Nídio Ferreira: "Quando surgiu a internet, todo mundo disse que o rádio acabaria"

Nídio Ferreira: “Quando surgiu a internet, todo mundo disse que o rádio acabaria”

A rádio é uma das grandes paixões dos brasileiros, quanto a isso não há dúvidas. De acordo com um levantamento feito em 2018, cerca de 91% dos brasileiros têm o costume de ouvir rádio. Ciente disso, o Jornal PIRANOT decidiu chamar o radialista Nidio Ferreira para um bate-papo interessante.

Nascido no dia 15 de novembro de 1972, Nidio possui 46 anos e trabalha com rádio desde o início dos anos 90. Apesar de já possuir uma vasta bagagem, trabalha desde 2006 na 92 FM, ao lado dos também radialistas Juca e Celso, onde apresenta o “Show da Manhã”. Confira abaixo a entrevista que Nidio Ferreira concedeu ao jornalista Rafael Fioravanti, do PIRANOT.

Nidio Ferreira
Foto: Wagner Romano / Jornal PIRANOT

Como foi o seu começo na rádio?
Eu nem imaginava que fosse trabalhar em rádio. Já fui borracheiro, cobrador de ônibus, policial do exército na AMANA (Academia Militar das Agulhas Negras), enfim. Posteriormente, em 1992, decidi vir para Piracicaba, onde arrumei emprego numa fábrica de resinagem em Tupi. Comecei a ouvir a Difusora nessa época. Me lembro que o radialista sorteou um convite para Auto Cross. Ganhei, aí fui lá buscar o convite com o Valmir Padilha e fiquei amigo dele. Comecei meus trabalhos na rádio à noite, vendo como as coisas funcionavam. Quando ele saiu de lá e foi para a Educadora FM (atual Jovem Pan), surgiu uma vaga de aprendiz. Aí o Celso Melotto me deu a oportunidade de fazer a parte técnica. Em 1994, a Rádio Transamérica também veio para cá e comecei a fazer alguns trabalhos como operador de áudio. Aos poucos comecei a fazer gravações, depois comecei a fazer flashs. Meu trabalho numa rádio começou mesmo na 97 FM. No total, já trabalhei umas três vezes na Difusora, umas duas vezes na 97 e fiquei mais cinco anos na Onda Livre. Em 2006, eu fui chamado pela 92 FM, ao lado do Juca. Trabalhávamos com notícias, mas também fazíamos um pouco de humor. Aí entrou também o Celso Melotto, e as coisas estão assim até hoje.

Quais são as suas referências no rádio? Quem você usa como fonte inspiradora?
Ah, gosto de muita gente. Gosto do Vanderlei Albuquerque, e ele nem sonha que eu acho isso. Ainda que não seja o tipo de trabalho que eu faça, eu o admiro porque ele faz um jornalismo gostoso. Gosto também do Gerson Mendes na parte de esportes. Outra pessoa que gosto é o Daniel Rogero, que, por sinal, foi um cara que começou depois de mim. Admiro muito a locução que ele faz. Ele era ouvinte da rádio quando comecei.

Qual a maior dificuldade do rádio atualmente?
Acho que são os donos. Hoje em dia quem toca uma rádio são os próprios radialistas que estão ali convivendo com o ouvinte.

Na sua concepção, uma rádio é aberta para coisas novas ou segue ainda um modelo mais tradicional?
Às vezes, poderíamos abrir mais o leque, mas não temos autonomia para isso. Manda quem pode, obedece quem tem juízo. Mas julgo importante que saibamos nos reciclar. Quando surgiu a internet, todo mundo disse que o rádio acabaria… e não foi o que aconteceu. Hoje a internet é uma aliada do rádio, trabalham em conjunto. E às vezes, por mais que um empresário tente ajudar, ele acaba não se ajudando. Não nos atrapalha, mas também não trazemos inovações.

E o maior ponto positivo do rádio atualmente?
Informação instantânea! Hoje possuímos o WhatsApp da rádio que permite colaborações. O pessoal nos envia os acontecimentos e nós já colocamos no ar no mesmo instante.

Quais são as etapas da criação de um programa (de sua concepção até o momento que ele chega na casa do ouvinte)?
Em relação aos programas que eu, Juca e Celso fazemos, foi uma criação de última hora, por isso não teve uma plástica (cronograma). Toda rádio tem plástica, mas no nosso programa não existe isso. Nós fazemos uma abertura, aí a plástica do programa é o próprio ouvinte quem faz. Se eu receber bastante notícias por meio do nosso WhatsApp, vou passando. O molde do nosso programa é o ouvinte quem faz. Nosso programa é diferente, tem um estilo até semelhante ao “Pânico”, voltado às pessoas mais velhas.

E qual conselho você pode passar para um jovem que pretende seguir carreira no rádio?
Eu posso dizer que rádio é uma paixão, pois financeiramente ele não compensa. Hoje qualquer um pode fazer rádio, desde que a pessoa seja um bom vendedor. Se você não for um bom vendedor, não haverá como sobreviver com o rádio hoje. E o salário numa rádio é muito baixo, mal remunerado. Então o conselho que passo aos jovens que pretendem seguir carreira é que o façam com paixão, mas que procurem sempre algo além. Vai querer trabalhar com rádio? Legal, mas então faça também uma faculdade de jornalismo ou de rádio/TV. O próprio Boechat, que morreu recentemente, fazia rádio e TV ao mesmo tempo. O rádio é um excelente estágio, mas isso deve ser usado para você seguir um futuro adiante. O jovem não deve estacionar nisso.

Na sua opinião, o que a pessoa mais procura na rádio atualmente? Música? Informação? Entretenimento? O que você sente que as pessoas mais procuram?
As pessoas querem de tudo um pouco, mas o que elas mais necessitam é de voz. As pessoas carecem de voz atualmente. Suponhamos que você está indignado com alguma coisa e não consegue reclamar nem para a Prefeitura e nem para um vereador. Então o rádio vai te dar voz para isso. Você pode mandar um WhatsApp para nós, ou um e-mail, e nós vamos ler o seu “desabafo” ao vivo. A pessoa está lá dentro da casa dela, e basta mandar um WhatsApp para que a região toda a ouça.

Para finalizar, quais são suas últimas palavras?
Gostaria de agradecer ao PIRANOT. E gostaria de agradecer também minha mãe Luzia; minhas duas filhas, Mel e Rafaela; e minha esposa Carla. O sucesso que temos com humildade aqui em Piracicaba se dá justamente pela amizade, família e pessoas que conquistei. Amizade não se compra, se conquista.

Nidio Ferreira
Foto: Wagner Romano / Jornal PIRANOT
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