdendo, caindo dentro de um bueiro e tombando. Eu estava trabalhando neste dia, e, entre os passageiros, havia uma moça grávida. Como chegamos antes de todo mundo, inclusive do Corpo de Bombeiros, tivemos que nos mobilizar para tirar essas pessoas de dentro do ônibus. E naquela ocasião nós não pensamos duas vezes. Não pensamos se tínhamos equipamentos adequados ou como faríamos aquilo. Eu e minha equipe fomos nos ajudando e conseguimos salvar todos sem um arranhão. Esse tipo de ocorrência nos emociona e nos motiva a acreditar que trabalhar nessa profissão vale a pena. Uma missão que Deus nos confiou. Sempre vi a Polícia Militar como uma forma de ajudar as pessoas.

E aqui em Piracicaba? Alguma ocorrência em especial?
Participei de uma ocorrência de tentativa de suicídio no Jupiá. Tinha uma jovem de 16 anos que queria se jogar do 5º andar de um prédio. A equipe do Corpo de Bombeiros já estava lá há horas e nada. Essa ocorrência em especial foi muito difícil, até porque as equipes que estavam lá não conseguiam estabelecer um rapport com a jovem. A vítima simplesmente não respondia nada que eles perguntavam. Nesses casos, precisamos ganhar a confiança da vítima para que ela possa nos ouvir e atender o que estamos falando. As equipes ficaram lá há mais de duas horas sem sucesso nenhum. Quando ouvi essa ocorrência no rádio, já era final de tarde e quase hora de encerrar o serviço. Mesmo assim acabei indo até lá. Fomos até o local e a vimos sentada na janela, com todas as equipes olhando. Um policial veio até mim e disse que haviam tentado de tudo e que ela não dava nenhum retorno. Então decidi ir lá e tentar falar com ela. Subi até o apartamento e fui no quarto ao lado, cuja janela pareava com a janela do quarto onde ela estava. Como ela estava num quadro depressivo muito grande, ela só chorava. Começamos a conversar a fim de eu tentar ganhar a confiança dela, contei coisas da minha vida, disse que também já havia sido uma adolescente e que também já havia tido crises emocionais. Em determinado momento, descobri que ela gostava muito da avó. Pedi para a mãe da vítima ligar para a avó, peguei o celular e conversei por telefone com a senhora do outro lado da linha. Expliquei toda a situação, e acabei voltando à janela para conversar com a vítima. Expliquei à vítima que estava no telefone com a avó dela e disse também à vítima que a avó ficaria muito feliz de conversar com ela. Usei essa estratégia para chamar a atenção da vítima e fazê-la desistir de se jogar da janela. Graças a Deus deu certo. Disse à vítima para abrir a porta do quarto onde ela estava e conversar um pouco com a avó. Voltei para o apartamento e consegui ouvi-la saindo da janela e abrindo a porta. Ela nem chegou a atender o telefone, assim que ela abriu a porta já veio correndo me abraçar. Ela chorou muito. Ficamos uns 15 minutos assim.

Em casos como esses, os policiais recebem algum tipo de apoio psicológico?
Nós temos uma equipe em São Paulo, que é um núcleo de apoio psicossocial, onde há uma equipe de profissionais que trabalha com profissionais. Então sempre que nos deparamos com ocorrências que abalam muito o emocional, como é o caso dessa que acabei de citar, podemos contar com esse núcleo. Além de policial, eu também sou mãe e embora meu filho tenha 13 anos de idade, eu ainda falo que ele é o meu bebê. Todas as vezes que me deparo com uma ocorrência dessa e consigo fazer a diferença, passo a ter certeza de que estou no lugar certo. Deus sempre me leva a situações onde posso ajudar. Eu exerço uma profissão que gosto e que faz a diferença na vida das pessoas. Isso eu tenho feito desde os meus 18 anos de idade.

Na sua opinião, qual o principal problema que Piracicaba enfrenta atualmente?
Nós temos o privilégio de estarmos numa cidade bonita e com pessoas bem civilizadas. Como eu já trabalhei em São Paulo, uso a capital como referencial para as coisas. A capital é diferente do interior. Piracicaba já esteve na lista dos municípios interioranos com maior segurança e, somado a isso, nossos índices criminais estão diminuindo cada vez mais por conta de um trabalho conjunto. Trata-se de um trabalho que envolve a Polícia Militar, Guarda Civil, Polícia Civil, etc. Fazemos operações conjuntas a fim de minimizar a quantidade de crimes. Em 2018, tivemos uma melhora muito significativa na ocorrência de furto e roubo de veículos. Quando notamos aumento em algum tipo de crime, fazemos logo um policiamento voltado a ele. De forma geral, Piracicaba é uma cidade tranquila para se viver.

A Polícia Militar possui também um sistema de SMS voltado a pessoas com deficiência. Me conte um pouco mais sobre isso.
Esse projeto está implantado na PM desde 2012. Foi elaborado um sistema para que pessoas com deficiência auditiva ou de fala (PCD) tenham a possibilidade de chamar a polícia via SMS — seja se acontecer algo com ele ou se ele precisar de ajuda. Então a PM está cada vez mais tentando prestar um serviço de qualidade, inclusive com foco na inclusão social. Verificamos que essa comunidade é muito grande e sequer percebemos. Depois que começamos a divulgar esse serviço, percebemos quantas e quantas pessoas estão vindo até o quartel para fazer o cadastro.

Como funciona esse sistema voltado às PCD’s?
Eles vão até o batalhão << sito na Rua Américo Vespúcio nº 438, Algodoal >> e fazem um cadastro com nossa equipe. A partir do momento que esse cadastro é feito, eles já podem começar a mandar SMS se precisarem de ajuda, seja pelo telefone 190 ou 193. O cadastro é feito conosco aqui no Batalhão (ou no quartel) por uma simples razão: para que possamos ter um controle melhor das pessoas que estão cadastradas, não onerando o sistema 190. Na semana passada (do dia 29 de abril a 03 de maio), fizemos o cadastro de 18 pessoas em uma só tarde.

Qual o maior conselho que a senhora pode passar a um(a) jovem que deseja seguir carreira na PM?
Fazer o que a gente ama já faz uma grande diferença. Quando trabalhamos com amor, tudo flui. Quando eu escolhi, fui agraciada, porque escolhi seguir uma profissão que já estava no meu coração. Não tive dúvidas. E a partir do momento que ingressei na PM, analisando melhor o grande leque de opções que existe dentro da instituição (Rocam, bicicleta, Força Tática, Rota, COE, Ambiental, Rodoviária, Ronda Escolar), você acaba percebendo que consegue fazer o que quiser. Às vezes o jovem acha que vai entrar na polícia e simplesmente sair trocando tiro com bandido, não é assim. Eu incentivo todos os jovens a prestarem o concurso e a conhecerem. O jovem certamente vai acabar se encontrando aqui dentro da instituição, visto que aqui há serviço para todo mundo. Muitos jovens já entram aqui na instituição com Ensino Superior, então eles podem usar aqui dentro da instituição os conhecimentos que eles ganharam fora. Aqui temos jornalistas, psicólogos, assistentes sociais, enfim, pessoas que agregam. Aqui o jovem não vai perder nada do que aprendeu lá fora, aqui todo conhecimento é utilizado. Aqui dentro da instituição, o jovem passa por várias conquistas, inclusive essa de poder ajudar o próximo. Isso não tem preço.

Este domingo é Dia da Policial Feminina, e, principalmente, Dia das Mães. A senhora gostaria de mandar um recado?
Sou mãe, dona de casa e policial militar com muito orgulho. Sem querer desmerecer os homens, mas a mulher possui uma capacidade de conciliar diversas coisas ao mesmo tempo. Muitas vezes a gente acha que não vai dar conta, porque há filho, casa, profissão, porém sempre conseguimos fazer de tudo um pouco. Dentro da polícia, nós, mulheres, somos um pouco mais de 13% do efetivo. E cada vez mais a mulher cresce dentro de todos os segmentos da instituição. A gente dá uma cara diferente ao serviço. E neste dia 12 de maio, além de Dia das Mães, o policiamento feminino no Estado de São Paulo completa 64 anos. É um imenso prazer comemorar ambas as datas no mesmo dia. A mulher é emocional, então acaba sempre olhando as ocorrências com outros olhos; já o homem, por ser mais racional, não consegue perceber determinadas coisas. Isso completa o serviço. Homens e mulheres devem trabalhar juntos para que haja o equilíbrio. Estou muito feliz nesse Dia das Mães. Meu filho tem muito orgulho de mim e acho isso maravilhoso. Como mãe e mulher na vida dele, eu vejo que cumpri o meu papel. Eu mando um grande abraço a todas as mães, que tudo seja muito completo na vida de todas. Ser mãe é uma dádiva maravilhosa que Deus nos deu.

Foto: Wagner Romano / Jornal PIRANOT

Foto: Wagner Romano / Jornal PIRANOT

Foto: Rafael Fioravanti / Jornal PIRANOT

Rafael é formado em jornalismo (comunicação social) pela Universidade Mackenzie, em São Paulo. Possui experiência em redações e editoras literárias. Integra a equipe do Jornal PIRANOT desde dezembro de 2017.

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    Maria

    12 de maio de 2019 at 12:36

    Parabéns

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Entrevista PIRANOT

Juliana Ricci: “Hoje vejo a educação falhando e vejo também famílias desestruturadas”

Rafael Fioravanti

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Nascida em 21 de abril de 1977, Juliana Ricci tem 42 anos e atua como delegada da Polícia Civil de Piracicaba. Com 15 anos de carreira e ideias pontuais, ela recebeu o jornalista Rafael Fioravanti, do PIRANOT, em sua sala no prédio da DIG (Delegacia de Investigações Gerais) para um bate-papo. Com pontualidade, Juliana Ricci teceu comentários à questão da segurança no município de Piracicaba, discorreu sobre a redução da maioridade penal, pontuou a ação da Polícia Civil no combate ao tráfico de drogas, e defendeu, acima de tudo, mudanças mais enérgicas na lei. Confira abaixo a entrevista na íntegra.

Foto: Wagner Romano / Jornal PIRANOT

Primeiro, gostaria que a senhora contasse um pouco do seu começo na Polícia Civil.
Comecei em São Paulo no ano de 2004, trabalhando no 15º Distrito Policial no Itaim Bibi. Trabalhei lá até janeiro de 2006, quando saí para entrar na Corregedoria da Polícia Civil em São Paulo. Fiquei lá até dezembro de 2010. Posteriormente, vim aqui para Piracicaba, onde trabalhei na Corregedoria de janeiro de 2011 até março de 2015. Passei também pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), onde fiquei até janeiro de 2017; na Unidade de Polícia Judiciária (UPJ), onde fiquei até 26 de fevereiro de 2019; e atualmente estou na DIG (Delegacia de Investigações de Gerais).

Como é o início de carreira de uma delegada?
É uma carreira diferente. A maioria das carreiras jurídicas não é tão dinâmica, não tem essa parte dinâmica de comparecer, por exemplo, no local de um crime, de andar de viatura, de ver a ocorrência in loco. A maioria das carreiras já recebe a ocorrência no papel, como é o caso dos Procuradores do Estado, da Defensoria, e Ministério Público. Eles recebem a ocorrência depois que ela já aconteceu. Não é o caso dos delegados. Aqui nós recebemos as ocorrências no momento que ela está acontecendo, e, assim, a materializamos no papel. Isso faz com que a gente sinta a cobrança da sociedade, o clamor, o sentimento, a vulnerabilidade que a sociedade tem. Tudo o que as pessoas estão sentindo no momento que a ocorrência está acontecendo a gente sente, nós temos esse contato direto.

Eu gostaria que a senhora elucidasse como é a rotina e o dia-a-dia de uma delegada. Quais são as atribuições?
A gente preside as investigações. Nossas atribuições são presidir os inquéritos policiais (que ficam a cargo dos escrivães de polícia) e as investigações, além de comandar as equipes de investigação.

Um dos crimes mais corriqueiros aqui no município, pelo que vemos, é o tráfico de drogas. Como o tráfico está organizado aqui em Piracicaba atualmente e o que a polícia tem feito para combatê-lo?
O tráfico, infelizmente, é hoje uma demanda nacional, se não for mundial; tanto que existe hoje vários acordos internacionais de combate ao tráfico. E aqui em Piracicaba, nós estamos executando ações de combate. Estamos prendemos traficantes, conduzindo investigações. Este tem sido nosso trabalho e estamos tendo bastante êxito, tanto que, toda semana, temos bastante flagrante e captura de traficantes. Agora eu sinceramente não coloco o tráfico como um problema da nossa cidade, mas como um problema mundial.

Como a senhora analisa a questão dos recursos humanos aqui na Polícia Civil? Faltam pessoas ou o efetivo é suficiente?
Faltam pessoas! Hoje o próprio sindicato já tem um levantamento do número de policiais que faltam. Isso é uma realidade, infelizmente.

Como a senhora analisa a questão da segurança pública aqui em Piracicaba atualmente? O município é seguro?
Eu acho Piracicaba uma cidade segura. O município é grande e tem uma taxa de criminalidade real, não adianta sermos hipócritas, porém não se trata de uma cidade insegura. Em relação a outros municípios, é bastante segura e está bem dentro das estatísticas.

Na sua opinião, o que deve ser feito para que tenhamos números ainda mais positivos no quesito segurança?
Quando falamos de segurança nós estamos, na realidade, falando de repressão. Estamos precisando parar de construir a casa pelo telhado. A casa deve ser construída primeiro pelo alicerce. É claro que devemos reprimir quem erra, porém é necessário que se invista em educação. Se pegarmos as estatísticas do Brasil, veremos que a taxa de criminalidade cresceu conforme caiu a taxa de educação. Então precisamos nos apegar não à repressão, mas à educação; esse é o alicerce. Se houver mais investimento em educação, acredito que diminuiremos a taxa de criminalidade. Hoje vejo a educação falhando e vejo também famílias desestruturadas. Eu vejo muitos pais perdidos na educação dos filhos. Antigamente os pais eram repressores, hoje já estão muito permissivos. E as crianças que crescem nessa permissividade já estão chegando na idade adulta. Vejo família a educação falhando, e isso acaba refletindo na repressão.

Qual é a sua opinião a respeito da redução da maioridade penal?
Sou a favor, acho que tem que diminuir a maioridade penal e já passou da hora de fazermos isso. É inconcebível que, no Brasil, se possa eleger o presidente da República, mas que não se possa subordinar às leis. Isso é inconcebível, não conheço nenhum outro país onde isso acontece.

De todos os casos que a senhora presidiu, qual mais te marcou?
São vários, porém o que mais me marcou foi o caso de uma menina que, aos dez anos, ficou grávida do padrasto. Aconteceu aqui em Piracicaba. E essa menina teve um filho do padrasto e a mãe acobertava tudo. Esse caso foi o que mais me marcou, até pela situação em que a garota ficou.

Qual é a maior dificuldade que a senhora enfrenta no trabalho atualmente?
Eu acredito que seja a impunidade. Isso não é culpa da polícia ou do judiciário, mas da nossa própria legislação. Nós vemos aí na internet que o Alexandre Nardoni, condenado pela morte da própria família, já está quase saindo da cadeira; vemos que Suzane Von Richthofen, responsável pela morte dos próprios pais, tem direito ao indulto de “saidinha”; tudo isso gera na sociedade o pensamento de que a justiça não resolve. Isso faz com que muitas testemunhas se calem perante um crime, pois elas têm certeza de que amanhã o criminosos estará nas ruas. Não estamos conseguindo passar à testemunha a segurança de que ela está protegida. Por mais que os órgãos trabalhem, amanhã o criminoso estará na rua — nossa legislação é uma mãe para ele. Num país sério, esses criminosos morreriam na cadeia ou seriam condenados à pena de morte. Essa é a maior dificuldade.

Como mudamos isso?
Difícil! É preciso mudar a legislação penal.

Se a senhora tivesse que mencionar uma pessoa que a influenciou, não só no trabalho mas também na vida, quem seria?
Acho que minha mãe, por sinônimo de garra, conduta, correção. Ela falava que tínhamos que lutar pelo que queríamos, sem depender de ninguém. Nesse ponto eu colocaria minha mãe como a pessoa que mais me influenciou.

Quais são suas considerações finais?
Acho que temos que acreditar que as coisas vão melhorar. E temos que exigir dos nossos representantes que a legislação penal mude, cobrando uma sanção daquele que infringiu a legislação. Nós, cidadãos de bem, estamos pagando a pena do cidadão que não é de bem. Tivemos uma reforma grande no Congresso, histórica, e agora acho que compete a nós cobrarmos um pouco dos nossos representantes uma alteração na legislação para que a impunidade seja diminuída.

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Cultura

Adolpho Queiroz e Erasmo Spadotto concedem entrevista exclusiva ao Jornal PIRANOT

Rafael Fioravanti

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Ninguém tem mais conhecimento que Adolpho Queiroz e Erasmo Spadotto para falar sobre o Salão Internacional de Humor de Piracicaba. Adolpho tem propriedade para falar a respeito, pois foi um dos fundadores do Salão, lá no longínquo ano de 1974. Por outro lado, Erasmo Spadotto trabalhou décadas como chargista na imprensa local e, atualmente, atua como diretor do Salão. Nesta entrevista concedida ao jornalista Rafael Fioravanti, do Jornal PIRANOT, Adolpho e Erasmo falam sobre a história do Salão, e, principalmente, sobre a movimentação cultural em Piracicaba. Bate-papo interessante para ninguém botar defeito.

Erasmo Spadotto e Adolpho Queiroz.  Foto: Wagner Romano / Jornal PIRANOT

Antes de tudo, gostaria que os senhores contassem suas trajetórias até o momento.
Adolpho Queiroz: Sou jornalista e publicitário. Comecei a trabalhar aos 15 anos no Jornal O Diário de Piracicaba. Em 1980, me formei em publicidade pela Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba), pois na época ainda não tínhamos um curso de jornalismo na universidade. No fim, acabei me dando bem na publicidade. Fiz uma trajetória como professor universitário, pois leciono já há mais de 35 anos. Uma das melhores coisas que guardei do jornalismo foi o Salão de Humor. Ele foi criado no jornal O Diário, quando eu ainda trabalhava lá. Eu fui convidado pelo Alceu Righetto e juntos fizemos o primeiro Salão de Humor de Piracicaba, sem qualquer perspectiva de seguir em frente para uma segunda ou terceira edição. E hoje, já estamos na 46ª edição do Salão de Humor. São 46 anos ininterruptos, somos o salão mais antigo do mundo atualmente. Outros países já fizeram um salão nos mesmos moldes, porém pararam. Só nós que continuamos ininterruptamente. Isso é um orgulho para Piracicaba.
Erasmo Spadotto: Eu já comecei como chargista no Jornal de Piracicaba em 1992. Entrei lá para trabalhar como revisor, porém, como eu também sabia desenhar, passei a fazer trabalho de chargista. Fiquei 25 anos como chargista no jornal. Fui convidado para trabalhar no Salão de Humor só em 2014. Aí fazia meio período no Salão de Humor, e, à tarde, ia para o jornal. Como diretor do Salão, atuo há três anos. Até então eu apenas trabalhava na equipe, não na direção.

Todo artista que envia um trabalho ao Salão de Humor recebe um feedback? Pergunto isso, pois, em 2018, o Salão de Humor recebeu 2.638 trabalhos.
Erasmo Spadotto: O artista manda o trabalho e só vai saber se foi selecionado depois que a seleção é feita. A gente divulga a lista dos selecionados, até porque não há como responder um por um. E quando o artista finalmente é selecionado, a chance de ele ser premiado é grande.

E como um trabalho tem que ser enviado?
Erasmo Spadotto: Hoje o Salão de Humor recebe tanto digital quanto original. Como a grande maioria dos artistas faz o trabalho diretamente no computador, acaba não existindo um original. Existe apenas um arquivo digital. Esse trabalho daí acaba sendo enviado por e-mail.

Na opinião dos senhores, qual o principal motivo para o nascimento do Salão?
Adolpho Queiroz: Em 1974, nós estávamos no auge da Ditadura Militar. Na época, havia uma reação na sociedade brasileira contra a presença dos militares no governo. Havia descontentamento. Havia uma pauta de reivindicações, queríamos anistia para os presos políticos e havia um grande desejo de ver mais estudantes nas decisões da sociedade, até porque o movimento estudantil era muito forte. Tudo isso culminou no nascimento d’O Pasquim, no Rio de Janeiro, endossado por artistas como Ziraldo, Millôr, Jaguar, etc. Quando O Pasquim chegava aqui em Piracicaba, nas manhãs de segunda-feira, era uma luta para conseguir uma cópia. O Pasquim era um jornal que contestava muito a Ditadura Militar. Mais ou menos nessa época, houve um Carnaval de rua aqui em Piracicaba. Fomos convidados para fazer a cobertura do evento e conversar com os jurados do Carnaval que estavam hospedados no Hotel Beira Rio. Ficamos todos ali com os jurados, conversando e tomando umas cervejas. Então, em determinado momento da entrevista, o Alceu explicitou pela primeira vez perante um jornalista da Folha, chamado José Maria do Prado (membro do júri na época), a intenção de montar um Salão de Humor em Piracicaba.

E por que o Alceu escolheu Piracicaba?
Adolpho Queiroz: Porque gostávamos do Pasquim e éramos jovens.

Havia algum motivo geográfico nisso?
Adolpho Queiroz: Nenhum! Foi uma simples coincidência. Aí o Alceu perguntou para esse José Maria do Prado se ele conhecia o Ziraldo. O Alceu disse que queríamos ir ao Rio de Janeiro para pedir ajuda na organização do Salão de Humor daqui de Piracicaba. O José Maria respondeu que não conhecia o Ziraldo, mas que conhecia o Zélio, ou seja, o irmão do Ziraldo. O José Maria era amigo do Zélio, pois o Zélio também morava em São Paulo e também trabalhava como jornalista. Fomos para São Paulo, contamos nossa história para o Zélio, ele ficou encantando e daí acabou entrando em contato com o Ziraldo. Foi assim que rolou. Como a Prefeitura de Piracicaba não tinha dinheiro para destinar uma verba inicial para o Salão de Humor, ficamos sabendo que o Luiz Antônio Lopes Fagundes — secretário municipal de Turismo de Piracicaba de 1973 a 1976 — já tinha manifestado vontade de criar um salão de fotografia aqui em Piracicaba. Ele tinha 10 mil cruzeiros em mãos para fazer esse salão de fotografia, mas como a ideia acabou não dando certo, ele deu esse dinheiro para nós.

Onde foi o primeiro Salão de Humor?
Adolpho Queiroz: O primeiro Salão foi feito debaixo da Difusora, onde havia também a antiga banca do Toninho Gianetti, o Café do Bule e, ao lado, o Edifício Kennedy, onde funcionava o Banco Português Brasileiro. O primeiro Salão do Humor de Piracicaba teve 700 trabalhos e mais de 120 artistas, todos brasileiros. Foi uma festa.

O Salão de Humor é um evento de grande valor artístico aqui em Piracicaba. Levando em conta a sua importância, os senhores acham que o Salão tem seu devido reconhecimento atualmente aqui no município?
Adolpho Queiroz: Tem! Porque o Salão tem bastante visitação. Muita gente de Piracicaba e região costuma visitar todos os anos.

Erasmo, o senhor agora é diretor do Salão de Humor. Qual é a maior dificuldade desse trabalho?
Erasmo Spadotto: A maior dificuldade é montar e organizar o Salão. Embora o Salão só aconteça em agosto, temos que trabalhar durante todo o resto do ano para fazê-lo acontecer. Eu não digo que isso seja uma tarefa complicada, mas uma tarefa trabalhosa. Temos que receber todos os trabalhos, organizá-los, convidar os artistas para comporem o júri (inclusive jurados estrangeiros), enfim, é muita coisa. A organização é complicada.

Em 2018, conforme já falei, o Salão de Humor recebeu 2.638 trabalhos. Como é feita a seleção de trabalhos?
Adolpho Queiroz: A seleção é feita com um mês de antecedência para a premiação. Convidamos para compôr o júri cartunistas de São Paulo e região, jornalistas, pesquisadores da área de comunicação e educadores. Então, em um final de semana, eles fazem a parte mais difícil, que é peneirar os trabalhos e fazer os 2.638 trabalhos recebidos se tornarem apenas 400. Essa é a parte mais complicada e dolorosa.
Erasmo Spadotto: É um final de semana de trabalho intenso. Começamos às 08h de sábado e estendemos até às 20 horas. No domingo é a mesma coisa.

E o que é feito com os trabalhos não selecionados?
Erasmo Spadotto: Os trabalhos originais nós devolvemos aos artistas através dos Correios. Já os digitais, que não são selecionados, ou apagamos ou guardamos em nosso acervo.

Vocês já pensaram em publicar um livro com todos esses trabalhos não selecionados? De repente, isso poderia se tornar até mesmo uma compilação de trabalhos desconhecidos.
Adolpho Queiroz: Nós nunca fizemos isso por respeito ao júri de seleção. Se o júri afunilou naqueles 400 trabalhos, seria desagradável para ele se nós pegássemos os trabalhos não selecionados e publicássemos.

Como os senhores enxergam os movimentos culturais aqui em Piracicaba atualmente? Dizem que Piracicaba é um celeiro de grandes artistas.
Adolpho Queiroz: Piracicaba é uma cidade diferente. A cidade possui uma boa estrutura para teatro, música e festas populares, etc. Nós temos cinco salões de arte aqui no município: o Belas Artes, Arte Contemporânea, o Aquarela e o próprio Salão de Humor. Todos sob a guarda da Prefeitura. E temos ainda o Naïf, que funciona sob a guarda do Sesc. Então, se você pegar a agenda cultural de Piracicaba, vai ver que toda semana tem alguma coisa acontecendo, seja no teatro, no cinema, na música ou na literatura. Em 2018, tivemos 36 lançamentos de livros só aqui em Piracicaba, praticamente só de autores locais.
Erasmo Spadotto: A movimentação cultural aqui no município é super intensa. Se você pegar Campinas, por exemplo, eles não têm metade da movimentação cultural que temos aqui. É preciso reforçar também que o poder público até muda de legenda a cada quatro anos, porém o trabalho é sempre continuado. Isso é importante. Poderia muito bem um governo terminar o mandato dele em quatro anos, e o novo que entrasse resolvesse parar com tudo que é feito. Então, há esse compromisso do poder público. Todos esses salões que o Adolpho citou são importantíssimos para a movimentação cultural do município.

Como os senhores enxergam o Salão de Humor no futuro?
Erasmo Spadotto: Vou usar como exemplo a categoria meme. Assim que um jogo de futebol chega ao fim, vários memes a respeito do jogo já começam a cair na internet. Isso prova que o Salão já está no futuro e que o artista está sempre se atualizando.
Adolpho Queiroz: Eu, que sou da velha guarda, posso dizer que nosso grande sonho é criar em Piracicaba um museu para o Salão de Humor. Durante o governo do Gabriel Ferrato, nós contratamos o Marcelo Dantas — pessoa responsável pelo Museu do Futebol no Pacaembu e também pelo Museu da Língua Portuguesa. E ele fez um belo projeto para o Salão do Humor. O problema é que a crise econômica dos últimos anos ainda não permitiu que o poder público desse esse presente para Piracicaba. Porém vamos continuar lutando para que isso aconteça. Se isso acontecer, as pessoas terão uma exposição permanente e poderão visitar o museu o ano inteiro.
Erasmo Spadotto: As pessoas precisam de algo nos mesmos moldes do Museu do Futebol no Pacaembu. Você tem que entrar no local e ser capaz de ver trabalhos premiados em 1985, por exemplo. Quem foi o autor? Quem ele é? O que faz hoje? A biografia do autor tem que estar lá disponível, isso é importante para manter a história viva.

Existe algum ponto curioso a respeito do Salão de Humor? Algo que seria interessante de as pessoas saberem?
Adolpho Queiroz: Há uns dois anos, recebemos aqui em Piracicaba o Arturo Kemches do México. E ele deu uma entrevista à imprensa local dizendo o seguinte: “O Salão de Humor de Piracicaba é a espinha dorsal dos salões do mundo”. Às vezes, nós até achamos que estamos fazendo pouco, porém o respeito mundial pela característica do nosso trabalho está aí.
Erasmo Spadotto: As inscrições para o Salão de Humor foram abertas em 25 de março. Porém, antes disso, já estávamos recebendo trabalhos. Os artistas já sabem que o Salão vai acontecer e confiam na história. Para este ano, já recebemos alguns trabalhos estrangeiros, de artistas da Bélgica, Ucrânia e até do Irã. Hoje o Salão funciona da seguinte forma: “se você divulgar, vai aumentar; se você não divulgar, vai manter.”

Se nós tivéssemos que mencionar uma pessoa que influenciou os senhores não só profissionalmente, mas também como pessoa, quem seria?
Adolpho Queiroz: O meu tributo vai ao Alceu Righetto, que foi o cara que jogou essa ideia no ar, há 46 anos, numa conversa, digamos, de boteco. Eu lutei muito para que o Salão reconhecesse o trabalho do Alceu.
Erasmo Spadotto: Uma pessoa que muito me influenciou é o Angeli. Ele foi fundamental na minha carreira como chargista.

Neste ano, o Salão Internacional de Humor de Piracicaba acontecerá do dia 10 de agosto a 27 de outubro.

Foto: Wagner Romano / Jornal PIRANOT

Foto: Wagner Romano / Jornal PIRANOT

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Entrevista PIRANOT

Fábio Rizzo: “Hoje a grande dificuldade da Polícia Civil e dos delegados é nossa legislação”

Rafael Fioravanti

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O delegado Fábio Rizzo de Toledo nasceu no dia 06 de outubro de 1969 e atualmente é responsável pelo 4º e 5º Distrito Policial de Piracicaba. Com muito carisma, ele concedeu uma entrevista ao jornalista Rafael Fioravanti, do PIRANOT, onde falou sobre sua profissão, sobre a questão da segurança em Piracicaba, sobre ações de combate à criminalidade, e, principalmente, das dificuldades que enfrenta à frente do trabalho. Para ele, nosso Código Penal precisa ser revisto e, aqui, ele explica o porquê. Entrevista interessante, não deixe de ler.

Foto: Wagner Romano / Jornal PIRANOT

Gostaria que o senhor fizesse uma breve retrospectiva de sua carreira na Polícia Civil até hoje.
Comecei minha carreira como delegado de polícia em 1994, fui para a Academia em agosto deste ano. Ao término da academia, fui trabalhar na delegacia de polícia de Rio das Pedras, onde fiquei um tempo como adjunto. Em seguida fui transferido para a DISE (Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes) daqui de Piracicaba. Eu trabalhei na DISE junto com o Doutor Noel, que era o delegado titular. Posteriormente, fui transferido para Limeira, onde fiquei na Delegacia de Investigações Gerais (DIG) por aproximadamente seis anos. Então, em dezembro de 2016, recebi um convite para retornar a Piracicaba. Aceitei esse convite e fui trabalhar na DIG, onde permaneci por um ano. Posteriormente fui transferido para o 5º Distrito Policial, onde estou até o presente momento.

Um dos crimes mais corriqueiros aqui no município, pelo que vemos, é o tráfico de drogas. Como funciona o tráfico de drogas aqui no município atualmente e o que a Polícia Civil tem feito para combatê-lo?
Realmente o maior número de flagrantes que fazemos atualmente aqui no município é o tráfico de drogas. Isso tem duas indicações: (1) o tráfico realmente existe, e (2) está havendo combate. Se há prisões é porque fazemos o combate, é porque as investigações estão sendo feitas. Então, tanto a Polícia Civil quanto a Polícia Militar e a Guarda Municipal se preocupam com o combate ao tráfico. Acredito que as prisões se devem ao policiamento que tem sido feito.

O efetivo atual da Polícia Civil é eficiente no combate à criminalidade aqui em Piracicaba?
O efetivo da Polícia Civil passa por um problema a nível estadual. Nós certamente precisaríamos mais de policiais, porém o número de policiais à nossa disposição atualmente aqui no 5º DP está sendo suficiente. Estamos conseguindo atender o público e dar uma resposta à sociedade em várias situações, principalmente em ocorrências mais graves. Acho que o efetivo da Polícia Civil poderia sim ser melhorado, mas isso não é uma desculpa a qual podemos nos agarrar. Diante disso, nem que haja necessidade de um sacrifício maior, temos que continuar fazendo policiamentos e investigações, que é a atribuição da Polícia Civil.

Como o senhor analisa a questão da segurança no município atualmente?
Acredito que Piracicaba se encontra numa situação privilegiada, até porque tivemos uma redução no índice de criminalidade. Nós não podemos dizer que Piracicaba é uma cidade tomada pela marginalidade. Existe um forte policiamento da Polícia Civil, Militar e também da Guarda Civil, que nos apoia muito. Estamos numa situação dentro da normalidade.

De todos os casos que o senhor presidiu até o momento, qual mais te marcou?
Todos os casos que participamos e solucionamos são importantes, mas sempre há casos que acabam ganhando maior repercussão e publicidade na mídia. Eu não consigo ver um caso que eu tenha participado e que mais tenha chamado a minha atenção, todos são satisfatórios para mim. É satisfatório conseguir solucionar um crime e colocar um bandido na cadeia, tanto faz se é roubo de veículo ou de um botijão de gás. Às vezes, o botijão de gás é muito mais importante para a vítima do que o veículo. Então todo esclarecimento de crime é satisfatório.

Como delegado, qual a maior dificuldade que o senhor enfrenta no trabalho atualmente?
Hoje a grande dificuldade da Polícia Civil e dos delegados é a nossa legislação. Ela precisa ser revista, principalmente o Código de Processo Penal, as Leis de Execuções Penais e o próprio Código Penal. Se houvesse uma legislação que favorecesse mais o trabalho policial, isso certamente contribuiria muito mais para a segurança pública.

Discorrendo um pouco sobre a questão da maioridade penal, o senhor é contra ou a favor?
Eu sou a favor que o adolescente que já tenha consciência do que faz seja responsabilizado. Hoje temos adolescentes com 17 anos de idade cometendo crimes igual um cidadão maior de idade. E esse adolescente de 17 anos já está tem plena consciência do que é certo e do que é errado, logo ele já tem condições de ser responsabilizado criminalmente.

No ano passado, o senhor foi homenageado com uma Moção de Aplausos pela Câmara de Vereadores de Piracicaba. Qual o sentimento disso?
É muito gratificante. Minha equipe recebeu essa moção e isso nada mais é do que um reconhecimento do trabalho que estamos realizado. É o que sempre digo aos meus funcionários, amigos e pessoas que conheço: o reconhecimento é o principal combustível que nos mantém na luta diária pelo combate à criminalidade. O reconhecimento é sempre gratificante, seja da sociedade ou de qualquer outro órgão, como foi, neste caso, da Câmara municipal.

Se o senhor tivesse que mencionar uma pessoa que o influenciou, não só no trabalho mas também na vida, quem seria?
Eu acabei optando em seguir a carreira de delegado por influência de três pessoas. Essas pessoas foram meu pai, já falecido; meu irmão mais velho, Gabriel Fagundes de Toledo Neto, que também é delegado de polícia; e um amigo da família, Doutor Adilson Toniolo. Todos nós nos espelhávamos muito no Doutor Adilson.

Qual o maior conselho que o senhor pode passar a um jovem que pretende seguir carreira de delegado?
O maior conselho é que o jovem corra atrás dos seus sonhos. A profissão de delegado exige sacrifícios e muitas vezes até distanciamento da família em datas festivas, como Natal, Réveillon, Dia dos Pais, Dia das Mães, etc. Por outro lado existe também a gratificação. É como eu já disse: a sensação de trabalhar em prol da sociedade, de fazer algo positivo por ela, é gratificante. Não tem preço.

Por fim, quais são suas considerações finais?
Eu faço um apelo à sociedade: antes de exigirmos condutas do governo e dos outros, a mudança deve começar por nós, procurando sempre agir com consciência. Um dia eu passei por um comando da Polícia Militar e vi veículos, que haviam acabado de passar por aquele comando, dando sinal de luz para os veículos que iriam passar. Se você dá sinal de luz para avisar que há um comando pelo local, muitas vezes você pode estar ajudando um criminoso dentro do veículo a escapar do comando. Por isso, antes de exigir bons modos e atitudes corretas (seja do governo ou de outras pessoas), a pessoa precisa praticar essas ações primeiro. Gostaria que as pessoas tivessem essa consciência. Façam o certo antes de exigir.

Foto: Wagner Romano / Jornal PIRANOT

Foto: Wagner Romano / Jornal PIRANOT

Fábio Rizzo

Foto: Wagner Romano / Jornal PIRANOT

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Entrevista PIRANOT

Nídio Ferreira: “Quando surgiu a internet, todo mundo disse que o rádio acabaria”

Rafael Fioravanti

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A rádio é uma das grandes paixões dos brasileiros, quanto a isso não há dúvidas. De acordo com um levantamento feito em 2018, cerca de 91% dos brasileiros têm o costume de ouvir rádio. Ciente disso, o Jornal PIRANOT decidiu chamar o radialista Nidio Ferreira para um bate-papo interessante.

Nascido no dia 15 de novembro de 1972, Nidio possui 46 anos e trabalha com rádio desde o início dos anos 90. Apesar de já possuir uma vasta bagagem, trabalha desde 2006 na 92 FM, ao lado dos também radialistas Juca e Celso, onde apresenta o “Show da Manhã”. Confira abaixo a entrevista que Nidio Ferreira concedeu ao jornalista Rafael Fioravanti, do PIRANOT.

Nidio Ferreira

Foto: Wagner Romano / Jornal PIRANOT

Como foi o seu começo na rádio?
Eu nem imaginava que fosse trabalhar em rádio. Já fui borracheiro, cobrador de ônibus, policial do exército na AMANA (Academia Militar das Agulhas Negras), enfim. Posteriormente, em 1992, decidi vir para Piracicaba, onde arrumei emprego numa fábrica de resinagem em Tupi. Comecei a ouvir a Difusora nessa época. Me lembro que o radialista sorteou um convite para Auto Cross. Ganhei, aí fui lá buscar o convite com o Valmir Padilha e fiquei amigo dele. Comecei meus trabalhos na rádio à noite, vendo como as coisas funcionavam. Quando ele saiu de lá e foi para a Educadora FM (atual Jovem Pan), surgiu uma vaga de aprendiz. Aí o Celso Melotto me deu a oportunidade de fazer a parte técnica. Em 1994, a Rádio Transamérica também veio para cá e comecei a fazer alguns trabalhos como operador de áudio. Aos poucos comecei a fazer gravações, depois comecei a fazer flashs. Meu trabalho numa rádio começou mesmo na 97 FM. No total, já trabalhei umas três vezes na Difusora, umas duas vezes na 97 e fiquei mais cinco anos na Onda Livre. Em 2006, eu fui chamado pela 92 FM, ao lado do Juca. Trabalhávamos com notícias, mas também fazíamos um pouco de humor. Aí entrou também o Celso Melotto, e as coisas estão assim até hoje.

Quais são as suas referências no rádio? Quem você usa como fonte inspiradora?
Ah, gosto de muita gente. Gosto do Vanderlei Albuquerque, e ele nem sonha que eu acho isso. Ainda que não seja o tipo de trabalho que eu faça, eu o admiro porque ele faz um jornalismo gostoso. Gosto também do Gerson Mendes na parte de esportes. Outra pessoa que gosto é o Daniel Rogero, que, por sinal, foi um cara que começou depois de mim. Admiro muito a locução que ele faz. Ele era ouvinte da rádio quando comecei.

Qual a maior dificuldade do rádio atualmente?
Acho que são os donos. Hoje em dia quem toca uma rádio são os próprios radialistas que estão ali convivendo com o ouvinte.

Na sua concepção, uma rádio é aberta para coisas novas ou segue ainda um modelo mais tradicional?
Às vezes, poderíamos abrir mais o leque, mas não temos autonomia para isso. Manda quem pode, obedece quem tem juízo. Mas julgo importante que saibamos nos reciclar. Quando surgiu a internet, todo mundo disse que o rádio acabaria… e não foi o que aconteceu. Hoje a internet é uma aliada do rádio, trabalham em conjunto. E às vezes, por mais que um empresário tente ajudar, ele acaba não se ajudando. Não nos atrapalha, mas também não trazemos inovações.

E o maior ponto positivo do rádio atualmente?
Informação instantânea! Hoje possuímos o WhatsApp da rádio que permite colaborações. O pessoal nos envia os acontecimentos e nós já colocamos no ar no mesmo instante.

Quais são as etapas da criação de um programa (de sua concepção até o momento que ele chega na casa do ouvinte)?
Em relação aos programas que eu, Juca e Celso fazemos, foi uma criação de última hora, por isso não teve uma plástica (cronograma). Toda rádio tem plástica, mas no nosso programa não existe isso. Nós fazemos uma abertura, aí a plástica do programa é o próprio ouvinte quem faz. Se eu receber bastante notícias por meio do nosso WhatsApp, vou passando. O molde do nosso programa é o ouvinte quem faz. Nosso programa é diferente, tem um estilo até semelhante ao “Pânico”, voltado às pessoas mais velhas.

E qual conselho você pode passar para um jovem que pretende seguir carreira no rádio?
Eu posso dizer que rádio é uma paixão, pois financeiramente ele não compensa. Hoje qualquer um pode fazer rádio, desde que a pessoa seja um bom vendedor. Se você não for um bom vendedor, não haverá como sobreviver com o rádio hoje. E o salário numa rádio é muito baixo, mal remunerado. Então o conselho que passo aos jovens que pretendem seguir carreira é que o façam com paixão, mas que procurem sempre algo além. Vai querer trabalhar com rádio? Legal, mas então faça também uma faculdade de jornalismo ou de rádio/TV. O próprio Boechat, que morreu recentemente, fazia rádio e TV ao mesmo tempo. O rádio é um excelente estágio, mas isso deve ser usado para você seguir um futuro adiante. O jovem não deve estacionar nisso.

Na sua opinião, o que a pessoa mais procura na rádio atualmente? Música? Informação? Entretenimento? O que você sente que as pessoas mais procuram?
As pessoas querem de tudo um pouco, mas o que elas mais necessitam é de voz. As pessoas carecem de voz atualmente. Suponhamos que você está indignado com alguma coisa e não consegue reclamar nem para a Prefeitura e nem para um vereador. Então o rádio vai te dar voz para isso. Você pode mandar um WhatsApp para nós, ou um e-mail, e nós vamos ler o seu “desabafo” ao vivo. A pessoa está lá dentro da casa dela, e basta mandar um WhatsApp para que a região toda a ouça.

Para finalizar, quais são suas últimas palavras?
Gostaria de agradecer ao PIRANOT. E gostaria de agradecer também minha mãe Luzia; minhas duas filhas, Mel e Rafaela; e minha esposa Carla. O sucesso que temos com humildade aqui em Piracicaba se dá justamente pela amizade, família e pessoas que conquistei. Amizade não se compra, se conquista.

Nidio Ferreira

Foto: Wagner Romano / Jornal PIRANOT

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