Passeata contra abuso e exploração sexual reúne 300 pessoas em Piracicaba

Passeata contra abuso e exploração sexual reúne 300 pessoas em Piracicaba

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Foto: Justino Lucente / CCS

Munidos de folhetos, cartazes, apitos e flores, símbolo da campanha nacional contra o abuso e a exploração sexual de crianças e adolescentes, cerca de 300 pessoas participaram na tarde de hoje (25) da Passeata promovida pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social (Semdes) para dar visibilidade à causa.

Dentre as 300 pessoas, crianças atendidas pelos Centros de Atendimento Socioeducativo (Case), em companhia de seus orientadores, adolescentes do Projeto Gerações, também acompanhados de seus orientadores, profissionais dos Creas (Centro de Referência Especializado de Assistência Social), dos Cras (Centro de Referênc

ia de Assistência Social), do Programa Saúde da Família, do Instituto Formar, da Associação Atlética Educando Pelo Esporte, do Cram

i (Centro Regional de Registros e Atenção aos Maus Tratos na Infância/Piracicaba) e do Conselho tutelar.

Durante a passeata – que foi acompanhada pela fanfarra da escola municipal de ensino fundamental Geraldo Bernardino – e fez com que as pessoas parassem para ver o grupo passar, foram distribuídos folhetos sobre como denunciar e como reconhecer o abuso de crianças e adolescentes. Além dos folhetos, cartazes lembravam que criança não é brinquedo, que a sociedade que sabe do abuso e nada faz é cúmplice e que o número para denunciar é o Disque 100. Durante o trajeto percorrido pela Rua Governador Pedro de Toledo, entre as ruas Dom Pedro II e a São José, as crianças também proferiram gritos de guerra com as palavras não, não, não, diga não à exploração e 1, 2,3, 4, 5 mil, o Case é contra o abuso infantil.

Uma delas, Thayla Cristina de Campos Gasparetti, de 10 anos, que frequenta o Case Jardim Oriente, estava muito feliz já no final do evento, que culminou com apresentações na Praça José Bonifácio, defronte à Catedral. “Esta passeata foi maravilhosa, a gente incentivou as pessoas a lutarem contra o abuso”.

Liliana Amorim, mãe de aluno integrante da fanfara e que estava acompanhada do marido e da filha menor do casal, assistia a passeata com olhos de satisfação. “Está lindo. O tema da passeata é necessário. É preciso jogar luz sobre o assunto. É preciso falar sobre o assunto porque ele é real e precisa ser combatido.”

A importância de falar sobre, conscientizar a população e sensibilizar para a causa estava dentro das intenções dos organizadores do evento e das entidades presentes. Eliete Nunes, titular da Semdes, lembra o quanto é importante denunciar para permitir a redução de danos, se os abusos já aconteceram. “A intenção com o evento é sensibilizar as pessoas para a questão grave de abusos e exploração sexual de crianças e adolescentes e a importância de denunciar”. Viviane Bertoncello, psicóloga do Crami, acredita que a conscientização sobre abusos e exploração, podem ser preventivos. Zélia dos Reis, conselheira tutelar, frisa que informações de como detectar abusos e exploração podem incentivar as denúncias.

Ao final da passeata, os manifestantes se posicionaram na Praça José Bonifácio e assistiram apresentações de dança de crianças atendidas pelos Cases Bosques do Lenheiro, Jardim Oriente e Jardim Itapuã e apresentação do coral do projeto gerações, com jovens dos bairros São José, Piracicamirim e Novo Horizonte.

A passeata finaliza programação de ações alusivas ao dia 18 de maio, que é o dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. A Data foi escolhida por remeter a um crime bárbaro ocorrido em 1973, quando Araceli Cabrera Sanches, de 8 anos, foi sequestrada, drogada, espancada, estuprada e morta por membros de uma tradicional família capixaba.

A escolha do dia como marco aconteceu em 1998, quando cerca de 80 entidades públicas e privadas, reuniram-se na Bahia para o 1º Encontro do Ecpat no Brasil. O evento foi organizado pelo Centro de Defesa de Crianças e Adolescentes (CEDECA/BA), representante oficial do Ecpat, organização internacional que luta pelo fim da exploração sexual e comercial de crianças, pornografia e tráfico para fins sexuais, surgida na Tailândia. O encontro reuniu entidades de todo o país. Foi nessa oportunidade que surgiu a ideia de criação de um Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual Infanto-Juvenil. O dia se tornou lei, por meio do projeto da então deputada Rita Camata, com numeração 9.970

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