Antônio Oswaldo Storel: Desmatamento na Amazônia é o mais alto desde 2008

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Esta é a primeira vez, desde 2010, que a destruição do bioma Amazônia, supera a marca dos 7 mil km2. É o mais alto valor desde 2008, ano em que o combate ao problema se tornou mais efetivo e as taxas anuais de perda da floresta começaram a cair gradualmente. Os dados do Prodes, sistema de monitoramento por satélite que fornece o balanço anual do desmatamento na região, foram divulgados ao final do ano passado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e atingem, exatamente, 7.989 km2.

Mas, ao lado dessa notícia triste para os que estão se aprofundando no tema da Campanha da Fraternidade/2017 – “Os biomas brasileiros e a defesa da Vida” – vem uma outra, bem pior: “Ex-gerente do IBAMA em Sinop (MT), é articulador das ações de grupos exploradores do desmatamento”. Segundo o site da Procuradoria da República, em Mato Groso, Waldevino Gomes Silva, ex-gerente regional do IBAMA, em Sinop (MT), juntamente com sua mulher, Obalúcia Alves de Souza, atuavam para permitir as ações de desmatamento de um grupo chefiado e financiado pelo mandante Antonio José Junqueira Vilela Filho (o AJ Vilela). Enquanto o ex-gerente alertava o grupo sobre as operações de fiscalização, sua mulher era encarregada de dificultar o rastreamento do dinheiro recebido com o desmatamento.

Na região de Sinop foram constatados 3 km2 de desmatamento e em Altamira, 330 km2, entre 2012 e 2015. O Ministério Público Federal já abriu 8 ações judiciais contra o grupo, com um total de 24 acusados, sujeitos a penas de 238 anos de prisão, multas, pagamento de R$ 503 mi em prejuízos ambientais, recuperação de área ilegalmente desmatada, demolição de edificações construídas em áreas irregulares e proibição por até 10 anos de acesso a financiamento público. Um esquema que já movimentou, pelo menos, R$ 1,9 bi.

A participação de Waldevino e sua mulher foi descoberta pela força tarefa da “Operação Rios Voadores”, durante o cumprimento do mandato de busca e apreensão em uma empresa de máquinas em Sinop. Segundo o MPF, se os desmatadores tivessem bens apreendidos, como tratores, correntões e combustível, Waldevino liberava esse patrimônio “por meio de fraudes”.

Além de tudo, constam ainda das acusações nas ações judiciais, a submissão dos trabalhadores à condição semelhante a de escravo, provocação de incêndios criminosos, impedimento da regeneração das florestas, corrupção ativa e passiva, sonegação de documentos, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro, improbidade administrativa e responsabilidade por danos ambientais.

Pelos relatos, percebe-se que a cada ano a destruição do bioma aumenta: entre agosto de 2015 e julho de 2016, o desmatamento (7.989 km2) é 29% maior do que o período entre agosto de 2014 e julho de 2015, que tinha registrado perda de 6.207 km2.

O que se pode concluir, a nível de conscientização da população, como é o objetivo da Campanha da Fraternidade, de uma situação como essa aqui exposta? Quais são as consequências da destruição dos biomas com respeito à vida dos brasileiros, entre eles, os originários dos biomas, os indígenas?

Não dá para aceitar que a destruição dos biomas é necessária para a expansão do agro negócio, com a justificativa de que este é o que tem sustentado a economia do Brasil. As dimensões geográficas do país são enormes e variadas e pode-se muito bem desenvolver as atividades produtivas agrícolas sem afetar os biomas e o eco sistema.

O respeito às populações originárias e ao equilíbrio ambiental, são atitudes fundamentais para o desenvolvimento de uma qualidade de vida almejada por todo o povo brasileiro. A natureza costuma apresentar reações naturais de auto defesa aos ataques recebidos, provocando efeitos maléficos aos viventes humanos. Há necessidade urgente de atitudes educacionais e fiscalizatórias para acabar com a depredação moral e física que a pátria brasileira vem sofrendo nos últimos tempos em favor do enriquecimento criminoso de alguns!

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ANATONIO OSWALDO STOREL – é cirurgião dentista e ex-presidente da Câmara de Vereadores de Piracicaba.

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